quarta-feira, fevereiro 11, 2026

Velhas soluções para um novo normal climático - 3ª parte

Gera-se, assim, um autêntico dominó, onde a queda de uma peça facilmente afecta a seguinte, gerando uma cadeia de eventos que só terminam no final da cadeia, sendo óbvio que não foram colocados entre as peças nem protecções, nem o espaço suficiente para que a sequência seja antecipadamente interrompida, não havendo outra alternativa, uma vez iniciado o movimento, do que deixá-lo extinguir-se por sí próprio.

Naturalmente, a introdução destes mecanismos de controle e mitigação tem custos, nalguns casos bastante elevados, mas os prejuízos e consequentes perdas de valor podem exceder, em muito, o investimento realizado, sendo que, no caso concreto, como resultado dos ventos e das inundações, o total de perdas pode ter ultrapassado os 4.000 milhões de Euros, uma quantia que, previamente investida, teria tido um rápido retorno.

Infelizmente, só depois de acontecimentos devastadores se fala em investimentos na resiliência de um conjunto de serviços essenciais, como a distribuição de electricidade, fornecimento de água e manutenção das redes de comunicações, sendo de temer que, depois de anunciados planos e elaborados projectos, o assunto caia num quase esquecimento e os investimentos sejam substancialmente reduzidos, podendo, no limite, oferecer resultados quase nulos.

Tal como sucedeu com outros eventos trágicos, após o choque inicial e um primeiro conjunto de medidas que visam, sobretudo, compensar alguns danos e prejuízos, se inicie o processo de luto e esquecimento, para o que contribui o inevitável surgimento de novas situações, num âmbito completamente diferente, com o foco da atenção a mudar e a ocultar os desastres do passado.

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