terça-feira, agosto 19, 2008

Estatísticas dos fogos sem enquadramento - 2ª parte


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O apoio das populações é agora mais escasso

Se os perto de 6.000 hectares ardidos até Julho, estão muito abaixo dos mais de 50.000 da média dos últimos dez anos, a verdade é que só observando a realidade de modo mais abrangente, cruzando os valores com os da mancha florestal restante, muito inferior à existente há uma década e analizando a evolução demográfica, conjuntamente com dados meteorológicos e de conjuntura, se pode ir ao encontro da realidade nacional.

É abusivo efectuar comparações simplistas, que tendem a ser usadas como meras armas de arremesso político e escondem o que está por detrás de um conjunto de dados que carecem de uma análise mais profunda, sem especulações nem encobrimentos, que ajudem a caracterizar uma realidade social e geográfica que, infelizmente, tem vindo a dar mostras de agravamento em extensas zonas do Interior do País.

Questões como a sustentabilidade dos espaços rurais, a evolução demográfica ou a diminuição de espaços verdes ordenados, exluindo aqui matos ou áreas sem valor económico significativo, são omitidas, mas serão essenciais para caracterizar uma problemática complexa que vai muito para além da evolução descrita pelas estatísticas ou da apreciação qualitativa do combate aos fogos.

Assim, seja quando se recorre a um ou outro dado estatístico para denegrir o esforço de quantos lutam contra os fogos ou quando estes usam um valor mais favorável como justificação de um sucesso que deve ser avaliado à luz de um enquadramento mais complexo, escamoteia-se o essencial e ilude-se a opinião pública, evitando abordar as causas estruturais que estão na origem de décadas de abandono das terras e da destruição de grande parte da floresta portuguesa.

A responsabilidade, por atravessar décadas de governação, não pode ser imputada em exclusivo a um único Executivo ou força partidária, resultando de uma infeliz concepção da realidade nacional, muitas vezes à luz de meras estratégias eleitorais, que comprometeu os princípios de unidade e de solidariedade que deviam presidir a qualquer programa de governação, sentindo-se hoje os efeitos de anos de erros acumulados que já nenhuma estatística consegue esconder.

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