Um Eurocopter AS350 B3 num voo de teste
A Empresa de Meios Aéreos (EMA) já solicitou informações junto da fábrica francesa, mas a lista de espera para este modelo impede uma substituição rápida do Ecureil.
O conselho de administração da EMA já se reuniu para analisar o acidente de que resultou a perda do aparelho, mas continua a remeter esclarecimentos relativamente ao sucedido para os inquéritos em curso por parte Instituto Nacional de Aviação Civil e da Inspecção-Geral da Administração Interna.
Entre as dúvidas surgem questões relativas à formação do piloto, o número de horas de voo efectuadas com este aparelho, o treino específico para este tipo de missões e todas as outras variáveis que são essenciais para apurar responsabilidades e para poder accionar os seguros.
Tal como mencionamos, na altura foram alugados dois meios aéreos, ficando os dois dos helicópteros da EMA alocados a eventuais "situações de emergência" no âmbito das atribuições do Ministério da Administração Interna (MAI), enquanto o terceiro está "em manutenção programada".
Devemos confessar que a coincidência de uma "em manutenção programada" pareceu algo estranha, sobretudo se tivermos em atenção as datas e o historial destes aparelhos, pelo que mais parece uma forma de retirar de serviço um helicóptero que não se quer ver a operar.
Em Janeiro, de acordo com o previsto, o efectivo operacional da EMA aumentará com a inclusão dos Kamov, que após a aceitação deverão ser devidamente registados, segurados e declarados como aeronaves de Estado, após o que se seguirá a formação dos pilotos em áreas específicas relacionadas com as missões a desempenhar.
Após um início de actividade desastroso, com a perda de um aparelho e a morte de um piloto, que se segue a uma série de polémicas que vêm desde a altura da sua criação, a EMA pode também ver-se privada de qualquer vertente comercial, alocando ao MAI meios que seriam úteis noutro tipo de missão e assim se vêm imobilizados.
A ideia que nasce desta alocação de meios e de uma "manutenção programada" é a de tirar do ar os helicópteros da EMA, evitando novos acidentes, mas duplicando custos com o aluguer de meios de combate aos fogos quando estes deveriam ser da responsabilidade dos meios adquiridos pelo Estado.
Mas o que é certamente mais grave é que, com mais ou menos custos, todos os helicópteros se podem substituir, mas o mesmo não acontece com as vidas humanas que se perdem e para as quais é necessário que se faça justiça.
É importante que este acidente, tal como o de outros profissionais que perderam a vida em missões relacionadas com a segurança ou o socorro, não sejam esquecidos e que os relatórios sejam divulgados com o máximo de brevidade sem escamotear o que realmente sucedeu.
Diz o povo português, na sua infinita e tantas vezes menosprezada sabedoria, que "o que nasce torto tarde ou nunca se endireita", sendo que este ditado parece aplicar-se com especial propriedade ao início de actividade da EMA e, sobretudo, ao actual titular do MAI, que esperamos seja substituido numa eventual remodelação governamental.
Olá.
ResponderEliminarEssa do obstáculo há certeza? Não foi uma rajada de vento que "desequilibrou" o heli?
É normal haver "manutenção programada" em aeronaves. Esta depende da máquina, da sua utilização, período de tempo da última inspecção, problemas detectados pelo piloto que levam a adiantar a manutenção "preventiva", e do ambiente que a aeronave opera que pode degradar muito o estado da aeronave.
Lembro-me que um heli MD520 depois de uma missão de combate a incêndios, juntamente com transporte de uma pequena brigada de bombeiros (um abraço aos Bombeiros do Sardoal), teve que ter uma "manutenção inopinada" para retirar as folhas, galhos, pó e cinza que se tinha alojado no filtro de ar para a turbina (provavelmente foi substituído).
Muita coisa pode acontecer e um heli não é o nosso veículo que só vai à inspecção de 4 em 4 anos.
A formação dos pilotos dos Kamov já está a decorrer há bastante tempo.
Não creio que há-de haver qq vertente comercial da EMA como já te disse, que ao qual têns uma opinião em contrário.
Quanto ao "nasce torto, tarde ou nunca se endireita", desafio-te a apresentares um modelo organizacional/operacional mais ajustado para a EMA.
Há manutenções mais programadas do que outras e alguma são-o por conveniencia.
ResponderEliminarEm relação à EMA já disse o que tinha a dizer, basta ler os textos anteriores.
É uma estrutura empresarial inútil que gere algo que pode ser feito por um simples departamento do MAI ou da ANPC com menores custos e sem viciar as contas do Estado.
É fácil de ver que a EMA não apresenta benefícios de gestão e que serve para desorçamentar o MAI, algo que parece ser a política actual do Governo que vai privatizando ou fazendo EP's para disfarçar as contas e diminuir o défice das contas públicas.
Qualquer dia temos a PSP-EP ou a Força Aérea SA.
Bem, do meu partido até "compro" essa ideia. Parece-me que o PSD já está à venda com o actual rumo das coisas.
ResponderEliminarO passo seguinte é ser cotado na bolsa, ter um chairman e um CEO e acionistas em vez de militantes.
ResponderEliminarMesmo que não ganhe eleições, se der dividendos, até que pode ser uma opção a ter em conta.
Vai pensando nisso, porque a política ainda deve ter facetas a explorar.
Um abraço