segunda-feira, fevereiro 09, 2026

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Velhas soluções para um novo normal climático - 2ª parte

A falta de ordenamento do território, sendo patente a inexistência de uma visão estratégica, de conjunto, que tem vindo a transformar um País, já de sí algo estreito, numa muito mais estreita faixa junto do Litoral, onde se acumulam residentes e respectivas habitações, bem como as instalações necessárias às várias actividades, aumenta exponencialmente a vulnerabilidade estas zonas, desprotegidas contra eventos extremos.

Durante anos, temos comentado esta questão, sobretudo na perspectiva dos incêndios florestais, que assolam o País a cada Verão, sendo objectivo que a desestruturação do território nacional, com a desertificação do Interior, a fuga contínua de residentes para o Litoral e sua ocupação cada vez mais intensiva, tem consequências graves em toda a extensão do território.

Se no Interior, onde a população envelhece e escasseia, os problemas são óbvios, e a incapacidade para responder a situações extremas resulta da incapacidade dos residentes para os enfrentar, facto patente quando ocorrem incêndios, no Litoral, cada vez maios populoso e ocupado, surgem outro tipo de vulnerabilidades, em parte como resultado desta ocupação excessiva.

A necessidade de novos espaços residenciais, e de todas as restantes estruturas urbanas, implica a destruição de áreas rurais e a sucessiva impermeabilização dos solos, perdendo-se barreiras naturais de contenção contra fenómenos naturais e aumentando a vulnerabilidade do edificado, sobretudo quando construído em zonas baixas ou, no limite, em leitos de cheias, situação cada vez mais comum quando o espaço escasseia.

domingo, fevereiro 08, 2026

Opera 127 final já disponível

A versão 127 final do Opera, o navegador que temos utilizado durante os últimos anos, já pode ser descarregada, reportando a compilação 127.0.5778.14, baseada no Chromium 143.0.7499.194 ou posterior, vindo consolidar as várias mudanças intermédias, resultantes da actualização para a versão R3.

É de notar que ainda dentro da versão 126 foi efectuada uma actualização muito substancial, passando o Opera para a R3, com a inclusão de numerosas novas funcionalidades e de uma muito maior implementação de recursos de inteligência artificial, baseados no Aria, pelo que a passagem para uma nova numeração, típica quando as alterações são de monta, era expectável.

A versão 127 vem, essencialmente, solidificar as funcionalidades presentes no R3, e que foram descritas em detalhes em textos anteriores, com ênfase para o "écran dividido" agora melhorado, para a inteligência artificial, para uma maior integração dos serviços do Google e para novos écrans, estando presentes diversas correcções e melhoramentos funcionais.

Do "changelog" consta a lista das correcções e melhoramentos introduzidos, que tendem a ser mais relevantes quando as modificações introduzidas são de maior monta, e que permite aos utilizadores verificar se algum problema com que, eventualmente, se tenham deparado, terá sido corrigido, sendo, naturalmente, de proceder a esta actualização assim que possível.

sábado, fevereiro 07, 2026

Velhas soluções para um novo normal climático - 1ª parte

Ao longo destes dias, o País deparou-se com uma situação inédita, surpreendido por uma sequência de eventos naturais de grande intensidade, começando pelos ventos fortes, com rajadas a ultrapassar os 200 km/h, destruindo muito à sua passsagem, e passando às chuvas persistentes das quais resultaram cheias em boa parte do território nacional.

Apesar os avisos meteorológicos, e quase todos recebemos um alerta, via SMS, por parte da Protecção Civil, parece que a gravidade da situação que se anunciava foi minimizada, seja pelo conteúdo da mensagem, muito idêntica à de previsões de menor gravidade, seja porque, à posteriori, a devastação causada era quase inacreditável, com as próprias autoridades a demorar a perceber a extensão dos danos.

Se a resposta local foi rápida, através das corporações de bombeiros, entidades policiais e de um vasto conjunto de voluntários, o Estado agiu com maior lentidão, inicialmente incapaz de assimilar a gravidade do sucedido, e, seguidamente, aparentando não existirem planos de resposta para uma devastação desta dimensão, dando a entender que, de início, reinou o improviso, sem uma coordenação centralizada efectiva.

Infelizmente, este tipo de fenómeno natural não é evitável, é impossível lutar contra este tipo situação extrema, mas pode-se preparar o cenário, de modo a minimizar os impactos e desenvolver planos adequados, a nível de prevenção e das acções mitigadoras, corrigindo muitos dos erros que potenciam as consequências e colocam em perigo as populações e os seus bens.

sexta-feira, fevereiro 06, 2026

Restrições em vez de meros alertas - 3ª parte

Quando se pede para evitar "deslocações desnecessárias", continua-se a pemitir, e, no fundo, a exigir, que a grande maioria das deslocações, efectuadas para os locais das actividades habituais, como as laborais ou escolares, sejam obrigatoriamente efectuadas, já que não existe um justificativo que permita uma falta da qual não possa decorrer uma sanção.

Naturalmente, este tipo de limitações tem um impacto económico, sendo certo que vai have prejuízos para a economia, mas a qualidade da informação actualmente disponível permite estabelecer, antecipadamente, onde as restrições devem ser aplicadas e em que extensão, evitando que abarquem, de forma uniforme e indiferenciada, todo o território nacional, onde se vivem distintas realidades.

No entanto, tendo em conta o impacto do mau tempo e o período necessário a recuperar todos os serviços interrompidos, em muitos casos a arriscada deslocação para os locais de trabalho terá sido inútil, por não existirem condições para desenvolver qualquer actividade, do que decorre que foram corridos riscos, nalguns casos particularmente graves, sem que disso pudesse resultar qualquer efeito positivo.

Centramo-nos, sobretudo, nos efeitos do vento forte, mas existem danos resultantes de inundações ou da agitação marítima, sendo de prever que, sobretudo no respeitante às inundações, o problema possa agravar-se, face à previsão de chuva para os próximos dias, o que devia implicar, desde já, a adopção de medidas preventivas e uma gestão muito rigorosa de barragens e albufeiras.

quinta-feira, fevereiro 05, 2026

A normalização da morte por frio - 3ª parte

Mesmo durante uma campanha eleitoral, com todas as tragédias que ocorrem no Mundo, este número de mortes não pode escapar, entre o minimizar e a quase omissão de uma nota de rodapé, entre as notícias de um qualquer telejornal, como se esta fosse uma inevitabilidade que, como qualquer triste destino, não pode ser combatido, restando, tão somente, chorar brevemente os mortos.

Aliás, até agora, não escutamos da parte de nenhum candidato presidencial, ou de quem mais directamente os apoia, uma palavra quanto à especificidade deste problema, muitas vezes abordado de forma algo dispersa, entre questões gerais de saúde ou de habitação, mas sem ir directamente a um problema conhecido, mas que todos tentam evitar, eventualmente por ter pouco a propor, sabendo que este problema não se resolve com as habituais generalidades, sempre inconsequentes, e que as boas ideias, com aplicação prática, escasseiam.

Em textos anteriores, apontamos para várias possíveis soluções, no sentido de mitigar o problema da pobreza energética, recorrendo a métodos simples, com custos muito acessíveis e que, não proporcionando todo o conforto a que todos têm direito, pode evitar algumas das situações mais graves e reduzir o número de vítimas mortais.

Mesmo durante uma campanha eleitoral, com todas as tragédias que ocorrem no Mundo, este número de mortes não pode escapar, entre o minimizar e a quase omissão de uma nota de rodapé, entre as notícias de um qualquer telejornal, como se esta fosse uma inevitabilidade que, como qualquer triste destino, não pode ser combatido, restando, tão somente, chorar brevemente os mortos.

quarta-feira, fevereiro 04, 2026

Tutores em vez de instrutores no ensino da condução - 2ª parte

A Associação Nacional de Escolas de Condução também já se pronunciou de forma muito negativa face a esta possível alteração, considerando-o um "retrocesso civilizacional", tal como o fez o Automóvel Clube de Portugal, que também tem a sua própria escola de condução e considerou perigosa esta opção, mesmo faltando ainda a devida regulamentação que, para manter a segurança no ensino, ou altera o essencial da proposta, ou a condiciona de tal forma que, basicamente, a torna inoperacional.

Também as seguradoras deverão ter uma palavra a dizer, sendo complexo descriminar os segurados de acordo com o tipo de ensino de cada um, mas evitando onerar quem terve uma formação convencional, que consideramos a mais adequada, e não deve ser penalizado nesta vertente, sendo certo que irá enfrentar maiores riscos durante a condução.

Obviamente, caso a sinistralidade rodoviária aumente, todos seremos penalizados, não apenas no preço dos seguros, mas também, e sobretudo, na enorme perda humana, no sofrimento dos envolvidos e de todos os que lhe são queridos, podendo surgir uma conflitualidade juridíca complexa na atribuição de responsabilidades e, no limite, no envolvimento do Governo na criação de um cenário potencialmente muito perigoso.

Num País onde a sinistralidade é elevada, em grande parte como resultante do comportamento dos condutores, seja em termos técnicos, seja por uma manifesta falta de cultura de segurança, com um parque automóvel envelhecido e estrada com escassa manutenção, esta decisão do Governo parece-nos incompreensível, completamente desligada da realidade e potencialmente perigosa.

terça-feira, fevereiro 03, 2026

Restrições em vez de meros alertas - 2ª parte

É de notar que entre as comunicações afectadas se encontram as da rede SIRESP que, mais uma vez, demonstrou as suas fragilidades, dependendo de um operador comercial para que o seu funcionamento se mantenha durante situações mais críticas, sendo que, tal como aconteceu durante o apagão e foi largamente comentado, as baterias do operador não permitem manter em funcionamento as torres de comunicações durante um período aceitável.

Seria de limitar a circulação em áreas de maior risco, por exemplo, promovendo o tele-trabalho, quando possível, suspendendo as aulas presenciais e encerrando estabelecimentos comerciais, como forma de reduzir os riscos inerentes à necessidade de deslocações que, no limite, não são críticas e podem ser evitadas, seguindo o exemplo do que se praticou durante a pandemia.

Tendo em conta que a previsão existia, seria possível estabelecer as medidas necessárias com a antecedência necessária, informando os residentes das áreas mais expostas sobre as limitações a impor e sobre como evitar deslocações, efectuando as compras com antecedência e preparando-se para o trabalho remoto, de modo a obedecer às instruções das autoridades,

Várias das vítimas, incluindo-se vítimas mortais, dirigiam-se para o trabalho ou tinham ido fazer compras, numa altura em que o alerta já vigorava e um conjunto de actividades deviam estar suspensas, pelo menos presencialmente, tornando óbvio que este tipo de deslocação não devia ter sido permitida, o que só podia suceder face a uma intervenção política mais musculada.

segunda-feira, fevereiro 02, 2026

Tutores em vez de instrutores no ensino da condução - 1ª parte

Não podemos deixar de exprimir o nosso espanto e indignação perante a intenção do Governo de permitir a substituição do actual modelo de ensino de condução por um método alternativo, onde tutores podem substituir os instrutores profissionais nas aulas práticas, aplicável às cartas de condução da categoria B, que permite conduzir veículos ligeiros.

Na actual proposta, constante do Regime Jurídico do Ensino da Condução, a formação teórica é mantida, cabendo às escolas de condução, mas a vertente prática, absolutamente essencial, pode passar a ser ministrada por tutores, um modelo previamente usado de forma complementar, não substitutiva, e presente nalguns países, caso dos Estados Unidos, onde a sinistralidade rodoviária é elevada.

Para ser tutor não é necessário nenhuma formação específica, bastando ter carta de condução da categoria B há mais de 10 anos, não ter sido condenado por nenhum crime rodoviário, nem ter cometido uma infração grave ou muito grave nos últimos 5 anos, o que, em abstacto, permite que alguém que tirou a carta há uma década e nunca mais conduziu possa ser tutor.

Naturalmente, temos que nos interrogar qual o tipo de responsabilidade do tutor durante o processo de aprendizagem, mas, no limite, nas consequências após o término desta, sendo certo que, com esta alteração, o processo de avaliação do candidato a condutor vai ser substancialmente reduzido, tornando mais fácil aprovar em exame que não esteja preparado, sobretudo na vertente comportamental.

domingo, fevereiro 01, 2026

Restrições em vez de meros alertas - 1ª parte

O mau tempo ocorrido recentemente, sobretudo no respeitante aos ventos fortes, com rajadas acima dos 100 km/h, por vezes ultrapassando os 150 km/h, veio expor as fragilidades do País e a falta de uma cultura onde a segurança seja previlegiada, permitindo-se que fossem corridos riscos que podiam ter sido evitáveis, sobretudo na deslocação para os locais de trabalho.

Apesar de haver previsões bastante precisas, e terem sido emitidos alertas, inclusivé acompanhados de um conjunto de recomendações, a intervenção das autoridades foi insuficiente, sendo de estabelecer medidas que evitem riscos, com carácter obrigatório, evitando, sobretudo, deslocações que, como se demonstra, são particularmente arriscadas nas circunstâncias que se verificaram.

Em zonas de especial risco, durante um alerta vermelho, existem riscos elevados, sobretudo durante as deslocações, pelo que seria de adoptar verdadeiras medidas preventivas, que vão para além do simples alerta, estabelecendo um conjunto de medidas que evitem perigos extremos, dos quais, tipicamente, resultam vítimas mortais.

Nas zonas mais afectadas, a distribuição de energia eléctrica foi interrompida, chegando a afectar um milhão de residentes, do que resultou a falta de água e falhas nas comunicações, o que dificulta qualquer pedido de socorro, deixando as populações particularmente vulneráveis e todos quantos circulam em zonas de perigo, numa situação de risco extremo, impossibilitados de pedir socorro em caso de acidente.