terça-feira, março 27, 2018

Comissão independente apresenta relatório sobre incêndios de Outubro - 3ª parte

São apontada falhas sobretudo a nível de coordenação e comando, com responsabilidades a serem imputadas à ANPC, a nível nacional e distrital, sendo destacada a subsituição de comandantes poucos meses antes do início da época mais crítica dos fogos, mas também no respeitante aos sistemas de comunicações e à falta de operacionalidade destes, sobretudo devido à falta de redundância.

A EDP-Distribuição recusou qualquer responsabilidade nos fogos, contrariando o relatório que aponta como origem de o fogo da Lousã, que alastrou a outros concelhos, o contacto entre linhas eléctricas e árvores, por falta de limpeza, com a empresa a disponibilizar os relatórios dos sistemas de monitorização onde esta possibilidade é negada, recusando qualquer tipo de negligência ou falta de cumprimento de regulamentos ou a nível contratual ou legal.

Também a excepcionalidade da situação, incluindo o fogo piroconvectivo, onde a velocidade do mesmo ultrapassa a do vento, num fenómeno natural que terá tido a maior amplitude a nível europeu em Portugal, durante este fim de semana, é detalhada, reforçando a ideia de que mesmo uma defesa adequada seria extremamente difícil e o sucesso improvável.

Mesmo admitindo que o combate seria extremamente complicado, nalguns casos impossível, tal não invalida que se este tivesse sido efectuado com mais meios e uma melhor organização, os resultados seriam melhores, minimizando a perda de vidas humanas e a destruição de bens materiais e aqui a recusa dos meios adicionais solicitados pela ANPC por parte do Governo merece especial censura.

segunda-feira, março 26, 2018

Comissão independente apresenta relatório sobre incêndios de Outubro - 2ª parte

Esta flagrante falta de comunicação por parte da ANPC revelou-se trágica, não se tendo verificado alertas para as populações, nem sequer a adopção de medidas que antecipassem o sucedido, como pré-posicionamento de meios ou pré-supressão, sendo certo que os meios disponibilizados e o esforço realizado durante um Verão particularmente complexo, tinham enfraquecido o dispositivo, parcialmente desmobilizado antes dos incêndios de Outubro.

Também o Governo, ao recusar um conjunto de meios de reforço, é critícado neste relatório, em parte por ter desmobilizado um vasto conjunto de meios no termo da "Fase Charlie", sem ter em conta as previsões existentes, mas também por ter recusado pedidos de meios que estivessem disponíveis num período de muito alto risco.

A ANPC solicitou de uma vez 6 aviões médios, de outra 4 helicópteros, sem qualquer resposta, e pediu um total de 105 equipas de combate a incêndios florestais, tendo sido autorizadas apenas 50, tendo a falta de meios aéreos sido particularmente relevante a partir do nascer do Sol de dia 16, altura em que a necessidade de conter as chamas através de uma acção musculada era absolutamente essencial.

A falta de aviso às populações, e é de recordar que houve quem morresse na própria casa, possivelmente sem se aperceber da aproximação do fogo, também foi criticada severamente criticada no relatório, tal como a não utilização dos meios policiais nesta acção que poderia ter evitado a perda de vidas humanas, mesmo que perdendo-se os bens.

domingo, março 25, 2018

Opera 52 estável já disponível

Já pode ser descarregada a versão 52 do popular "browser" Opera, estando disponível na compilação 52.0.2871.30, podendo ser actualizada a versão corrente acedendo ao menu "About Opera", no caso da versão instalada em língua inglesa, sendo todo o processo de actualização para a nova versão completamente automático e ficando pronta para utilização após relançar o programa.

O sistema de bloqueio de anúncios foi melhorado, ficando substancialmente mais rápido e mantendo o bloqueio de exploração de criptomoedas, a possibilidade de fechar "tabs" foi facilitada, recorrendo à tecla "Alt" para marcação e novas animações são as novidades mais visíveis, sendo que o essencial tem a ver com a estabilidade do "browser".

Naturalmente foram corrigidos diversos erros sentidos em versões anteriores e melhorado o desempenho, podendo a lista completa de modificações ser consultada no "site" do Opera, onde aqueles que sentiram algum tipo de dificuldade ou problema podem ver se foram efectuadas modificações que venham a corrigir as falhas que estiveram na origem dos sintomas.

Tipicamente, a versão estável encontra-se um passo abaixo da "Beta" e dois abaixo da "Developer", pelo que, no caso da 52, será de esperar que exista uma 53 em fase "Beta" e uma 54 em desenvolvimento, ambas destinadas a utilizadores que pretendem conhecer o futuro deste propular navegador e que apenas deve ser utilizado para testes, sendo de evitar, salvo em caso de necessidade estrita, a sua utilização em equipamentos de trabalho.

sábado, março 24, 2018

Versão 5.2 do Google Camera já disponível

Já está disponível a versão 5.2 do Google Camera, incluindo diversas novidades, incluindo a nível de rearranjo, e mais funcionalidades, podendo ser instalada num vasto conjunto de dispositivos "Android" e não apenas nos modelos do próprio Google para os quais esta aplicações foi originalmente desenvolvida.

Destaca-se a reorganização das definições, que passam a ter ícones associados e se encontram agrupadas de forma mais lógica e intuitiva, o toque duplo, anteriormente de acesso exclusivo à focagem, passa a ser mais abrangente e contextualizado, facilitando o acesso rápido a funções primordiais, como a alternância entre camâra dianteira e traseira.

Desaparece a anterior grelha no écran, com as configurações a passarem para os ménus, está disponível uma nova opção de lentes sujas, que alertam para a necessidade da respectiva limpeza, com a aplicação a ficar mais fluída, a que acresce um melhor desempenho e estabilidade, resultante da sua reprogramação.

O Google Camera é, indiscutivelmente, uma das melhores aplicações para fotografia, tendo evoluido constantemente, e sendo a opção de muitos utilizadores, como substituto da aplicação nativa, pré-carregada nos equipamentos "Android", e que, manifestamente, é inferior em termos de qualidade e funcionalidades.

sexta-feira, março 23, 2018

Comissão independente apresenta relatório sobre incêndios de Outubro - 1ª parte

O relatório da comissão independente sobre os incêndios de Outubro, embora reconhecendo que se viveram situações complexas e fenómenos raros, considera que não foram adoptadas as medidas preventivas adequadas a minimizar os efeitos dos incêndios que, acontecendo, teriam um efeito devastador.

Não sendo possível, obviamente, prever a existência de fogos, foi prevista pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) um conjunto de condições atmosféricas e ambientais que potenciavam especialmente a sua propagação, tendo a informaão sido passada à Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) para que adoptasse as medidas consideradas necessárias.

Não obstante o mês de Outubro não ser, tipicamente, o mais perigoso, uma combinação de factores meteorológicos, mas também comportamentais, apontava para que o fim de semana de 15 e 16 fosse aquele em que o nível de risco era maior, pelo que foram emitidos os devidos alertas por parte do IPMA.

A ANPC, não obstante a informação do IGMA de uma previsão particularmente severa, mas não a transmitiu, anunciando que podia haver períodos de chuva, o que, naturalmente diminuiria em muito a possibilidade de incêndios e, entrando-se na 2ª quinzena de Outubro, altura em que as queimadas são mais frequentes, a ocorrência destas seria quase inevitável.

quinta-feira, março 22, 2018

Omitidos 150.000 hectares de área ardida dos dados oficiais - 2ª parte

Independentemente da legislação em vigor, e que pode omitir áreas ardidas em função do fim a que se destinam, o total da devastação causada pelos fogos de 2017 deve ser pública e resultar de dados oficiais a nível nacional e não daqueles que são fornecidos pelas instâncias europeias, os quais muito mais dificilmente chegarão ao público, o que pode indiciar uma opção pela falta de transparência, já que o legislador coincide, em termos de interesses, com o executivo.

Refugiando-se na provisoriedade dos dados, e é de notar que já decorreram perto de 5 meses desde os grandes incêndios de Outubro de 2017, o facto objectivo é que a informação definitiva, e que se deve aproximar daquela que o EFFIS revela, não foi confirmada pelo Governo português, sendo manifesto que não existem dificuldades técnicas, patentes na relativa precisão referente aos dados sobre área florestal ardida que já foram revelados pelo ICNF.

Avaliar em 420.000 hectares a área ardida corresponde a uma diminuição que se aproxima dos 30% relativamente ao seu total, caso seja incluída toda a extensão, seja florestal ou não, camuflando números já por sí trágicos, numa manobra de desresponsabilização que tenta esconder a real dimensão da catástrofe vivida no ano passado, recorrendo a dados parciais e omitindo uma importante parcela, cujo prejuízo é enorme.

Para o cidadão comum, quando são publicados dados do ICNF ou se fala de "área florestal ardida", o facto de não estarem incluídas outras áreas, passa desapercebido, sobretudo face à persistente expressão "incêndio florestal", do que resulta uma óbvia associação de ideias, pelo que, não sendo tecnicamente incorrecto, aliado à omissão de outros dados, estamos diante da indução em erro, o que, de acordo com algumas definições, é uma forma de mentira.

quarta-feira, março 21, 2018

Mesmo número de aeronaves, menor capacidade operacional - 3ª parte

Com base em notícias publicadas, não excluimos a possibilidade de haver algum tipo de cartelização, ou acordos que estabeleçam preços mínimos, entre alguns operadores deste mercado tão específico, e, caso tal se verifique, necessita de ser devidamente investigado, algo que sabemos ser complexo tratando-se de empresas que têm base em distintos países e operam internacionalmente, mas tal não invalida que se tenha que assumir a existência de boa fé e proceder a uma negociação realista, deixando outras questões para a entidade judicial competente.

Este processo teve erros, patentes no facto de apenas o aluguer de 10 helicópteros ligeiros, de entre um total de 50 aeronaves, ter sido adjudicado num primeiro concurso e no lançamento tardio de um segundo processo, podendo terminar com os sempre lamentáveis ajustes directos, normalmente pouco claros e dispendiosos, bem como na impossibilidade de dispor do número de meios considerados como adequados para integrar o dispositivo para 2018.

Depois da devastação do ano passado, tendo em conta o histórico e os ciclos da Natureza, será de esperar que o ano de 2018 seja bastante mais tranquilo, com as extensas áreas ardidas a servirem de obstáculo contra o progresso das chamas e o maior estado de alerta das populações, bem como as medidas preventivas adoptadas, a, quase certamente, terem peso na contenção dos incêndios.

Por outro lado, mesmo que previsivelmente este seja um Verão comparativamente tranquilo, a tolerância face a qualquer tipo de desastre é nula, com as tragédias ocorridas em 2017 ainda demasiado presentes e muitos dos danos causados por recuperar, quais testemunhas de um dos maiores desastres que ocorreram em território nacional, de onde foram extraídas muito poucos ensinamentos, patentes nas escassas alterações já efectuadas.

terça-feira, março 20, 2018

Omitidos 150.000 hectares de área ardida dos dados oficiais - 1ª parte

Uma óbvia divergência entre os dados fornecidos pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, (ICNF) e o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS), sob a tutela da Comissão Europeia e que recorre a imagens provenientes de satélite diminuiu a área ardida em 2017 em perto de 150.000 hectares.

A área florestal ardida, segundo os dados provisórios do ICNF, rondará os 422.000 hectares, enquanto os dados do EFFIS apontam para perto de 570.000, incluindo aqui a área agrícola queimada, essencial para determinar o total queimado durante o ano passado e que, obviamente, tem que ser incluído nos dados oficiais.

É de notar que para o EFFIS a área florestal queimada, estimada em 456.000 hectares, se aproxima, embora exceda, a calculada pelo ICNF, sendo neste tipo de avaliação considerada como aceitável uma margem de erro de 10%, o que demonstra que os distintos sistemas de avaliação se aproximam, confirmando os dados reciprocamente.

O Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural confirmou os números do ICNF, baseando-se na Lei 76/2017, segundo a qual apenas contavam as áreas florestais, mas adiantou que os dados seriam revistos, incluindo a totalidade da área ardida, incluindo aquela que é destinada a agricultura, mas o facto é que os dados oficiais publicados continuam sem a incluir.

segunda-feira, março 19, 2018

Mesmo número de aeronaves, menor capacidade operacional - 2ª parte

Desta forma, o preço a pagar pelos 27 helicópteros ligeiros e pelos dois aviões destinados a coordenação pode ser superior, como resultado do menor valor de outro lote, na esperança de que desta vez haja resposta para este conjunto de meios que, no primeiro concurso, não se revelou suficientemente atrativo para ter propostas por parte de eventuais forncedores do serviço.

O Governo espera, portanto, manter as mesmas 50 aeronaves, substituindo alguns tipos por outros, diminuindo o total de horas de voo e a disponibilidade de meios, como forma de manter respeitar o orçamento inicialmente previsto, o que representa comprar menos com o mesmo, uma opção alternativa a comprar o pretendido com maior dispêndio de verbas.

Com prazos muito apertados, dado que o concurso deve estar finalizado durante o mês de Abril e os meios estarem disponíveis a 15 de Maio, e como resultado da crescente escassez de meios disponíveis para alugar, o irrealismo do primeiro caderno de encargos terá como consequências o lançamento de um segundo concurso tardiamente, com os preços inflacionados pela menor disponibilidade e pela pressão do tempo, sendo de prever que o resultado seja pouco compensador.

Em termos negociais, num mercado muito específico, um atraso no lançamento de um concurso, ou a falta de realismo do caderno de encargos, tende a pagar-se caro quando, face à progressivamente maior escassez de meios e à premência de uma adjudicação, a posição negocial do prestador de um serviço escasso se vai reforçando ao longo do tempo, enquanto a do interessado vai perdendo força, podendo, no limite, não conseguir concretizar o negócio.

domingo, março 18, 2018

Caixas militares suiças

Uma alternativa militar que pode substituir as "Wolf box", ou similares, é a caixa em plástico resistente, igualmente empilhável, utilizada pelo Exército Suiço e que se pode encontrar em vendedores de excedentes militares baseados na Alemanha, onde podem ser encontrados muitos outros produtos de interesse.

As dimensões externas são de 590 x 400 x 270 centímetros e as interiores de 560 x 360 x 260, o que significa que se perde relativamente pouco espaço com as paredes da caixa e da respectiva tampa, sendo maiores que as "Wolf box", que, com dimensões externas de 510 x 400 x 230 milímetros e internas de 450 x 340 x 205 milímetros, possuem uma capacidade de carga substancialmente inferior.

Estas caixas são muito diferentes das "Wolf box" no respeitante à tampa, que é menos resistente e não possui sistema para fecho, nas pegas, colocadas nas faces laterais de maiores dimensões e com passagem para o interior, tendo como principal vantagem a capacidade interior, de aproximadamente 52.4 litros contra 31.3, o que corresponde a um aumento de perto de 40%.

Uma destas caixas em excelente estado, aparentemente nova, mas que pode ter marcas de um período prolongado de armazenamento, tem um preço unitário de 14.50 Euros, menos de metade de uma "Wolf box", a que acrescem portes que podem começar nos 18.99 Euros para uma unidade, mas a que acresce apenas 1 Euro para cada caixa extra, o que justifica uma encomenda conjunta.