O País atravessa uma nova onda de calor, que terá, inevitavelmente, consequências na saúde da população, e um expectável aumento da mortalidade, sem que os dados relativos a ondas de calor anteriores tenham sido disponibilizadas, contrariando uma prática comum na Europa comunitária.
Dispor deste tipo de dados, incluindo desde as intervenções e mobilizações de meios para controlar os efeitos da onde de calor aos efeitos, com especial destaque para os que impactam a saúde, com dados de consultas, internamentos e mortalidade, é uma ferramenta essencial para conhecer o estado do País e planear acções futuras, minimizando o impacto de novas ondas de calor.
É típico em Portugal desconhecerem-se os números relevantes para a tomada de decisões, com as estatísticas a serem várias vezes revistas, seja pela sua inconsistência técnica, seja porque orientações políticas, estabelecendo critérios que visam obter um dado fim, independentemente da sua relevância ou aplicabilidade, como forma de obter os resultados pretendidos.
Quando se torna virtualmente impossível modificar dados estatísticos, por os critérios estarem pré-estabelecidos e os dados serem provenientes de fontes auditáveis, tipicamente adia-se a publicação até ao limite do possível, esperando-se que então o interesse se tenha reduzido, algo que, quando a distância temporal é substancial, tende a acontecer, com as notícias a serem remetidas para o rodapé de uma página interior.
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