Neste incêndio terão ardido 600 hectares, ficado feridos 10 bombeiros e um civil, com outros 10 bombeiros a serem assistidos no local, e foram destruídas habitações e instalações comerciais, sendo ainda de analizar a postura dos dois presidentes dos concelhos afectados, bem como as notícias de que terrenos ardidos terão sido imediatamente postos à venda, algo que, infelizmente, não é inédito, não obstante as restrições existentes no seu reaproveitamento para outros fins.
Apesar de tudo, o incêndio na serra de Sintra, pela sua dimensão e localização, acaba por ser uma excepção que que, no final, contará com uma simples ocorrência, como tantas outras, contando unitariamente para o total, não obstante as suas consequências, que resultam de uma dada área ardida importante, estimada em 600 hectares, e pela sua localização, numa importante zona turística, perto de centros urbanos e da capital do País.
Este terá sido, possivelmente, o último incêndio de proporções importantes, e que mobilizou largos meios, antes da chegada do tempo frio e da chuva, algo que neste momento já se faz sentir e que, segundo as previsões, se irá manter, no que será a normalidade para esta época do ano, encerrando assim aquilo a que convencionalmente se chama a "época dos fogos" e que, actualmente, inclui o mês de Outubro, durante o qual, infelizmente, ocorrem situações graves e complexas.
O espanto, pelo menos aparente, com que o número de ocorrências surge na comunicação social, ou talvez apenas o sensacionalismo que se pretende conferir à notícia, aponta para um fraco conhecimento da realidade, na primeira hipótese, ou uma forma de informar pelo menos discutível na segunda, sobretudo porque as causas que estão por detrás destas ocorrências não é discutida, tal como é omissa a área ardida e toda a restante informação relevante para melhor interpretar o que representa um simples número.
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segunda-feira, outubro 15, 2018
quarta-feira, setembro 26, 2018
Jornal "I" publica o capítulo secreto do relatório de Pedrogão Grande
O jornal "I" começou a publicar partes do capítulo do relatório relativo ao incêndio de Pedrogão Grande que não foi publicado, alegadamente por incluir dados pessoais mas que, face à redação do relatório e autorização dos parentes das vítimas, parece ter sido ocultado por razões políticas, de forma e evitar o choque que algumas revelações trariam.
Este capítulo descreve, com a informação disponível e devidamente cruzada com dados de várias proveniências, o que sucedeu com cada vítima mortal, de forma promenorizada, revelando as tragédias pessoais dos que perderam a vida, do que resulta uma perspectiva completamente diferente do sucedido, até agora algo impessoal dada a abordagem em termos de conjunto e do processo decisional e respectivo enquadramento.
A tragédia pessoal de cada um vem confirmar a incapacidade de resposta dos meios de protecção e socorro naquele dia, o caos vivido, o abandono a que as populações foram votadas, a impossibilidade de obter informações, o pânico que levou muitos a fugir e as consequências das decisões de cada um, perdidos num labirinto de fogo e de abandono.
Os textos do "I" são de leitura difícil, desaconselhados aos mais sensíveis, mas a sua publicação é essencial para compreender, na medida do possível, o que sucedeu naquele dia trágico, dando uma dimensão aterradoramente humana a uma narrativa impessoal, onde os números substituiam os nomes, como forma de ocultar a crueldade de um acontecimento que, para quem estuda esta problemática, há muito que estava na iminência de acontecer, bastando para tal que coincidisse um conjunto de condições que o despoletasse.
Este capítulo descreve, com a informação disponível e devidamente cruzada com dados de várias proveniências, o que sucedeu com cada vítima mortal, de forma promenorizada, revelando as tragédias pessoais dos que perderam a vida, do que resulta uma perspectiva completamente diferente do sucedido, até agora algo impessoal dada a abordagem em termos de conjunto e do processo decisional e respectivo enquadramento.
A tragédia pessoal de cada um vem confirmar a incapacidade de resposta dos meios de protecção e socorro naquele dia, o caos vivido, o abandono a que as populações foram votadas, a impossibilidade de obter informações, o pânico que levou muitos a fugir e as consequências das decisões de cada um, perdidos num labirinto de fogo e de abandono.
Os textos do "I" são de leitura difícil, desaconselhados aos mais sensíveis, mas a sua publicação é essencial para compreender, na medida do possível, o que sucedeu naquele dia trágico, dando uma dimensão aterradoramente humana a uma narrativa impessoal, onde os números substituiam os nomes, como forma de ocultar a crueldade de um acontecimento que, para quem estuda esta problemática, há muito que estava na iminência de acontecer, bastando para tal que coincidisse um conjunto de condições que o despoletasse.
segunda-feira, setembro 03, 2018
66% dos incêndios resultam de queimadas - 2ª parte
Naturalmente, estamos a falar dos incêndios que foram investigados, pelo que pequenos fogos, sem grandes consequências, não são incluídos nesta estatística, sendo intuitivo que estes serão ainda mais fortuitos do que aqueles que resultaram em fogos de grandes dimensões dado que nestes haveria uma maior probabilidade da existência de intencionalidade, com actos no sentido de potenciar o seu alastramento.
Desta forma, caso se as investigações abrangessem a totalidade dos incêndios, algo que, face aos recursos existentes, não é possível, será inevitável que a percentagem de fogos com causas determinadas como não intencionais aumentasse substancialmente, enquanto as restantes, por oposição, diminuiriam na mesma proporção, atingindo níveis pouco mais do que residuais o que, efectivamente, parece corresponder à realidade e à própria intuição resultante do conhecimento do panorama nacional e do comportamento humano.
Não queremos com isto dizer que os incêndios que resultam de actos intencionais e deliberados não assumam grande gravidade, mas que a teoria de que existe uma rede criminosa por detrás desta realidade, e até prova em contrário, é algo que consideramos completamente fictício e que apenas serve como manipulação da opinião pública ao serviço de interesses ou propósitos que os seus divulgadores ou apoiantes se recusam a esclarecer.
A fictícia rede de incendiários, a conspiração de uma organização tão criminosa quanto desconhecida, tem servido, essencialmente, como forma de desculpabilização por parte de todos quantos cometeram erros, seja por actos, seja pela inacção, para quem a imprevisibilidade e malícia do crime seria o motivo que levou à derrota das suas acções, as quais, quase certamente, a existirem, terão sido erradas ou ineficientes, pelo que merecem uma avaliação de todos, sem atenuantes nem desculpas.
Desta forma, caso se as investigações abrangessem a totalidade dos incêndios, algo que, face aos recursos existentes, não é possível, será inevitável que a percentagem de fogos com causas determinadas como não intencionais aumentasse substancialmente, enquanto as restantes, por oposição, diminuiriam na mesma proporção, atingindo níveis pouco mais do que residuais o que, efectivamente, parece corresponder à realidade e à própria intuição resultante do conhecimento do panorama nacional e do comportamento humano.
Não queremos com isto dizer que os incêndios que resultam de actos intencionais e deliberados não assumam grande gravidade, mas que a teoria de que existe uma rede criminosa por detrás desta realidade, e até prova em contrário, é algo que consideramos completamente fictício e que apenas serve como manipulação da opinião pública ao serviço de interesses ou propósitos que os seus divulgadores ou apoiantes se recusam a esclarecer.
A fictícia rede de incendiários, a conspiração de uma organização tão criminosa quanto desconhecida, tem servido, essencialmente, como forma de desculpabilização por parte de todos quantos cometeram erros, seja por actos, seja pela inacção, para quem a imprevisibilidade e malícia do crime seria o motivo que levou à derrota das suas acções, as quais, quase certamente, a existirem, terão sido erradas ou ineficientes, pelo que merecem uma avaliação de todos, sem atenuantes nem desculpas.
sexta-feira, agosto 31, 2018
66% dos incêndios resultam de queimadas - 1ª parte
66% dos incêndios investigados resultaram de queimadas, o que vem confirmar algo que sempre consideramos evidente, o facto de ser a negligência, independentemente da sua gravidade, e não o dolo que está por detrás da grande maioria dos incêndios florestais, desmontando-se assim diversas teorias conspirativas.
A ideia de que a maior parte dos incêndios será de resultado de actos intencionais, não se utilizando aqui a expressão negligente porque esta pode igualmente ser aplicada em situações de crime, ou a que existiria uma rede conspirativa, nunca descoberta, que, por motivos inconfessáveis, atearia os fogos, volta, assim, a ser derrotada, e com ela muitos do que, insistentemente e sem provas, a suportam com base em meras conjecturas.
Todos recordamos que a culpa já foi atribuída a madeireiros, forças políticas de esquerda e de direita, a interesses imobiliários ou outros, que funcionariam em rede, de forma organizada e estruturada, obedecendo a algum tipo de coordenação que, supostamente, passaria por uma estrutura hierárquica, configurando uma autêntica associação criminosa da qual, não obstante as investigações efectuadas, nunca houve qualquer indício.
Assim, o que as investigações conhecidas, o conhecimento da realidade nacional, e do próprio ser humano, e o bom senso, ou senso comum, todos apontam no mesmo sentido, não conspirativo, e que se traduz na falta de cuidado, que pode ser criminosa, mas não intencional, na ausência de conhecimentos e de recursos e na falta de ordenamento do território, o que permite o rápido alastrar das chamas, podendo simples queimadas dar origem a incêndios de grandes dimensões.
A ideia de que a maior parte dos incêndios será de resultado de actos intencionais, não se utilizando aqui a expressão negligente porque esta pode igualmente ser aplicada em situações de crime, ou a que existiria uma rede conspirativa, nunca descoberta, que, por motivos inconfessáveis, atearia os fogos, volta, assim, a ser derrotada, e com ela muitos do que, insistentemente e sem provas, a suportam com base em meras conjecturas.
Todos recordamos que a culpa já foi atribuída a madeireiros, forças políticas de esquerda e de direita, a interesses imobiliários ou outros, que funcionariam em rede, de forma organizada e estruturada, obedecendo a algum tipo de coordenação que, supostamente, passaria por uma estrutura hierárquica, configurando uma autêntica associação criminosa da qual, não obstante as investigações efectuadas, nunca houve qualquer indício.
Assim, o que as investigações conhecidas, o conhecimento da realidade nacional, e do próprio ser humano, e o bom senso, ou senso comum, todos apontam no mesmo sentido, não conspirativo, e que se traduz na falta de cuidado, que pode ser criminosa, mas não intencional, na ausência de conhecimentos e de recursos e na falta de ordenamento do território, o que permite o rápido alastrar das chamas, podendo simples queimadas dar origem a incêndios de grandes dimensões.
sexta-feira, agosto 17, 2018
Monchique 2003-2018 - 5ª parte
Sem alterações estruturais, o incêndio de 2018 não passa de um segundo "round" do incêndio de 2013, com alguns combates de menor relevo pelo meio, e outros "rounds" se seguirão caso após esta tragédia se permita que tudo continue na mesma, repetindo erros sucessivos que, inevitavelmente, em condições semelhantes, terão as mesmas consequências.
Repetir erros esperando que o resultado seja diferente é algo que nem vale a pena qualificar, sob pena de nos vermos forçados a utilizar expressões pouco adequadas a um uso em público, mas a impunidade que se vive entre nós, a falta de responsabilização política e mesmo civil ou criminal, quando aplicável, permite que este tipo de situações se mantenha em toda a extensão do território nacional.
Repetir erros esperando que o resultado seja diferente é algo que nem vale a pena qualificar, sob pena de nos vermos forçados a utilizar expressões pouco adequadas a um uso em público, mas a impunidade que se vive entre nós, a falta de responsabilização política e mesmo civil ou criminal, quando aplicável, permite que este tipo de situações se mantenha em toda a extensão do território nacional.
Até à data, este foi o maior incêndio que ocorreu este ano na Europa e não será pela ausência de perda de vidas humanas que alguém tem o direito de se orgulhar por uma vitória que não existiu, podendo apenas manifestar alguma resignação face ao controle de danos que, quando é a única opção, aliás inerente ao combate, é sempre consubstaciada numa derrota com maior ou menor extensão.
Repetir erros esperando que o resultado seja diferente é algo que nem vale a pena qualificar, sob pena de nos vermos forçados a utilizar expressões pouco adequadas a um uso em público, mas a impunidade que se vive entre nós, a falta de responsabilização política e mesmo civil ou criminal, quando aplicável, permite que este tipo de situações se mantenha em toda a extensão do território nacional.
Repetir erros esperando que o resultado seja diferente é algo que nem vale a pena qualificar, sob pena de nos vermos forçados a utilizar expressões pouco adequadas a um uso em público, mas a impunidade que se vive entre nós, a falta de responsabilização política e mesmo civil ou criminal, quando aplicável, permite que este tipo de situações se mantenha em toda a extensão do território nacional.
Até à data, este foi o maior incêndio que ocorreu este ano na Europa e não será pela ausência de perda de vidas humanas que alguém tem o direito de se orgulhar por uma vitória que não existiu, podendo apenas manifestar alguma resignação face ao controle de danos que, quando é a única opção, aliás inerente ao combate, é sempre consubstaciada numa derrota com maior ou menor extensão.
quarta-feira, agosto 15, 2018
Monchique 2003-2018 - 4ª parte
Também a forma como as entidades oficiais se dirigem às populações, não raramente anunciando sucessos, ou induzindo as populações a acreditar nestes quando ainda podem estar longe de se concretizar, e durante o processo acarretar situações particularmente graves, a ausência do primeiro-ministro, que opta por se manter afastado, não interrompendo as férias ou o remeter para responsáveis políticos de segunda linha o anúncio de más notícias, são tudo menos benéficos, contribuindo para a desconfiança na tutela política.
Sendo cedo para analizar o comando e coordenação das operações no terreno, onde a presença do comandante Vaz Pinto, anteriormente substituído como consequência do seu desempenho nos fogos de 2013, na serra do Caldeirão, teve papel essencial, temos que reconhecer que existem muitas dúvidas quanto à forma como foi orientado o combate, sendo absolutamente essencial que estas sejam prontamente esclarecidas.
A forma como os meios de socorro actuaram em Monchique, em consequência das orientações recebidas, e portanto excluindo a responsabilidade dos operacionais, tem sido criticada e o facto de o comando transitar do nível distrital para o nacional, independentemente das justificações, indicia que haveria falhas reconhecidas pela hierarquia o que, no fundo, seria a confirmação das declarações de diversos operacionais e da sensação geral.
Com o tempo serão feitas as contas aos prejuízos, que incluem numerosas casas e edificações, veículos, uma extensa mancha florestal e de produção agrícola, sendo sempre difícil de calcular a sua projecção no futuro, pela perda de rendimentos directos e indirectos numa zona onde o turismo é relevante e que, nos próximos anos, pode ser bastante afectado pela destruição resultante destes fogos.
Sendo cedo para analizar o comando e coordenação das operações no terreno, onde a presença do comandante Vaz Pinto, anteriormente substituído como consequência do seu desempenho nos fogos de 2013, na serra do Caldeirão, teve papel essencial, temos que reconhecer que existem muitas dúvidas quanto à forma como foi orientado o combate, sendo absolutamente essencial que estas sejam prontamente esclarecidas.
A forma como os meios de socorro actuaram em Monchique, em consequência das orientações recebidas, e portanto excluindo a responsabilidade dos operacionais, tem sido criticada e o facto de o comando transitar do nível distrital para o nacional, independentemente das justificações, indicia que haveria falhas reconhecidas pela hierarquia o que, no fundo, seria a confirmação das declarações de diversos operacionais e da sensação geral.
Com o tempo serão feitas as contas aos prejuízos, que incluem numerosas casas e edificações, veículos, uma extensa mancha florestal e de produção agrícola, sendo sempre difícil de calcular a sua projecção no futuro, pela perda de rendimentos directos e indirectos numa zona onde o turismo é relevante e que, nos próximos anos, pode ser bastante afectado pela destruição resultante destes fogos.
segunda-feira, agosto 13, 2018
Monchique 2003-2018 - 3ª parte
A ausência de populações tem outra consequência, nomeadamente a nível de reacendimentos, sendo de esperar que, sem que os habitantes locais os controlem e com os operacionais deslocados para frentes de fogo activas, a probabilidade de estes darem origem a incêndios de alguma gravidade aumenta, criando situações complexas e obrigando a novas movimentações de meios que seriam necessários noutros locais.
Sem a orientação das populações locais, já que os bombeiros locais estarão empenhados no combate dificilmente reforços provenientes de outros concelhos, por vezes habituados a uma orografia completamente diferente, poderão operar eficazmente, sobretudo durante a noite, sem que disso decorra um risco inaceitável, pelo que a janela de oportunidade que resulta de condições climatéricas mais favoráveis se perde face à diminuição das acções.
No entanto, estas alterações não implicam uma maior confiança nas autoridades, sendo manifesto que a desconfiança decorrente do ano anterior se mantém, patente na inversão de trânsito numa auto-estrada, face a uma situação controlada, ou a obstrução à evacuação, com as vítimas mais graves a ocorrer durante uma fuga, possivelmente como resultado de pânico e da falta de conhecimento do terreno.
Aliás, a forma como o Estado, através das diversas entidades envolvidas tem abordado a questão dos incêndios, seja por estarem envolvidas em polémicas, como no apoio às vítimas dos incêndios do anos passado, seja em contradições, perseguindo os proprietários que não limpam os terrenos, por vezes por falta de recursos, enquanto a vegetação chega às estradas, propriedade do próprio Estado, que também não limpa adequadamente os seus terrenos, dificilmente inspira confiança às populações.
Sem a orientação das populações locais, já que os bombeiros locais estarão empenhados no combate dificilmente reforços provenientes de outros concelhos, por vezes habituados a uma orografia completamente diferente, poderão operar eficazmente, sobretudo durante a noite, sem que disso decorra um risco inaceitável, pelo que a janela de oportunidade que resulta de condições climatéricas mais favoráveis se perde face à diminuição das acções.
No entanto, estas alterações não implicam uma maior confiança nas autoridades, sendo manifesto que a desconfiança decorrente do ano anterior se mantém, patente na inversão de trânsito numa auto-estrada, face a uma situação controlada, ou a obstrução à evacuação, com as vítimas mais graves a ocorrer durante uma fuga, possivelmente como resultado de pânico e da falta de conhecimento do terreno.
Aliás, a forma como o Estado, através das diversas entidades envolvidas tem abordado a questão dos incêndios, seja por estarem envolvidas em polémicas, como no apoio às vítimas dos incêndios do anos passado, seja em contradições, perseguindo os proprietários que não limpam os terrenos, por vezes por falta de recursos, enquanto a vegetação chega às estradas, propriedade do próprio Estado, que também não limpa adequadamente os seus terrenos, dificilmente inspira confiança às populações.
quinta-feira, agosto 09, 2018
Monchique 2003-2018 - 2ª parte
Apesar das dificuldades no combate, e estas, tal como em anos anteriores, devem-se, em grande parte, a um cenário demasiado problemático, com uma vegetação desordenada, uma enorme carga térmica ou dificuldades de acesso, a que acrescem condições climatéricas adversas, existem melhorias, sobretudo na protecção das populações, o que denota uma alteração a nível dos procedimentos e, eventualmente, das mentalidades.
Um factor de relevo é a opção de evacuar as populações em risco, actual ou previsível, com a antecedência que permita uma evacuação em segurança e alojamento temporário em local seguro, num esforço destinado a evitar as perdas de vidas humanas de forma semelhante ao sucedido no ano anterior.
O envio de mensagens de alerta, via SMS, de forma preventiva, alertando todos quantos residem em distritos de maior risco para que estejam alerta a novas informações e possam agir em conformidade, foi outra melhoria a salientar, esperando-se que o tipo de alerta evolua em termos informativos, com aviso para situações concretas e indicações a seguir ou entidades a contactar em caso de evolução desfavorável da situação.
O evacuar as populações significa que o apoio que estas dão durante o combate, seja na sua auto-defesa, seja na colaboração ou no apoio que prestam, deixa de existir, sendo possível que desta opção resulte a perda de algumas casas ou outras estruturas e bens, que deixam de ser defendidos pelos proprietários ou pelas comunidades, sendo óbvia a escolha de proteger a vida em detrimento de tudo o resto.
Um factor de relevo é a opção de evacuar as populações em risco, actual ou previsível, com a antecedência que permita uma evacuação em segurança e alojamento temporário em local seguro, num esforço destinado a evitar as perdas de vidas humanas de forma semelhante ao sucedido no ano anterior.
O envio de mensagens de alerta, via SMS, de forma preventiva, alertando todos quantos residem em distritos de maior risco para que estejam alerta a novas informações e possam agir em conformidade, foi outra melhoria a salientar, esperando-se que o tipo de alerta evolua em termos informativos, com aviso para situações concretas e indicações a seguir ou entidades a contactar em caso de evolução desfavorável da situação.
O evacuar as populações significa que o apoio que estas dão durante o combate, seja na sua auto-defesa, seja na colaboração ou no apoio que prestam, deixa de existir, sendo possível que desta opção resulte a perda de algumas casas ou outras estruturas e bens, que deixam de ser defendidos pelos proprietários ou pelas comunidades, sendo óbvia a escolha de proteger a vida em detrimento de tudo o resto.
terça-feira, agosto 07, 2018
Monchique 2003-2018 - 1ª parte
Não obstante os trabalhos de prevenção efectuados ao longo do ano e o estabelecimento de uma lista com um conjunto de locais de maior risco, entre os quais se encontra a serra algarvia, foi impossível controlar com rapidez o incêndio que devastou o concelho de Monchique, alastrando a concelhos vizinhos, não obstante o vasto número de meios envolvidos.
Mais de um milhar de efectivos, apoiados por mais de duas centenas de viaturas e, durante o dia, por um conjunto importante de meios aéreos, não puderam, e provavelmente tal seria impossível, deter as chamas estes já perto de 3 dias, as quais foram alastrando pelas serra algarvia, estimando-se que tenha destruido entre 15.000 e 20.000 hectares de áreas florestais e de matos.
Este incêndio veio recordar o que ocorreu em 2003, 15 anos atrás, que provocou uma enorme devastação, cujas consequências foram deixando de ser visíveis ao longo dos anos, mas sem que, durante este processo, se tenham verificado mudanças estruturais que prevenissem um rápido evoluir das chamas, com as trágicas consequências que conhecemos.
As mudanças necessárias não podiam, naturalmente, decorrer do sucedido em 2017, por impossibilidade de efectuar todos os trabalhos necessários em escassos meses, mas, caso tivessem feito parte das replantações e alterações efectuadas na sequência dos fogos de 2013, muito poderia ter sido feito e estariamos hoje diante de um cenário completamente diferente e muito mais resistente aos fogos, que não dificultassem, ou impossibilitassem um combate mais eficaz.
Mais de um milhar de efectivos, apoiados por mais de duas centenas de viaturas e, durante o dia, por um conjunto importante de meios aéreos, não puderam, e provavelmente tal seria impossível, deter as chamas estes já perto de 3 dias, as quais foram alastrando pelas serra algarvia, estimando-se que tenha destruido entre 15.000 e 20.000 hectares de áreas florestais e de matos.
Este incêndio veio recordar o que ocorreu em 2003, 15 anos atrás, que provocou uma enorme devastação, cujas consequências foram deixando de ser visíveis ao longo dos anos, mas sem que, durante este processo, se tenham verificado mudanças estruturais que prevenissem um rápido evoluir das chamas, com as trágicas consequências que conhecemos.
As mudanças necessárias não podiam, naturalmente, decorrer do sucedido em 2017, por impossibilidade de efectuar todos os trabalhos necessários em escassos meses, mas, caso tivessem feito parte das replantações e alterações efectuadas na sequência dos fogos de 2013, muito poderia ter sido feito e estariamos hoje diante de um cenário completamente diferente e muito mais resistente aos fogos, que não dificultassem, ou impossibilitassem um combate mais eficaz.
quinta-feira, agosto 02, 2018
Incêndios na Grécia - 3ª parte
Tal como acontece entre nós, apontar para fogo posto, ou simplesmente levantar a suspeita, havendo ausência de provas, é uma das formas mais habituais de afastar responsabilidades e tentar fazer recair numa acção deliberada a origem da tragédia, ignorando que a resistência estrutural deve proteger contra um incêndio, independentemente da sua origem, pelo que esta será uma fraca desculpa que, no limite, pode ser prejudicial, com efeitos nas compensações a atribuir pelas seguradoras.
Face à revolta das populações, que se sentiram abandonadas durante e após os fogos, a resposta do Governo surge como hesitante e pouco credível, contrapondo um conjunto de medidas de emergência pouco satisfatórias, tendo aqueles que foram afectados que esperar que os montantes disponibilizados para reconstrução sejam disponibilizados com critério, brevidade e em valores que permitam a reconstrução ou reparação dos bens atingidos.
Manifestamente, tal como sucede em Portugal, a falta de ordenamento do território, de respeito pela legislação vigente e, no caso grego, uma certa anarquia a nível de licenciamentos ou na tolerãncia com que a falta destes é encarada, aliada a uma sub-avaliação da gravidade da situação e, aparentemente, a uma deficiente gestão dos recursos existentes, facilitou a propagação das chamas e potenciou a vulnerabilidade das populações, resultando num elevado número de vítimas, muitas das quais ainda dadas como desaparecidas.
Face à revolta das populações, que se sentiram abandonadas durante e após os fogos, a resposta do Governo surge como hesitante e pouco credível, contrapondo um conjunto de medidas de emergência pouco satisfatórias, tendo aqueles que foram afectados que esperar que os montantes disponibilizados para reconstrução sejam disponibilizados com critério, brevidade e em valores que permitam a reconstrução ou reparação dos bens atingidos.
Manifestamente, tal como sucede em Portugal, a falta de ordenamento do território, de respeito pela legislação vigente e, no caso grego, uma certa anarquia a nível de licenciamentos ou na tolerãncia com que a falta destes é encarada, aliada a uma sub-avaliação da gravidade da situação e, aparentemente, a uma deficiente gestão dos recursos existentes, facilitou a propagação das chamas e potenciou a vulnerabilidade das populações, resultando num elevado número de vítimas, muitas das quais ainda dadas como desaparecidas.
terça-feira, julho 31, 2018
Incêndios na Grécia - 2ª parte
O facto de terem sido severamente atingidas zonas turísticas, cujos empreendimentos à beira mar confinam, do lado oposto, com uma extensa vegetação, encostada às edificações, aponta para uma manifesta falta de respeito por princípios básicos de segurança, com a prioridade a ir no sentido da criação de um espaço tão atractivo para o turismo, como inseguro para quem o frequenta e, naturalmente, desconhece o perigo em que se encontra.
A falta de ordenamento do território, a especulação imobiliária ligada a uma forte dependência do sector turístico, essencial para o equilíbrio das contas gregas, do que resulta uma complacência face a situações de risco particularmente evidentes, numa evidente cumplicidade entre o Estado e privados, todos eles cientes das vantagens resultantes da expansão deste sector que será o mais importante para a economia nacional.
Obviamente, uma vez criado o cenário, entramos no domínio das probabilidades, concretamente nas de um conjunto de factores se conjugarem para que o número de ignições e a rapidez de propagação inviabilize um combate eficaz a todas as ocorrências, bastando que uma pequena percentagem não seja controlada quase de imediato para que a possibilidade de alastramento e de criação de novos focos, via projecções, seja elevada.
Embora existam, como sempre, suspeitas de fogo posto, a evidência não aponta neste sentido, sendo muito mais provável que as condições climatéricas na altura do início dos incêndios, com vento muito forte, e as sucessivas projecções tenham estado na origem dos numerosos focos de incêndio que alguns associam a uma teia criminosa, pelo simples facto de haver alguma coincidência temporal, o que pode ser explicado por razões naturais.
A falta de ordenamento do território, a especulação imobiliária ligada a uma forte dependência do sector turístico, essencial para o equilíbrio das contas gregas, do que resulta uma complacência face a situações de risco particularmente evidentes, numa evidente cumplicidade entre o Estado e privados, todos eles cientes das vantagens resultantes da expansão deste sector que será o mais importante para a economia nacional.
Obviamente, uma vez criado o cenário, entramos no domínio das probabilidades, concretamente nas de um conjunto de factores se conjugarem para que o número de ignições e a rapidez de propagação inviabilize um combate eficaz a todas as ocorrências, bastando que uma pequena percentagem não seja controlada quase de imediato para que a possibilidade de alastramento e de criação de novos focos, via projecções, seja elevada.
Embora existam, como sempre, suspeitas de fogo posto, a evidência não aponta neste sentido, sendo muito mais provável que as condições climatéricas na altura do início dos incêndios, com vento muito forte, e as sucessivas projecções tenham estado na origem dos numerosos focos de incêndio que alguns associam a uma teia criminosa, pelo simples facto de haver alguma coincidência temporal, o que pode ser explicado por razões naturais.
quinta-feira, julho 26, 2018
Incêndios na Grécia - 1ª parte
A tragédia vivida nos últimos dias na Grécia, cuja extensão total ainda não foi avaliada no momento em que este texto é escrito, tem uma óbvia semelhança aparente com a que se viveu em Portugal no ano passado, mas revela-se mais complexa, sintetizando a situação do incêndio de Pedrogão Grande e os grandes incêndios de Outubro de 2017.
Em Portugal, apesar de alguma similitude em termos do número de vítimas, a tragédia de Junho, localizada e com circunstâncias climáticas extremas, e a de Outubro, que abrange uma extensa área, com uma maior dispersão e abrangência, devem ser abordadas de forma distinta, seja em termos de causas, passando pela forma de propagação e pelo combate e terminando nas consequências, sendo óbvias as diferenças entre ambas as situações.
No caso grego, a existência de tragédias muito localizadas, com semelhanças ao sucedido em Pedrogão, a que se adicionam os problemas inerentes a uma dispersão por largas zonas, alguma delas de muito difícil acesso, num cenário que, por vezes, lembra os grandes incêndios que ocorrem na Califórnia, resulta num cenário de extrema complexidade, face ao qual todos os meios parecem escassos, mesmo quando reforçados por forças internacionais.
Manifestamente, face a um cenário destes, o combate parece praticamente impossível, pelo que a incidência dos esforços será na protecção das populações e, quando possível, dos seus bens, apontando-se, naturalmente, para causas estruturais, como o ordenamento do território e a prevenção, que, conjuntamente com efeitos climáticos, determinam as condições que propiciam ou não a propagação das chamas.
Em Portugal, apesar de alguma similitude em termos do número de vítimas, a tragédia de Junho, localizada e com circunstâncias climáticas extremas, e a de Outubro, que abrange uma extensa área, com uma maior dispersão e abrangência, devem ser abordadas de forma distinta, seja em termos de causas, passando pela forma de propagação e pelo combate e terminando nas consequências, sendo óbvias as diferenças entre ambas as situações.
No caso grego, a existência de tragédias muito localizadas, com semelhanças ao sucedido em Pedrogão, a que se adicionam os problemas inerentes a uma dispersão por largas zonas, alguma delas de muito difícil acesso, num cenário que, por vezes, lembra os grandes incêndios que ocorrem na Califórnia, resulta num cenário de extrema complexidade, face ao qual todos os meios parecem escassos, mesmo quando reforçados por forças internacionais.
Manifestamente, face a um cenário destes, o combate parece praticamente impossível, pelo que a incidência dos esforços será na protecção das populações e, quando possível, dos seus bens, apontando-se, naturalmente, para causas estruturais, como o ordenamento do território e a prevenção, que, conjuntamente com efeitos climáticos, determinam as condições que propiciam ou não a propagação das chamas.
terça-feira, julho 24, 2018
2018 é um dos anos com menor área ardida - 2ª parte
Naturalmente, a maior insistência no cumprimento da legislação em vigor, com uma maior verificação por parte das entidades competentes e a aplicação de um maior número de coimas, reduziu substancialmente o risco de um incêndio atingir habitações ou povoações e provocar vítimas, com o maior risco a verificar-se nas vias de circulação, onde muito falta fazer para afastar a vegetação das bermas, o que potencia situações semelhantes às vividas durante os fogos de Pedrogão Grande.
As grandes alterações na Protecção Civil, previstas para Março, altura em que a lei orgânica deveria estar pronta, continuam adiadas, apontando-se agora para o final do ano, de modo a que entrem em vigor em 2019, pelo que as mudanças serão sobretudo conjunturais, sem grandes alterações de fundo, que parecem estar eternamente adiadas.
Assim, o actual dispositivo, que se pretendia mais eficaz, nunca foi colocado numa situação de esforço real, pelo que não houve, até hoje, testes efectivos, com a reacção até aos dias de hoje a ser adequada, cumprindo com eficácia a sua missão, mas desconhecendo-se como funcionaria caso se verificasse uma situação de grande complexidade, tal como sucedeu no ano anterior.
Será virtualmente impossível repetir-se a tragédia de Outubro de 2017, que, pela sua amplitude geográfica, deixa de ter condições para ocorrer, mas algo semelhante ao que sucedeu em Pedrogão Grande, onde a maior perda de vidas humanas ocorreu numa zona muito restrita, será sempre possível, havendo numerosas vias onde as mesmas condições podem convergir criando cenários similares.
As grandes alterações na Protecção Civil, previstas para Março, altura em que a lei orgânica deveria estar pronta, continuam adiadas, apontando-se agora para o final do ano, de modo a que entrem em vigor em 2019, pelo que as mudanças serão sobretudo conjunturais, sem grandes alterações de fundo, que parecem estar eternamente adiadas.
Assim, o actual dispositivo, que se pretendia mais eficaz, nunca foi colocado numa situação de esforço real, pelo que não houve, até hoje, testes efectivos, com a reacção até aos dias de hoje a ser adequada, cumprindo com eficácia a sua missão, mas desconhecendo-se como funcionaria caso se verificasse uma situação de grande complexidade, tal como sucedeu no ano anterior.
Será virtualmente impossível repetir-se a tragédia de Outubro de 2017, que, pela sua amplitude geográfica, deixa de ter condições para ocorrer, mas algo semelhante ao que sucedeu em Pedrogão Grande, onde a maior perda de vidas humanas ocorreu numa zona muito restrita, será sempre possível, havendo numerosas vias onde as mesmas condições podem convergir criando cenários similares.
quinta-feira, julho 19, 2018
2018 é um dos anos com menor área ardida - 1ª parte
2018 está a ser o segundo ano com menor área ardida da última década, com apenas 1.800 hectares consumidos pelas chamas, contra mais de 48.000 no ano passado, tendo contribuido para tal um Verão que tarda e, naturalmente, a devastação de anos anteriores, do que resulta uma menor área que possa ser consumida pelos fogos e maiores descontinuidades, que servem como barreiras naturais.
Segundo os dados da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), entre 01 de Janeiro e 15 de Julho deflagraram 6.035 incêndios, menos 2.624 do que no período homologo do ano passado, e em apenas dois a fase inicial de combate não foi suficiente para que ficassem controlados, exigindo outro tipo de ataque para a sua extinção.
Durante o período mais crítico, entre Julho e Setembro, estão operacionais 10.767 efectivos, apoiados por 2.463 veículos e 55 meios aéreos, o que representa um aumento de 1.027 efectivos, 398 viaturas e sete meios aéreos relativamente ao ano anterior, ficando assim o dispositivo reforçado em mais de 10%, o que, em situações mais críticas, pode revelar-se importante.
Serão vários os factores de que resulta uma escassa área ardida, mas é histórico que a seguir a um ano particularmente complicado, o seguinte tende a ser francamente mais calmo, com a possibilidade de os problemas surgirem um ano depois, altura em que a regeneração de diversas espécies potencia a propagação das chamas, num ciclo que se encontra patente nos registos dos últimos anos.
Segundo os dados da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), entre 01 de Janeiro e 15 de Julho deflagraram 6.035 incêndios, menos 2.624 do que no período homologo do ano passado, e em apenas dois a fase inicial de combate não foi suficiente para que ficassem controlados, exigindo outro tipo de ataque para a sua extinção.
Durante o período mais crítico, entre Julho e Setembro, estão operacionais 10.767 efectivos, apoiados por 2.463 veículos e 55 meios aéreos, o que representa um aumento de 1.027 efectivos, 398 viaturas e sete meios aéreos relativamente ao ano anterior, ficando assim o dispositivo reforçado em mais de 10%, o que, em situações mais críticas, pode revelar-se importante.
Serão vários os factores de que resulta uma escassa área ardida, mas é histórico que a seguir a um ano particularmente complicado, o seguinte tende a ser francamente mais calmo, com a possibilidade de os problemas surgirem um ano depois, altura em que a regeneração de diversas espécies potencia a propagação das chamas, num ciclo que se encontra patente nos registos dos últimos anos.
quarta-feira, fevereiro 21, 2018
Apenas o aluguer de 10 aeronaves foi contractualizado - 2ª parte
Resta ao Governo alterar os lotes, redefinindo-os, ou aceitar pagar um preço mais elevado, dado que apenas a Heliportugal aceitou o propostos, correspondente a 10.000.000 de Euros para 10 helicópteros ligeiros, ficando a faltar aeronaves de vários modelos, como os "Fireboss", "Canadair" ou aparelhos para observação, todos eles essenciais para o dispositivo de combate.
Com a indisponibilidade da maioria dos Kamov Ka-32, e desconhecemos quantos e quando estarão disponíveis mais helicópteros deste tipo, o número de aeronaves pertença do Estado português resume-se aos três Ecureiul disponíveis, ao que, mesmo acrescendo uma dezena de helicópteros ligeiros da Helibravo, o total é francamente insuficiente, estando ausentes aviões de asa fixa, essenciais para as operações de combate aos fogos.
Existe, naturalmente, uma grande pressão, resultante da tragédia do ano anterior, embora, face à extensa área ardida em 2017, seja de prever que neste Verão os incêndios sejam muito menos devastadores e em número mais baixo, contidos pelas enormes áreas queimadas que funcionam como barreiras naturais, impedindo a propagação das chamas, resultando, com toda a probabilidade, num dos anos com menor área ardida das últimas décadas.
Não obstante a previsível calmia relativa da próxima época de incêndios, a tolerância para uma nova tragédia é virtualmente nula, pelo que os decisores políticos não irão deixar de adoptar as medidas possíveis para evitar que tal aconteça, mesmo que para isso sejam obrigados a pagar um valor particularmente elevado pelos meios aéreos a incorporar num dispositivo que depende excessivamente destes recursos.
Com a indisponibilidade da maioria dos Kamov Ka-32, e desconhecemos quantos e quando estarão disponíveis mais helicópteros deste tipo, o número de aeronaves pertença do Estado português resume-se aos três Ecureiul disponíveis, ao que, mesmo acrescendo uma dezena de helicópteros ligeiros da Helibravo, o total é francamente insuficiente, estando ausentes aviões de asa fixa, essenciais para as operações de combate aos fogos.
Existe, naturalmente, uma grande pressão, resultante da tragédia do ano anterior, embora, face à extensa área ardida em 2017, seja de prever que neste Verão os incêndios sejam muito menos devastadores e em número mais baixo, contidos pelas enormes áreas queimadas que funcionam como barreiras naturais, impedindo a propagação das chamas, resultando, com toda a probabilidade, num dos anos com menor área ardida das últimas décadas.
Não obstante a previsível calmia relativa da próxima época de incêndios, a tolerância para uma nova tragédia é virtualmente nula, pelo que os decisores políticos não irão deixar de adoptar as medidas possíveis para evitar que tal aconteça, mesmo que para isso sejam obrigados a pagar um valor particularmente elevado pelos meios aéreos a incorporar num dispositivo que depende excessivamente destes recursos.
segunda-feira, fevereiro 19, 2018
Apenas o aluguer de 10 aeronaves foi contractualizado - 1ª parte
Apenas o aluguer de 10 das 50 aeronaves destinadas a integrar o Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios florestais foi adjudicado, correspondendo a uma dezena de helicópteros ligeiros da empresa Helibravo, tendo sido excluídos os restantes concorrentes devido ao preço que ultrapassava o estabelecido no caderno de encargos.
Com a "Fase Charlie" a aproximar-se a passos largos, o tempo escasseia e a possibilidade de uma ajuste directo aumenta, tal como é maior a possibilidade de o preço a pagar ser mais elevado do que o previsto, com tendência para aumentar à medida que o tempo passa e o número de aeronaves disponíveis diminui.
É de notar que as aeronaves disponíveis, pertencentes a um pequeno número de empresas, o que prejudica a concorrência, podem ser alugadas por qualquer país interessado, pelo que os seus responsáveis tentam o melhor negócio possível, no que quase parece ser um autêntico leilão, cujo valor de licitação aumenta à medidade que a necessidade se torna mais premente, razão pela qual adiar a adjudicação, seja por concurso, seja por ajuste directo, resulta num preço mais elevado.
Ocorre, naturalmente, que o valor máximo aceite pelo Estado português ou estará desfazado da realidade do mercado, sendo irrealista, mesmo que numa tentativa de melhor defender o interesse nacional, ou que as empresas, sabendo da escassez de meios, optem por uma estratégia concertada, forçando os preços a subir enquanto a urgência pressiona os governos dos vários Estados que necessitam destes recursos.
Com a "Fase Charlie" a aproximar-se a passos largos, o tempo escasseia e a possibilidade de uma ajuste directo aumenta, tal como é maior a possibilidade de o preço a pagar ser mais elevado do que o previsto, com tendência para aumentar à medida que o tempo passa e o número de aeronaves disponíveis diminui.
É de notar que as aeronaves disponíveis, pertencentes a um pequeno número de empresas, o que prejudica a concorrência, podem ser alugadas por qualquer país interessado, pelo que os seus responsáveis tentam o melhor negócio possível, no que quase parece ser um autêntico leilão, cujo valor de licitação aumenta à medidade que a necessidade se torna mais premente, razão pela qual adiar a adjudicação, seja por concurso, seja por ajuste directo, resulta num preço mais elevado.
Ocorre, naturalmente, que o valor máximo aceite pelo Estado português ou estará desfazado da realidade do mercado, sendo irrealista, mesmo que numa tentativa de melhor defender o interesse nacional, ou que as empresas, sabendo da escassez de meios, optem por uma estratégia concertada, forçando os preços a subir enquanto a urgência pressiona os governos dos vários Estados que necessitam destes recursos.
quinta-feira, outubro 19, 2017
Quase 216.00 hectares ardidos até ao final de Setembro - 4ª parte
Naturalmente, omitem-se as grandes causas estruturais, aquelas que culpam sucessivos poderes centrais e locais pelo estado a que extensas áreas do Interior se encontram, empobrecidas, desertificadas, desordenadas, num estado de abandono que impossibilita qualquer defesa eficaz contra os incêndios, tornando-as pasto de chamas.
O impacto destas vertentes, para as quais de pouco adianta responsabilizar a protecção civil nos seuus vários níveis, os comandos operacionais ou o SIRESP, acaba por se perder em relatórios sectoriais ou parciais, sendo esquecidos entre culpas difusas que ninguém quer objectivar, sob o risco de lhe serem pedidas contas pelos papeis ou cargos que, quase certamente, terá desempenhado no passado e pelas más opções então tomadas.
Só assim se justifica a constante argumentação contra o SIRESP, que opera de acordo com as especificações aprovada por muitos dos que hoje o responsabilizam por sucessivas falhas, ou a demissão do comandante operacional nacional, esquecendo quem o nomeou, bem como a grande parte da estrutura hierárquica da ANPC, igualmente acusada de graves falhas no terreno.
Aqueles que, ao longo de anos, perseguindo interesses inconfessáveis, criaram os cenários e posicionaram os protagonistas desta triste peça e agora alegam que este não era o enredo que constava do guião, continuam impunes, muitos deles preparando novos enredos, cujo desenrolar, diz-nos a experiência, nada terão a ver com o anunciado por tão lamentáveis autores.
O impacto destas vertentes, para as quais de pouco adianta responsabilizar a protecção civil nos seuus vários níveis, os comandos operacionais ou o SIRESP, acaba por se perder em relatórios sectoriais ou parciais, sendo esquecidos entre culpas difusas que ninguém quer objectivar, sob o risco de lhe serem pedidas contas pelos papeis ou cargos que, quase certamente, terá desempenhado no passado e pelas más opções então tomadas.
Só assim se justifica a constante argumentação contra o SIRESP, que opera de acordo com as especificações aprovada por muitos dos que hoje o responsabilizam por sucessivas falhas, ou a demissão do comandante operacional nacional, esquecendo quem o nomeou, bem como a grande parte da estrutura hierárquica da ANPC, igualmente acusada de graves falhas no terreno.
Aqueles que, ao longo de anos, perseguindo interesses inconfessáveis, criaram os cenários e posicionaram os protagonistas desta triste peça e agora alegam que este não era o enredo que constava do guião, continuam impunes, muitos deles preparando novos enredos, cujo desenrolar, diz-nos a experiência, nada terão a ver com o anunciado por tão lamentáveis autores.
terça-feira, outubro 17, 2017
Apresentado o relatório sobre a tragédia de Pedrogão Grande - 2ª parte
Segundo o relatório, este incêndio terá sido causado por "descargas elétricas mediadas pele rede de distribuição", enquanto o incêndio de Góis, o oitavo maior desde que há registos, teria sido causado por um raio, portanto não apontando para mão criminosa em nenhuma destas ocorrências.
É estabelecido que não foi efectuado um alerta precoce, nem se mobilizaram totalmente os meios, o que permitiu que, em tempo muito quente, o incêndio tivesse condições muito favoráveis à sua propagação e dificilmente podia ser detido, sendo óbvio que na ANPC não existia a capacidade técnica e científica, a nível de analistas de incêndios e de meteorologistas especializados para agir com a rapidez e eficácia necessária.
A má avaliação da situação determinou a não activação de meios aéreos, entre eles um helicóptero que estava disponível e estacionado em Pampilhosa da Serra e o helicóptero estacionado no Centro de Meios Aéreos de Pombal, bem como de outros meios terrestres que podiam ter sido enviados para o teatro de operações, o que terá permitido que o incêndio atingisse rapidamente proporções que se revelaram catastróficas.
Para a comissão, "a prontidão do sistema de defesa da floresta contra incêndios", revelou "a incapacidade em reconhecer e/ou responder atempada e adequadamente às condições meteorológicas que seriam enfrentadas, ao longo do dia 17, está na génese da tragédia" de Pedrógão Grande, com as responsabilidades a irem directamente para a ANPC.
É estabelecido que não foi efectuado um alerta precoce, nem se mobilizaram totalmente os meios, o que permitiu que, em tempo muito quente, o incêndio tivesse condições muito favoráveis à sua propagação e dificilmente podia ser detido, sendo óbvio que na ANPC não existia a capacidade técnica e científica, a nível de analistas de incêndios e de meteorologistas especializados para agir com a rapidez e eficácia necessária.
A má avaliação da situação determinou a não activação de meios aéreos, entre eles um helicóptero que estava disponível e estacionado em Pampilhosa da Serra e o helicóptero estacionado no Centro de Meios Aéreos de Pombal, bem como de outros meios terrestres que podiam ter sido enviados para o teatro de operações, o que terá permitido que o incêndio atingisse rapidamente proporções que se revelaram catastróficas.
Para a comissão, "a prontidão do sistema de defesa da floresta contra incêndios", revelou "a incapacidade em reconhecer e/ou responder atempada e adequadamente às condições meteorológicas que seriam enfrentadas, ao longo do dia 17, está na génese da tragédia" de Pedrógão Grande, com as responsabilidades a irem directamente para a ANPC.
segunda-feira, outubro 16, 2017
Quase 216.00 hectares ardidos até ao final de Setembro - 3ª parte
Acrescerão, ainda, as consequências da redução dos dispositivo ocorrida no termo da "Fase Charlie", feita sem ter em atenção o aumento da secura dos solos e as temperaturas elevadas que se continuam a verificar, bem como a cada vez menor disponibilidade de voluntários, cada vez mais condicionados por deveres laborais, que se faz sentir sobretudo nos dias úteis.
A reactivação de 72 dos 236 postos de vigía, guarnecidos pela Guarda Nacional Republicana, e o alargamento do contrato de alguns meios aéreos, ficando disponíveis dois aviões pesados, dois aviões médios e oito helicópteros médios em regime de contrato, que reforçam os meios do Estado, que incluem três helicópteros ligeiros e três pesados, bem como algumas esparsas tentativas de, sem custos, reforçar os efectivos do dispositivo, confirmam o que muitos já tinham considerado uma flagrante falta de meios no combate contra os grandes incêndios que continuam a ocorrer.
É de realçar que o dispositivo que combateu os incêndios no início de Outubro é composto por efectivos insuficientes e cada vez mais desgastados, patente nos acidentes que, intuitivamente, são mais normais quando o cansaço é excessivo, confirma o caos vigente e as más opções na gestão do sistema de defesa contra incêndios.
É o próprio governo a reconhecer que "não terá acautelado os meios de vigilância, deteção e combate necessários ao quadro meteorológico dos últimos dias, propício à propagação de incêndios florestais", mas, mesmo face a uma admissão do óbvio, faltam as consequências que devem ser inerentes ao exercício de qualquer cargo de responsabilidade, seja a nível político, seja a nível operacional, abundando, em contrapartida, as menções à criminalidade ou incendiarismo com que, aparentemente, tudo de pode justificar.
A reactivação de 72 dos 236 postos de vigía, guarnecidos pela Guarda Nacional Republicana, e o alargamento do contrato de alguns meios aéreos, ficando disponíveis dois aviões pesados, dois aviões médios e oito helicópteros médios em regime de contrato, que reforçam os meios do Estado, que incluem três helicópteros ligeiros e três pesados, bem como algumas esparsas tentativas de, sem custos, reforçar os efectivos do dispositivo, confirmam o que muitos já tinham considerado uma flagrante falta de meios no combate contra os grandes incêndios que continuam a ocorrer.
É de realçar que o dispositivo que combateu os incêndios no início de Outubro é composto por efectivos insuficientes e cada vez mais desgastados, patente nos acidentes que, intuitivamente, são mais normais quando o cansaço é excessivo, confirma o caos vigente e as más opções na gestão do sistema de defesa contra incêndios.
É o próprio governo a reconhecer que "não terá acautelado os meios de vigilância, deteção e combate necessários ao quadro meteorológico dos últimos dias, propício à propagação de incêndios florestais", mas, mesmo face a uma admissão do óbvio, faltam as consequências que devem ser inerentes ao exercício de qualquer cargo de responsabilidade, seja a nível político, seja a nível operacional, abundando, em contrapartida, as menções à criminalidade ou incendiarismo com que, aparentemente, tudo de pode justificar.
quarta-feira, outubro 11, 2017
Quase 216.00 hectares ardidos até ao final de Setembro - 2ª parte
A área ardida até ao final de Setembro representa mais 174% de área ardida face à média dos últimos anos para o mesmo período, mas registaram-se menos 10% de ocorrências, pelo que cada ocorrência, em média, representa uma área ardida quase dupla face à média, algo que justifica uma reflexão e, naturalmente, a adopção de medidas.
Um menor número de ocorrências e um muito maior número de área ardida não tem apenas um significado estatístico, mas depende sobretudo da forma de distribuição em termos de áreas, sendo certo de que mesmo um número percentualmente muito reduzido de ocorrências correspondente a grandes incêndios altera por inteiro uma perspectiva baseada nos números, onde falta a correspondente análise.
Manifestamente, foram os grandes incêndios, alguns dos quais se prolongaram por vários dias o factor de peso no total da área ardida, contribuindo com quase 90% para o total, e é nas óbvias dificuldades em controlá-los, gerindo uma situação complexa e que envolve efectivos e meios substanciais que nos devemos centrar, secundarizando as ocorrências de menores dimensões onde não se colocam os mesmos problemas a nível de comando, coordenação e logística.
Contribuindo para o sucedido temos, sobretudo, críticas ou queixas quanto à capacidade de coordenação por parte da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), a alguns comandos distritais em termos da sua competência e capacidade efectiva para cumprir a sua função e ao SIRESP, cujas falhas pontuaram este Verão, e cuja óbvia responsabilidade parece ampliada como forma de justificar as culpas de terceiros.
Um menor número de ocorrências e um muito maior número de área ardida não tem apenas um significado estatístico, mas depende sobretudo da forma de distribuição em termos de áreas, sendo certo de que mesmo um número percentualmente muito reduzido de ocorrências correspondente a grandes incêndios altera por inteiro uma perspectiva baseada nos números, onde falta a correspondente análise.
Manifestamente, foram os grandes incêndios, alguns dos quais se prolongaram por vários dias o factor de peso no total da área ardida, contribuindo com quase 90% para o total, e é nas óbvias dificuldades em controlá-los, gerindo uma situação complexa e que envolve efectivos e meios substanciais que nos devemos centrar, secundarizando as ocorrências de menores dimensões onde não se colocam os mesmos problemas a nível de comando, coordenação e logística.
Contribuindo para o sucedido temos, sobretudo, críticas ou queixas quanto à capacidade de coordenação por parte da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), a alguns comandos distritais em termos da sua competência e capacidade efectiva para cumprir a sua função e ao SIRESP, cujas falhas pontuaram este Verão, e cuja óbvia responsabilidade parece ampliada como forma de justificar as culpas de terceiros.
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