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terça-feira, setembro 08, 2026

Alterações no pagamento do IUC começam em 2027

Decorrendo de uma alteração legislativa recente, o pagamento do Imposto Único de Circulação (IUC) deixa de ser efectuado anualmente, no mês da matrícula, passando a ser pago em datas fixas anuais para todos os veículos abrangidos, observando um período transitório em 2027 após o que se segue nu modelo definitivo a partir de 2028.

No presente ano de 2026, as regras mantêm-se inalteradas, decorrendo da legislação há muito em vigor, do que decorre que o IUC continua a ser pago até ao final do mês da matrícula, um hábito que, consideramos, há muito está enraizado nos hábitos dos proprietários de veículos.

O ano de 2027 será o único onde é observado um regime transitório, com o pagamento do IUC a ser pago em Outubro, caso seja até aos 500 Euros, enquanto para valores superiores o pagamento será em duas prestações, uma em Julho e a outra em Outubro, tendo-se apontado para datas no segundo semestre do ano para evitar que quem pagasse o IUC no final de 2026 tivesse que efectuar o pagamento de 2027 numa data muito próxima.

A partir de 2028, de forma defenitiva, até revisão da legislação, todos os veículos com IUC até 100 Euros devem efectuar o pagamento em Abril, os que pagarem até 500 Euros pagam o imposto em duas prestações, uma em Abril e outra em Outubro e, para valores superiores, o pagamento será em três prestações, em Abril, Julho e Outubro.

domingo, agosto 30, 2026

Peões italianos podem ser multados por uso de telemóvel nas passadeiras - 2ª parte

Quando existe um acidente entre um veículo, sobretudo automóveis ou veículos pesados e um peão, existe uma óbvia tendência para que a responsabilidade recaia no condutor, desconsiderando-se o comportamento do peão, mesmo quando existam fortes indícios de que este agiu sem a prudência necessária, em parte porque, tendo o veículo um seguro, eventuais compensações serão mais facilmente atribuidas e com isso as conflitualidades serão dirimidas.

Obviamente, esta abordagem, que entendemos mas condenamos, por falta de objectividade acaba por premiar comportamentos de risco por parte dos peões que, tendo consciência de que seguradoras e tribunais os irão proteger, mesmo quando a responsabilidade por um acidente lhes pertence, integralmente ou de forma partilhada, não beneficia a segurança rodoviária, ao remover uma eventual consequência por actos menos refletidos.

Naturalmente, os peões têm que ser protegidos, com a implementação de medidas que reduzam os acidentes que os vitimam e a gravidade dos mesmos, mas impõe-se objectividade, também porque de relatórios tendenciosos resulta um apuramento estatístico enganador, que, distorcendo a realidade, vai ter consequências nas medidas adoptadas para prevenir a sinistralidade na estrada.

Apesar de do Código da Estrada abranger todos os elementos das vias deste País, existem visões muito parciais, com vertentes que se centram nas várias classes de veículos, outras nas vias e algumas nos peões, mas falta uma melhor visão de conjunto, onde todos os elementos se combinem, analizando como interagem no mundo real, esquecendo que uma alteração numa vertente irá afectar todas as outras.

quinta-feira, agosto 27, 2026

Peões italianos podem ser multados por uso de telemóvel nas passadeiras - 1ª parte

Enquanto em Portugal se debate a revisão do Código da Estrada, quase certamente resumindo-se a um aumento substancial de multas e sanções, outros países europeus também se concentram no comportamento dos peões, sendo evidente que, apesar de um comportamento mais cívico, o número de atropelamentos continua a ser preocupante.

Uma medida que nos parece importante é a proposta, em Itália, que visa proibir o uso de telemóveis por parte dos peões quando atravessam uma via, mesmo que numa passadeira, uma situação que, reconhecemos, tem perigos, seja por não verificar se existem condições de segurança, seja pelo comportamento errático resultante do uso do dispositivo móvel.

Mesmo numa passagem de peões, a travessia tem que ser efectuada com um nível de atenção que, para muitos, mesmo que ocasiões específicas, são incompatíveis com o uso de um dispositivo móvel, sendo comum ver peões a responder a mensagens enquanto atravessam em passadeiras, por vezes parando e, como já vimos, voltando para trás, numa altura em que os veículos começam a arrancar.

Apesar de do Código da Estrada abranger todos os elementos das vias deste País, existem visões muito parciais, com vertentes que se centram nas várias classes de veículos, outras nas vias e algumas nos peões, mas falta uma melhor visão de conjunto, onde todos os elementos se combinem, analizando como interagem no mundo real, esquecendo que uma alteração numa vertente irá afectar todas as outras.

sexta-feira, agosto 14, 2026

O que conhece quem relata os fogos? - 3ª parte

Efectivamente, quando surgiu uma ocorrência mais relevante, o incêndio, então no concelho de Celorico, desapareceu das notícias, substituído por um fogo que, mediaticamente, seria mais relevante, o que pode suceder pelo local onde decorre, mais próximo dos grandes centros do que numa zona remota da Beira Alta, cujas povoações poucos conhecem, por vezes com nomes impronunciáceis para a maioria.

A realidade do Interior é virtualmente imperceptível a quem passou a vida nas grandes cidades, mais agora, quando a desertificação e a destruição do tecido económico, acompanhado pelo encerramento dos mais diversos serviços, públicos e privados, e tal nota-se na maioria das reportagens, onde as descrições padronizadas e as perguntas padrão reduzem cada ocorrêcia a uma repetição da anterior, essencialmente descaracterizando a sua essência e reduzindo a sua complexidade ao nível do simplismo.

Observando o alinhamento das notícias, os fogos parecem valer pelas imagens que se podem capturar, pelo apelo ao sentimento, tendo a prioridade exigida pelas audiências, do que resulta, tantas vezes a subalternização face a notícias de importância muito relativa mas que, por envolverem personagens ou locais mais conhecidos, serão mais atrativos para o grande público.

A superficialidade com que, na maior parte dos casos, são noticiados os fogos, que parecem ser uma forma fácil e prática de preencher serviços noticiosos numa época onde as notícias nacionais tendem a ser escassas, acaba por normalizar o que devia ser excepcional, reduzindo a sua relevância e criando uma sensação de inevitabilidade que leva a uma aceitação pacífica de uma realidade que nos devia revoltar.

terça-feira, agosto 11, 2026

Novas taxas afectam preços e stocks no Aliexpress - 3ª parte



Infelizmente, e tal como sucede com o Aliexpress, a percentagem de items enviadas a partir de armazéns dentro da União Europeia é baixo, tal como o é quando falamos de outras plataformas ou grossistas, como o Banggood ou o Geekbuying, pelo que pode ser difícil, moroso e sem garantias de exito procurar items que aliem portes gratuitos e dispensa de direitos alfandegários a um baixo preço.

É manifesto que a imposição de uma pequena taxa veio baralhar as contas na altura de fazer encomendas a partir de plataformas da Ásia, tornando-as algo confusas e imprevisíveis, sobretudo quando a encomenda inclui diversos items de baixo preço, de categorias variadas, podendo representar um aumento percentual substancial a nível do valor total a pagar, o que pode desencorajar alguns compradores.

Esperamos que novos ajustes nos preços e nos stocks, com maior armazenamento na Europa, tornem este tipo de aquisição mais convidativa, não apenas porque os preços praticados são, em termos gerais, mais baixos do que os que encontramos entre nós, mas também pela variedade de produtos, sendo possível que, em muitos casos, sobretudo pela sua especificidade, a opção seja comprar no estrangeiro, dada a inexistência em Portugal ou os preços absurdos praticados.

Mais do que tudo, estas novas taxas geram incerteza, e tal será suficiente para que as encomendas decresçam, pelo menos temporariamente, até que os grossistas se reorganizem e os consumidores, com poucas alternativas reais, aceitem a nova situação e retomem as compras, o que, cremos, irá acontecer quando houve uma maior certeza quanto aos valores totais a pagar.

segunda-feira, agosto 10, 2026

O que conhece quem relata os fogos? - 2ª parte

Também o local onde as reportagens decorriam, entre a necrópole de Vila Ruiva e a Carrapichana, tem sobretudo vegetação rasteira, ervas, giestas, algumas poucas árvores e bastantes pedras, algo muito comum nesta zona e que pode ser visto nas imagens com menos de um ano publicadas no Google Maps, observando a zona da necrópole de Vila Ruiva e da capela do Anjo, onde foi feita parte da reportagem.

Aliás, estamos a falar de uma ocorrência que começou da parte da tarde e entrou em fase de resolução por volta das 17:20, depois de consumir mato, combustíveis finos e algum terreno agrícola, desconhecendo-se quais os prejuízos que, pela zona atingida, serão de pouca monta, não tendo sido atingidas edificações ou equipamentos que, tanto quanto sabemos, não existem nas zonas atingidas.

Passadas horas, após anoitecer, outro incêndio, igualmente dado como resolvido, reacendeu, perto da estrada que segue para Aguiar da Beira, perto de Figueiró da Granja, onde existem algumas casas dispersas, mas, mais uma vez, o fogo consome só mato, vegetação rasteira, podendo atingir alguns terrenos agrícolas que, naquela zona do País, muitas vezes estão desaproveitados, do que decorre a ausência de prejuizos reais.

Toda a peça parece destinar-se, sobretudo, a preencher a emissão, com um tempo desproporcionado face ao sucedido, isto sem por em causa os danos causados, que parecem residuais, as preocupações geradas nas populações e, naturalmente, o eforço dos operacionais, alongando-se em considerações e pequenos apontamentos que, no fundo, apenas confirmam o pouco que havia a dizer.

sábado, agosto 08, 2026

O que conhece quem relata os fogos? - 1ª parte

Durante o dia de hoje assistimos a um conjunto de notícias, baseadas em reportagens televisivas, onde eram descritos fogos no distrito da Guarda, concretamente nas zonas limítrofes entre os concelhos de Fornos de Algodres e de Celorico da Beira, um local que conhecemos particularmente bem nos seus mais diversos aspectos.

Durante o período mais crítico, este incêndio chegou a mobilizar 354 operacionais, apoiados por 77 veículos e 15 meios aéreos, com as chamas a progredir no sentido de Vila Ruiva para a Carrapichana, numa zona que identificamos facilmente, correspondendo à antiga estrada romana, a partir da qual se acede à capela do Anjo, onde existe, predominantemente, vegetação rasteira.

Para quem conhece a área, porque aí passou largos meses, durante anos, algumas das indicações geográficas que surgem nas reportagens fazem pouco sentido, por, caso fossem reais, este seria um fogo de grandes proporções e que poria em risco diversas povoações, sobretudo quando mencionadas, simultaneamente, aldeias como Juncais, Vila Ruiva e Carrapichana.

A menção a uma série de aldeias e locais surge como realmente pouco clara, com menções locais, supostamente no caminho do fogo, mas sem mencionar aqueles que, caso o fogo progredisse nesse sentido, seriam atingidos muito antes, tornando-se estranho, para quem conhece a zona, ou, simplesmente, para quem está diante de um mapa, analizar a situação com base na descrição que surge na televisão.

quinta-feira, agosto 06, 2026

Novas taxas afectam preços e stocks no Aliexpress - 2ª parte

No entanto, na secção "Combo de ofertas", que, infelizmente, tem uma oferta muito mais restrita, ainda é possível fazer compras sem que o impacto das novas taxas alfandegárias se faça sentir, com a plataforma a oferece descontos e compensações que neutralizam, virtualmente, as novas taxas, sendo que, com a encomenda de um mínimo de três artigos, a entrega é gratuita.

Notamos que um enorme número de artigos desta secção ficou indisponível, eventualmente porque armazenados fora da Europa, tornando-se impossível proceder a uma compensação que anulasse as novas taxas, sendo que, no nosso caso concreto, mais de três quartos dos produtos que tinhamos listados para possível compra deixaram de estar disponíveis.

Não obstante estas limitações, e porque fazendo pesquisas no Alexpress por vezes surgem items que não se encontram directamente na secção "Combo de ofertas", muito possivelmente as possibilidades serão maiores do que aquelas com as quais nos deparamos, com a desvantagem de o processo ser incerto e consumir tempo, o que pode apenas justificar-se em situações específicas.

Existem alternativas, como a Temu, que assinala de forma muito clara nalguns items que os mesmos são enviados a partir de um país da União Europeia e que, consequentemente, caso o total da compra ultrapasse os 10 Euros e apenas inclua items provenientes deste conjunto e enviados pela própria plataforma, não por vendedores individuais, os portes serão gratuito e não serão pagos direitos alfandegários.

terça-feira, agosto 04, 2026

Novas taxas afectam preços e stocks no Aliexpress - 1ª parte

Com a entrada em vigor de uma taxa adicional para importações de valor inferior a 150 Euros, onerando em 3 Euros cada classe de produto incluído na encomenda, era de esperar que, apesar da capacidade de adaptação dos grossistas baseados na China, se verificasse um impacto a nível das compras efectuadas a partir de países comunitários.

Após uma última compra, entregue no dia 30 de Junho, o último dia antes da imposição destas taxas, esperamos um mês, que seria de adaptação, na expectativa da reação das plataformas comerciais chinesas, após o que fizemos algumas experiências, que todos os nossos leitores podem repetir, dado que podem desistir antes de proceder ao pagamento.

Numa pequena simulação que fizemos, com artigos de baixo preço, com um total de pouco mais de uma dezena de Euros, o que permite, neste conjunto, ter portes grátis, vimos surgir um acréscimo de perto de sete Euros em taxas e impostos, o que implica uma subida muito substancial face aos valores anteriormente praticados, podendo tornar pouco convidativa a aquisição.

Naturalmente, cada caso tem que ser analisado, sendo manifesto que para artigos mais caros, que se enquadrem na mema classificação em termos fiscais, este problema diminui, ficando, no entanto, sempre presente, com excepção de artigos assinalados com o "envio a partir da UE", sobre os quais, naturalmente, não recai qualquer adicional, dado que impostos e taxas foram suportadas na altura da entrada do artigo no espaço comunitário, sendo que, combinar o envio deste artigos com esta menção com outros, provenientes de fora da União Europeia, leva a processos separados.

terça-feira, julho 07, 2026

Os dados perdidos das ondas de calor - 2ª parte

No caso dos números referentes à onda de calor, seja em termos de atendimentos e internamentos nos serviços de saúde públicos, seja ao nível da mortalidade, deviam estar disponíveis quase de imediato, tendo em conta o nível de informatização actual e a forma como os dados são consolidados, pelo que a sua não revelação atempada terá que ser entendida como uma opção política.

Existe o direito de cada cidadão de interpelar o Estado, requerendo informação que deve ser pública e se encontra inacessível, mas não existe prazos para que essa informação esteja disponível, pelo que, na sua inexistência, existe uma forma de contornar a legislação em vigor sem que exista responsabilização para quem recorre a este tipo de artifício, particularmente comum entre nós.

Diz-se, e é verdade, que informação é poder, tal como o é a a capacidade de a ocultar, manipular ou condicionar, e os dados de ondas de calor passadas, que deviam ser conhecidos, tal como o são noutros países europeus, continuam indisponíveis, eventualmente até ao próximo ano, altura em que todos queremos conhecer os dados de 2026 e pouca atenção daremos aos de 2025, sendo que, quando forem publicados, em vez de merecerem destaque, todos se focarão na ausência dos dados de 2026.

Obviamente, aproveitamos para chamar a atenção dos nossos leitores para os alertas emitidos pelas entidades oficiais e para agirem sempre com o máximo de prudência, sobretudo nas horas de maior calor, evitando uma exposição em excesso e evitando esforço físico, tendo sempre uma especial atenção aos mais vulneráveis, como crianças, idosos e doentes.

domingo, julho 05, 2026

Dia 01 de Julho começam as taxas de 3 Euros para pequenas encomendas - 2ª parte

No entanto, existe, com toda a probabilidade, um problema que se pode revelar tão ou mais grave do que o pagamento, concretamente o aumento da demora dos processos de desalfandegamento, a ocorrência de erros e um aumento de protestos e de litigância, não se escluindo a possibilidade de uma paralização nas alfândegas face ao caos gerado.

Para algumas pequenas empresas, que importam pequenos componentes para projectos, de baixo valor, mas difíceis de encontrar localmente, um caos nas fronteiras significa a suspensão da actividade, e uma subida de preços, caso tentem comprar localmente, onde, nalguns casos, os preços praticados são muita vezes superiores aos do produto importando, representa a inviabilidade do negócio.

Para os particulares, dependendo do artigo específico, dificilmente a escolha recairá num produto europeu, sendo mais provável suportarem o pagamento extra e continuarem a importar, sendo certo que, mesmo com este pequeno aumento, continuarão a poupar, independentemente da resposta dos fornecedores que, obviamente, irão fazer tudo para mitigar esta situação, mantendo os preços tão próximos quanto possível face aos originais.

Os primeiros tempos serão decisivos para se percebe qual o real impacto de uma medida que, alegadamente, visa proteger a indústria europeia, inexistente ou sem competitividade em muitos sectores, mas que, efectivamente, servirá apenas para angariar receitas, sem contribuir para qualquer tipo de estímulo económico podendo, no limite, comprometer muitos pequenos negócios que dependem da importação de pequenos acessórios e componentes.

quinta-feira, julho 02, 2026

Os dados perdidos das ondas de calor - 1ª parte

O País atravessa uma nova onda de calor, que terá, inevitavelmente, consequências na saúde da população, e um expectável aumento da mortalidade, sem que os dados relativos a ondas de calor anteriores tenham sido disponibilizadas, contrariando uma prática comum na Europa comunitária.

Dispor deste tipo de dados, incluindo desde as intervenções e mobilizações de meios para controlar os efeitos da onde de calor aos efeitos, com especial destaque para os que impactam a saúde, com dados de consultas, internamentos e mortalidade, é uma ferramenta essencial para conhecer o estado do País e planear acções futuras, minimizando o impacto de novas ondas de calor.

É típico em Portugal desconhecerem-se os números relevantes para a tomada de decisões, com as estatísticas a serem várias vezes revistas, seja pela sua inconsistência técnica, seja porque orientações políticas, estabelecendo critérios que visam obter um dado fim, independentemente da sua relevância ou aplicabilidade, como forma de obter os resultados pretendidos.

Quando se torna virtualmente impossível modificar dados estatísticos, por os critérios estarem pré-estabelecidos e os dados serem provenientes de fontes auditáveis, tipicamente adia-se a publicação até ao limite do possível, esperando-se que então o interesse se tenha reduzido, algo que, quando a distância temporal é substancial, tende a acontecer, com as notícias a serem remetidas para o rodapé de uma página interior.

terça-feira, junho 30, 2026

Dia 01 de Julho começam as taxas de 3 Euros para pequenas encomendas - 1ª parte

Após anunciado, o assunto passou ao esquecimento, mas é a partir do início deste mês de Julho que a isenção de imposto de importação aplicável a encomendas com valor inferior a 150 Euros, proveninentes de fora da União Europeia, termina, dando origem a uma taxação para cada tipo de artigo incluído numa encomenda.

Assim, será aplicada uma taxa de 3 Euros por cada tipo de item incluido numa dada encomenda, o que significa que, por exemplo, uma dezena de pequenos acessórios de informática, consolidados num mesmo objecto postal, pagarão apenas 3 Euros, mas, caso se trate de objectos de tipos distintos, de acordo com os critérios da Autoridade Tributária, os três Euros se multiplicarão.

Naturalmente, e como consta de um texto que publicamos quando a medida foi anunciada, poderemos assistir a diversas formas de consolidação, como encomendas virtuais, com valor nunca superior a 150 Euros e items todos de um mesmo tipo, que será separada após desalfandegada, ou a um maior número de entrepostos dentro do espaço comunitário, a partir do qual serão expedidas encomendas para quem reside na Comunidade Europeia.

Seja qual o método adoptado pelos vendedores, estamos certos que serão inventivos e tentarão manter os preços tão baixo quanto possível, pelo que, caso a organização dos envios seja a mais favorável, podendo haver uma pequena demora adicional, o acréscimo no preço final tenderá a ser pouco relevante, duvidando-se que os objectivos da Comissão Europeia, exceptuando a angariação de taxas, seja realmente alcançado.

quarta-feira, abril 01, 2026

O apagão de 2025 ainda sem responsáveis - 3ª parte

Este apagão, embora imprevisível, não era improvável, tendo em conta a forma de gerar energia, pelo que existe uma responsabilidade objectiva, que será agravada caso se repita uma situação semelhante sem que tenham sido adoptadas medidas que possam reduzir a probabilidade de tal acontecer, e que, numa primeira fase, terão que passar por uma menor percentagem de energia proveniente de fontes intermitentes.

Obviamente, pode-se argumentar que, actualmente, o preço dos combustíveis aumentou de forma muito substancial e que o recurso a estas fontes de energia aumentaria o preço da energia, mas não podemos esquecer que esta é uma situação conjuntural, que pode permitir algumas excepções temporárias, mas que, de forma alguma, justifica a não implementação das medidas que reduzam o risco de apagões.

Paralelamente, a dependência de energias renováveis reduz o risco em caso de escassez de combustíveis fósseis e, em teoria, devia permitir uma menor subida do preço da electricidade, algo particularmente relevante nos dias de hoje, mas que não pode, pelo recurso em excesso a este tipo de energia, penalizar a segurança da rede, sendo certo que o prejuízo em caso de apagão eclipsar rapidamente os ganhos no uso de energias renováveis.

Nesta conjuntura de alta de preços e possível escassez nos combustíveis fósseis, será difícil que um relatório, sobretudo quando envolvidas, de forma mais ou menos directa, vários operadores, seja realmente esclarecedor, o que não invalida o que já conhecemos quanto às origems do apagão, bem como à vulnerabilidade da rede eléctrica, também patente na altura do mau tempo que assolou o País.

domingo, março 29, 2026

O apagão de 2025 ainda sem responsáveis - 2ª parte

Na altura do incidente, este a energia com estas proveniências atingia perto de 70%, francamente acima do que se pode considerar seguro, faltando o factor estabilizador de uma energia controlável que pudesse amortecer uma variação súbita e manter a rede em funcionamento.

Apesar de serem apontadas algumas causas, a falta de determinar responsabilidades pode resultar em problemas para todos, empresas e particulares, que queiram ser ressarcidos pelos prejuizos resultantes deste apagão, sendo óbvio que, com o contributo das empresas produtoras e distribuidoras de energia, a culpa pode morrer solteira, mesmo sabendo-se onde reside a origem do problema.

Esta falta de responsabilização traduz grande parte da realidade nacional, sendo patente que grandes empresas e instituições, incluindo-se aqui o Estado, tendem a escusar-se a assumir responsabilidades pelos seus erros, esquivando-se a compensar quem é prejudicado pela sua acção ou inacção, seja esta intencional ou não, mas que têm, inevitavelmente consequências.

Mesmo que o relatório aponte para algumas pistas, e o da Entidade Nacional que regula o sector eléctrico adiciona mais algumas conclusões, algumas destas que implicam uma responsabilização de diversos operadores, duvidamos que existam compensações e, menos ainda, as lições sejam devidamente apreendidas e as medidas correctivas implementadas, tornando a rede eléctrica mais resiliente.

sexta-feira, março 27, 2026

O apagão de 2025 ainda sem responsáveis - 1ª parte

A Agremiação dos Produtores de Electricidade apresentou o relatório do apagão de 28 de Abril do anos passado, apontando para um excesso de tensão em zonas da rede espanhola como causa, descrevendo várias condições que potenciaram o sucedido, mas sem nomear responsáveis.

É de salientar que esta entidade não é realmente independente, resulta da coligação de diversas empresas que operam na área da energia, pelo que as conclusões do relatório serão sempre influenciadas pelos seus próprios interesses e, naturalmente, pela tentativa de se escusar a responsabilidades das quais podessem resultar o pagamento de indemnizações.

Alguns dos disparos que ocorreram nas centrais eólicas e solares derivam do disparo das unidades de protecção, configuradas para serem activadas em caso de excesso de tensão, o que terá sucedido devido a um aumento de produção inesperado, não tendo havido capacidade para controlar a situação atempadamente, do que resultaram falhas em cadeia.

Se a energia proveniente de fontes renováveis intermitentes não estivessem a ser usadas de forma tão intensa, este problema não teria ocorrido, sendo difícl de gerir quando a percentagem deste tipo de energia na rede ultrapassa os 40%, podendo tornar-se virtualmente ingerível quando ultrapassa os 60%, caso surjam alterações rápidas nos vários factores que afectam a produção.

sexta-feira, fevereiro 27, 2026

Milhões de árvores arrancadas pelo vento são um risco para os fogos - 2ª parte

Soluções de emergência, como o recurso a faixas de contenção, removendo as árvores derrubadas a intervalos, de modo a que o fogo não passe de uma área para outras, eventualmente promovendo a queima antecipada e controlada de algumas zonas, podem ser equacionado de forma preventiva, assumindo-se que existe uma impossibilidade de corrigir este problema em toda a sua extensão.

Também não podemos esquecer que, face à destruição de um número tão elevado de árvores, o risco de derrocadas e aluimentos aumenta, constituindo um risco acrescido durante trajectos a efectuar nas zonas mais afectadas, onde muitos dos combates aos fogos se poderão vir a realizar, o que adiciona um perigo extra a missões já de sí arriscadas e complexas.

Temos consciência de que, actualmente, o foco da antenção não recai sobre os fogos, havendo problemas sérios que decorrem dos ventos fortes e inundações recentes, mas tal não pode impedir de antecipar uma situação potencialmente explosiva e que pode, a seguir a uma série de calamidades naturais, acrescentar outra, essa antecipável e que pode, pelo menos, ser mitigada.

Com a nomeação de um novo ministro da Administração Interna, cujo desempenho como director da Polícia Judiciária demonstra possuir qualidades operacionais relevantes, apesar fora do âmbito da Protecção Civil, esperamos que sejam adoptadas medidas que possam evitar uma nova tragédia no Verão, esta completamente antecipavel face ao cenário existente nas vastas áreas onde permanencem milhares de árvores no solo, cuja madeira, cada vez mais seca, é facilmente pasto de chamas no tempo quente.

terça-feira, fevereiro 24, 2026

Milhões de árvores arrancadas pelo vento são um risco para os fogos - 1ª parte

Os ventos fortes que devastaram parte do País derrubaram vários milhões de árvores, estimando-se que só na zona de Leiria este número possa ficar entre os cinco a sete milhões, sendo certo que, a nível nacional, podemos estar a falar de várias dezenas de milhões, concentrando-se, sobretudo, na região centro.

Estes milhões de árvores que actualmente jazem no chão e vão secando, sendo de prever que estejam completamente secas dentro de poucos meses, na altura do tempo quente, representam um enorme perigo, constituindo uma enorme fonte de combustível, nalgumas zonas, com uma grande acumulação e continuidade, do que podem resultar fogos particularmente intensos.

Acresce a existência de combustíveis finos e, naturalmente, uma impossibilidade de limpar as zonas afectadas da forma habitual, removendo apenas excedentes que se encontram nos solos, pelo que nestas zonas, para além das dificuldades de acesso, o acumular de combustíveis representa um enorme perigo, que se vai acentuar à medida que a madeira vai secando e a temperatura vai subindo.

Sendo difícil, mas actuais circunstâncias e com a brevidade necessária, remover todas estas árvores, tal não deve resultar no alheamento face a um problema que necessita de ser abordado e, se não resolvido, pelo menos mitigado, prevenindo fogos que podem atingir graves proporções e afectar zonas já de sí devastadas.

sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Um País paralisado - 4ª parte

À luz do sucedido, quando se recorda que o ministro titular da pasta das Obras Públicas anunciou uma auditoria abrangente, tendo em conta que a A1 fora cortada ao trânsito antes de parte do tabuleiro de uma ponte ruir, não podemos deixar de considerar que a fragilidade de várias estruturas era conhecida ou, pelo menos, existia desconfiança quanto à sua segurança.

Aliás, existe todo um vasto conjunto de estruturas que necessitam ser vigiadas, periodicamente analisadas e, eventualmente, mantidas ou reparadas, ficando a sensação que tal não é efectuado com o rigor necessário, seja nos métodos, seja na calendarização, sendo possível, no limite, que muitas não sejam vistoriadas desde há muitos anos, podendo, entretanto, ter-se degradado e constituindo um perigo para as populações.

Daqui decorre que vivemos sobre uma autêntica bomba-relógio, num permanente perigo, à mercê dos caprichos de uma Natureza que tem vindo a transformar-se, tornando-se mais agressiva e expondo de forma cada vez mais evidente as fragilidades de um País que tende a não antever ou prevenir, optando, sistematicamente, pela muito mais dispendiosa e menos eficaz reparação dos danos.

Temos consciência que estamos diante de investimentos muito substanciais, que demoram a implementar, sendo necessário um estudo complexo, e necessariamente moroso, antes de estabelecer o caminho a seguir, o que significa que não há tempo a perder, devendo-se insistir na urgência de arrancar com este processo de modo a que os primeiro resultados possam antecipar novas tragédias.

quarta-feira, fevereiro 18, 2026

Um País paralisado - 3ª parte

Num País que depende da rede rodoviário muito para além do razoável, onde o sistema ferroviário, para além de conhecidas fragilidades e deficiências, enferma de problemas de ligação à rede Europeia, enquanto se insiste na obsoleta e problemática bitola ibérica, a interrupção da principal via do País num ponto central tem consequências particularmente complexas.

Mesmo argumentando que existem alternativas, é indiscutível que a A1 é uma via estruturante para o País, por onde, para além do trânsito de passageiros, passam mercadorias da maior importância, por onde são transportandos doentes, onde veículos de socorro circulam constantemente, e que o seu corte tem um impacto severo a vários níveis que vão desde a vertente económica à segurança das populações.

Grande parte dos bens alimentares, objectos postais, combustíveis e outras mercadorias essenciais transitam pela A1, num fluxo ininterrupto que se mantém dia e noite, pelo que irá rapidamente ocorrer uma saturação das vias alternativas, incluindo passagem pelo interior de povoações, tornando-se óbvio que existe não apenas um impacto enconómico, mas também na segurança rodoviária, com um largo número de veículos pesados a circular em vias menos adequadas.

Infelizmente, mas inevitavelmente, a água proveniente do Mondego continuou a deslocar-se do concelho de Coimbra para o de Montemor o Velho, alagando novas zonas, provocando novos danos e prejuízos, e condicionando a circulação rodoviária, pelo que os problemas em termos de trânsito na zona Centro do País se têm vindo a alargar, condicionado a acessibilidade a um extensa área de território.