Este apagão, embora imprevisível, não era improvável, tendo em conta a forma de gerar energia, pelo que existe uma responsabilidade objectiva, que será agravada caso se repita uma situação semelhante sem que tenham sido adoptadas medidas que possam reduzir a probabilidade de tal acontecer, e que, numa primeira fase, terão que passar por uma menor percentagem de energia proveniente de fontes intermitentes.
Obviamente, pode-se argumentar que, actualmente, o preço dos combustíveis aumentou de forma muito substancial e que o recurso a estas fontes de energia aumentaria o preço da energia, mas não podemos esquecer que esta é uma situação conjuntural, que pode permitir algumas excepções temporárias, mas que, de forma alguma, justifica a não implementação das medidas que reduzam o risco de apagões.
Paralelamente, a dependência de energias renováveis reduz o risco em caso de escassez de combustíveis fósseis e, em teoria, devia permitir uma menor subida do preço da electricidade, algo particularmente relevante nos dias de hoje, mas que não pode, pelo recurso em excesso a este tipo de energia, penalizar a segurança da rede, sendo certo que o prejuízo em caso de apagão eclipsar rapidamente os ganhos no uso de energias renováveis.
Nesta conjuntura de alta de preços e possível escassez nos combustíveis fósseis, será difícil que um relatório, sobretudo quando envolvidas, de forma mais ou menos directa, vários operadores, seja realmente esclarecedor, o que não invalida o que já conhecemos quanto às origems do apagão, bem como à vulnerabilidade da rede eléctrica, também patente na altura do mau tempo que assolou o País.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)










Sem comentários:
Enviar um comentário