quarta-feira, julho 08, 2026

Começou o "Verão terrivel" - 3ª parte

No entanto, nada pode contrariar as causas mais estruturais, a nível de ordenamento e gestão do território, que resultam de uma falta de visão por parte de quem governa e pela aposta, que consideramos erradas, num conjunto de actividades que pode revelar-se extremamente penalizadoras e fragilizam o País como um todo, colocando em risco extensas áreas de território.

A aposta excessiva no turismo tem um impacto devastador no ordenamento do território, tal como o tem o uso excessivo de energias renováveis, sem segurança de fontes não intermitentes, ou a aceitação de enormes centros de dados, que irão consumir energia e água em quantidades que podem comprometer a segurança e o conforto das populações, sacrificadas em prol da obtenção de lucros rápidos.

As extensas áreas, algumas florestais, onde se pretende implementar paineis solares, em quantidades absurdas, representando um modelo de negócio que sacrifica tudo ao imediatismo, representa um perigo, não apenas pela aposta excessiva em energias intermitentes, mas por compromenter outras actividades económicas, expulsando residentes, empurrados para as grandes cidades, onde viverão em condições miseráveis, e facilitando o avanço das chamas, caso surja um foco de incêndio.

Desde há anos que afirmamos que não existem soluções conjunturais para problemas estruturais, e que a problemática dos fogos floretais, seja na origem, seja nas consequências, passam por uma alteração profunda a nível do ordenamento do território, o que passa por reestruturar um País que cada vez se transforma mais numa estreita faixa no Litoral, onde tudo se concentra, abandonando grande parte do território, e os seus cada vez mais escassos habitantes, à sua sorte, esquecendo que, no final, todos partilharemos o mesmo destino.

terça-feira, julho 07, 2026

Os dados perdidos das ondas de calor - 2ª parte

No caso dos números referentes à onda de calor, seja em termos de atendimentos e internamentos nos serviços de saúde públicos, seja ao nível da mortalidade, deviam estar disponíveis quase de imediato, tendo em conta o nível de informatização actual e a forma como os dados são consolidados, pelo que a sua não revelação atempada terá que ser entendida como uma opção política.

Existe o direito de cada cidadão de interpelar o Estado, requerendo informação que deve ser pública e se encontra inacessível, mas não existe prazos para que essa informação esteja disponível, pelo que, na sua inexistência, existe uma forma de contornar a legislação em vigor sem que exista responsabilização para quem recorre a este tipo de artifício, particularmente comum entre nós.

Diz-se, e é verdade, que informação é poder, tal como o é a a capacidade de a ocultar, manipular ou condicionar, e os dados de ondas de calor passadas, que deviam ser conhecidos, tal como o são noutros países europeus, continuam indisponíveis, eventualmente até ao próximo ano, altura em que todos queremos conhecer os dados de 2026 e pouca atenção daremos aos de 2025, sendo que, quando forem publicados, em vez de merecerem destaque, todos se focarão na ausência dos dados de 2026.

Obviamente, aproveitamos para chamar a atenção dos nossos leitores para os alertas emitidos pelas entidades oficiais e para agirem sempre com o máximo de prudência, sobretudo nas horas de maior calor, evitando uma exposição em excesso e evitando esforço físico, tendo sempre uma especial atenção aos mais vulneráveis, como crianças, idosos e doentes.

segunda-feira, julho 06, 2026

Buy Me a Coffee


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Começou o "Verão terrivel" - 2ª parte

É de notar que esta não é uma zona desertificada, parcialmente abandonada, é uma área que inclui povoações importantes, estabelecimentos fabris, uma rede viária relevante e tudo o que estrutura um conjunto de concelhos em termos económicos, sendo que a sua devastação pode ter efeitos similares aos ocorridos nos incêndios de Outubro de 2017.

Tendo conhecimento antecipado de um cenário que, com toda a probabilidade, iria concretizar-se, dando origem a um elevado número de ocorrências, temos que nos interrogar se o Governo adoptou as medidas preventivas adequadas, não apenas em termos de prevenção e de meios disponíveis, mas também na elaboração de uma estratégia mobilizadora, que, com a antecedência possível, minimize o risco de ocorrências, tornando o País e as populações mais resilientes.

Parece-nos que, apesar das dificuldades, o esforço de limpeza ficou aquém das possibilidades, que não houve uma real aposta na resiliência das populações, conferindo-lhes os meios, inclusivé financeiros, para melhore se protegerem, seja pela aquisição de equipamentos, seja pela contratualização de serviços, como as de limpeza dos terrenos circundantes das habitaçõe e povoações, mas também numa maior disponibilidade de meios e de logística.

A própria comunicação com as populações parece-nos ineficaz, com alertas repetitivos, que incluem conselhos vagos, ou incluem ligações para páginas complexas, onde a informação está pouco acessível e, por vezes, em formatos de consulta difícil para dispositivos móveis, do que resulta os avisos enviados serem, em muitos casos, simplesmente ignorados.

domingo, julho 05, 2026

Dia 01 de Julho começam as taxas de 3 Euros para pequenas encomendas - 2ª parte

No entanto, existe, com toda a probabilidade, um problema que se pode revelar tão ou mais grave do que o pagamento, concretamente o aumento da demora dos processos de desalfandegamento, a ocorrência de erros e um aumento de protestos e de litigância, não se escluindo a possibilidade de uma paralização nas alfândegas face ao caos gerado.

Para algumas pequenas empresas, que importam pequenos componentes para projectos, de baixo valor, mas difíceis de encontrar localmente, um caos nas fronteiras significa a suspensão da actividade, e uma subida de preços, caso tentem comprar localmente, onde, nalguns casos, os preços praticados são muita vezes superiores aos do produto importando, representa a inviabilidade do negócio.

Para os particulares, dependendo do artigo específico, dificilmente a escolha recairá num produto europeu, sendo mais provável suportarem o pagamento extra e continuarem a importar, sendo certo que, mesmo com este pequeno aumento, continuarão a poupar, independentemente da resposta dos fornecedores que, obviamente, irão fazer tudo para mitigar esta situação, mantendo os preços tão próximos quanto possível face aos originais.

Os primeiros tempos serão decisivos para se percebe qual o real impacto de uma medida que, alegadamente, visa proteger a indústria europeia, inexistente ou sem competitividade em muitos sectores, mas que, efectivamente, servirá apenas para angariar receitas, sem contribuir para qualquer tipo de estímulo económico podendo, no limite, comprometer muitos pequenos negócios que dependem da importação de pequenos acessórios e componentes.

sábado, julho 04, 2026

Começou o "Verão terrivel" - 1ª parte

Os incêndios dos últimos dias são uma antevisão do "Verão terrivel" mencionado pelo actual ministro da Administração Interna, com base na situação no terreno, em parte como consequência das tempestades do início do ano, e como reflexo de uma previsão meteorológica que aponta para várias vagas de calor e um Verão anormalmente quente.

Assim, a situação que se verifica sobretudo a partir de 5ª feira, mas com agravamento no dia de ontem, era esperada pelo próprio Governo, com todo um cenário que fazia antever a possibilidade de, já no início de Julho, podermos assistir a uma primeira grande vaga de incêndios, com toda a destruição, prejuízos e danos para a vida e saúde humana, mas também consumindo recursos que poderiam ser úteis numa fase posterior.

Esta vaga de incêndios coincidiu com o período de maior esforço e disponibilidade do dispositivo de combate aos fogos, mas, face ao número de ocorrências, o Governo optou por pedir reforços aos exterior, mesmo antes de esgotar a capacidade operacional, como forma de evitar grandes deslocações de grupos de reforço que, ao fazê-lo, desguarnecem o seu local de origem.

Para além do número de ocorrências ser elevado, a área devastada é relevante, sobretudo no incêndio iniciado em Vouzela, e que se tem propagado a diversos concelhos, com múltiplas frentes de fogo, e que, no pior dos casos, pode vir a atingir centenas de milhares de hectares, atingindo, por exemplo. Mortágua, ou ultrapassando o Caramulo.

sexta-feira, julho 03, 2026

Opera 133 final já disponível

A versão 133 final do Opera, o navegador que temos utilizado durante os últimos anos, já pode ser descarregada, reportando a compilação 133.0.5932.20, baseada no Chromium 148.0.7778.97 ou posterior, tendo poucas novidades para além da consolidação das que foram implementadas ao longo da versão 132 e com especial ênfase no Campeonato Mundial de Futebol.

Torna-se óbvio que, adicionando alguns temas novos, que versam o campeonato em curso, e destacando funcionalidades conhecidas, como a VPN, que permite ultrapassar restrições impostas nas transmissões dos jogos em alguns países, um melhor som, com capacidade de amplificação, e os novos temas, o Opera pretende ser popular entre os adeptos, complementando a sua proposta para computadores com a que oferece para dispositivos móveis.

Obviamente, usar um evento com popularidade em todo o Mundo, nalguns países mais do que noutros, é um bom argumento de marketing, e o Opera oferece um excelente desempenho na visualização de vídeos, proporcionando uma boa experiência e oferendo ferramentas para contornar obstáculos e ultrapassar falhas, pelo que este ênfase faz sentido e pode atrair um bom número de novos utilizadores, sobretudo entre os adeptos do futebol.

Observando-se o "changelog", podem-se encontrar numerosas modificações e correcções, a maioria das quais não afecta a utilização regular, surgindo apenas em situações concretas, mas alguns são comuns, como a dificuldade em fechar a última "tab" ou alguns "crash" inexplicáveis, o que, só por sí, acrescendo melhorais na segurança, justifica efectuar a actualização com a rapidez possível.

quinta-feira, julho 02, 2026

Os dados perdidos das ondas de calor - 1ª parte

O País atravessa uma nova onda de calor, que terá, inevitavelmente, consequências na saúde da população, e um expectável aumento da mortalidade, sem que os dados relativos a ondas de calor anteriores tenham sido disponibilizadas, contrariando uma prática comum na Europa comunitária.

Dispor deste tipo de dados, incluindo desde as intervenções e mobilizações de meios para controlar os efeitos da onde de calor aos efeitos, com especial destaque para os que impactam a saúde, com dados de consultas, internamentos e mortalidade, é uma ferramenta essencial para conhecer o estado do País e planear acções futuras, minimizando o impacto de novas ondas de calor.

É típico em Portugal desconhecerem-se os números relevantes para a tomada de decisões, com as estatísticas a serem várias vezes revistas, seja pela sua inconsistência técnica, seja porque orientações políticas, estabelecendo critérios que visam obter um dado fim, independentemente da sua relevância ou aplicabilidade, como forma de obter os resultados pretendidos.

Quando se torna virtualmente impossível modificar dados estatísticos, por os critérios estarem pré-estabelecidos e os dados serem provenientes de fontes auditáveis, tipicamente adia-se a publicação até ao limite do possível, esperando-se que então o interesse se tenha reduzido, algo que, quando a distância temporal é substancial, tende a acontecer, com as notícias a serem remetidas para o rodapé de uma página interior.

quarta-feira, julho 01, 2026

Câmara de vigilância para locais remotos - 4ª parte

Há muito que somos favoráveis a sistemas de vigilância, comunicações ou outros que integrem equipamentos existentes, testados, e que possam ser integrados em soluções mais complexas, implementadas de forma modular, e que estejam no terreno, completamente operacionais, num espaço de tempo previsível e com custos estabelecidos à priori, sem as derrapagens absurdas a que estamos habituados a assistir.

A ideia de que uma solução específica, adequada às necessidades que constam de um caderno de encargos exigente, tem que ser desenvolvida a partir de longos estudos, com projectos que implicam o desenvolvimento de recursos inexistentes, ou extensa adaptação dos que existem, numa originalidade nacional que, quase sempre, demora anos a implementar, para nós, não faz sentido.

Existem no mercado cada vez mais opções tecnológicas evoluídas, padronizadas, capazes de falar a mesma linguagem, imediatamente disponíveis, integráveis em soluções concebidas para responder a necessidades específicas, mas que necessitam de se manter abertas, sem dependências de um fabricante concreto que, caso o queira, pode impor preços exorbitantes, numa chantagem permanente que se tende a perpetuar.

Este tipo de câmara, eventualmente de um modelo mais sofisticado, e naturalmente mais dispendioso, ligado a uma rede de repetidores com sinal via satélite, que suportem a conectividade das câmaras e de dispositivos móveis na área, pode ser implementada num curto espaço de tempo, a custos controlados, e disponibilizar as funcionalidades que hoje se pretendem de soluções muito mais dispendiosas que, actualmente, são incapazes de fornecer o pretendido.

terça-feira, junho 30, 2026

Dia 01 de Julho começam as taxas de 3 Euros para pequenas encomendas - 1ª parte

Após anunciado, o assunto passou ao esquecimento, mas é a partir do início deste mês de Julho que a isenção de imposto de importação aplicável a encomendas com valor inferior a 150 Euros, proveninentes de fora da União Europeia, termina, dando origem a uma taxação para cada tipo de artigo incluído numa encomenda.

Assim, será aplicada uma taxa de 3 Euros por cada tipo de item incluido numa dada encomenda, o que significa que, por exemplo, uma dezena de pequenos acessórios de informática, consolidados num mesmo objecto postal, pagarão apenas 3 Euros, mas, caso se trate de objectos de tipos distintos, de acordo com os critérios da Autoridade Tributária, os três Euros se multiplicarão.

Naturalmente, e como consta de um texto que publicamos quando a medida foi anunciada, poderemos assistir a diversas formas de consolidação, como encomendas virtuais, com valor nunca superior a 150 Euros e items todos de um mesmo tipo, que será separada após desalfandegada, ou a um maior número de entrepostos dentro do espaço comunitário, a partir do qual serão expedidas encomendas para quem reside na Comunidade Europeia.

Seja qual o método adoptado pelos vendedores, estamos certos que serão inventivos e tentarão manter os preços tão baixo quanto possível, pelo que, caso a organização dos envios seja a mais favorável, podendo haver uma pequena demora adicional, o acréscimo no preço final tenderá a ser pouco relevante, duvidando-se que os objectivos da Comissão Europeia, exceptuando a angariação de taxas, seja realmente alcançado.