sexta-feira, abril 10, 2026

Uma Páscoa trágica nas estradas - 2ª parte

Também podemos intuir que das dificuldades financeiras de muitas famílias resulte uma menor manutenção das viaturas e que existam vias mais degradadas, sobretudo nas zonas mais atingidas pelo mau tempo, mas apenas a investigação de cada acidente com consequências graves e a comparação destes com os ocorridos em anos anteriores pode oferecer pistas mais concretas.

Este é, obviamente, um procedimento complexo e moroso, que implica alguns investimentos, mas que será essencial para entender porque neste período ocorreram tantos acidentes e com consequências tão graves, e que não pode ser substituído pelos habituais bitaites que, por muito lógicos que sejam, sem se basearem em dados concretos, não passam de pura especulação, podendo não traduzir a realidade, acrescendo o perigo de serem plausíveis e orientarem os esforços das autoridades no sentido errado.

Tendo em conta que esta Páscoa foi a que fez mais vítimas mortais nos últimos dez anos, e que os números referentes ao primeiro trimestre do ano são bastante desfavoráveis, a ideia de que este foi apenas um período mau ou conjuntural não faz qualquer sentido, tendo o Governo anunciado algumas medidas, como a instalação de mais radares e câmaras de velocidade média e um maior recurso a inteligência artificial, e que serão complementadas no futuro com mais iniciativas a anunciar num futuro próximo.

Não esperavamos que um plano completo, com um conjunto extenso de medidas, abrangendo os vários factores que contribuem para a sinistralidade rodoviária, fosse apresentado de imediato, mas quando se aponta para um futuro indeterminado, sem prazos defenidos, o risco de, mais uma vez, se cair no esquecimento ou adoptar uma política simplista, com medidas tão fáceis de implementar quanto impraticáveis, que, efectivamente, por não serem realistas, nunca serão cumpridas podendo, no limite, alimentar os cofres do Estado através da imposição de coimas.

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