sexta-feira, janeiro 30, 2026

A normalização da morte por frio - 2ª parte

Os Invernos no chamado país de clima moderado e ameno, não sendo tão frio como em boa parte da Europa, não deixa de ser devastador face à qualidade da habitação e à probreza energética, que impede os mais vulneráveis de aquecer as suas residência não apenas a uma temperatura confortável, mas de modo a garantir a sua própria segurança e saúde.

Face ao agravar da situação epidemológica e durante os períodos de temperaturas mais baixas, as necessidades de acorrer às vítimas, seja os meios de socorro, sejam as unidades de saúde enfrentam sérias dificuldades, levando a atrasos e a um tratamento adiado, muitas vezes simplificado, sendo nossa convicção que muitos dos que necessitam de assistência não a pedem na altura certa, adiando o pedido, e, quando este é realizado, não recebem o necessário apoio atempadamente.

Estes óbitos apontam para uma fragilidade extrema a nível de condições de vida de muitos residentes, mas também para uma resignação dos próprios, que dificilmente têm capacidade para se revoltar e exigir condições de dignidade, bem como da sociedade no seu todo, que, face a um número de óbitos que consideramos alarmante e indiciador de que algo está muito errado, ignora este alerta.

Existe uma óbvia falta de solidariedade perante uma situação que ocorre, com maior ou menor gravidade, em cada Inverno, com o impacto a depender da altura da chegada do vírus da gripe, bem como da sua estirpe, e das temperaturas, sendo manifesto que quando estas baixam mais e durante um período mais prolongado, as consequências são mais devastadoras, com a combinação de factores a resultarem nos elevados números que conhecemos.

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