No entanto, nada pode contrariar as causas mais estruturais, a nível de ordenamento e gestão do território, que resultam de uma falta de visão por parte de quem governa e pela aposta, que consideramos erradas, num conjunto de actividades que pode revelar-se extremamente penalizadoras e fragilizam o País como um todo, colocando em risco extensas áreas de território.
A aposta excessiva no turismo tem um impacto devastador no ordenamento do território, tal como o tem o uso excessivo de energias renováveis, sem segurança de fontes não intermitentes, ou a aceitação de enormes centros de dados, que irão consumir energia e água em quantidades que podem comprometer a segurança e o conforto das populações, sacrificadas em prol da obtenção de lucros rápidos.
As extensas áreas, algumas florestais, onde se pretende implementar paineis solares, em quantidades absurdas, representando um modelo de negócio que sacrifica tudo ao imediatismo, representa um perigo, não apenas pela aposta excessiva em energias intermitentes, mas por compromenter outras actividades económicas, expulsando residentes, empurrados para as grandes cidades, onde viverão em condições miseráveis, e facilitando o avanço das chamas, caso surja um foco de incêndio.
Desde há anos que afirmamos que não existem soluções conjunturais para problemas estruturais, e que a problemática dos fogos floretais, seja na origem, seja nas consequências, passam por uma alteração profunda a nível do ordenamento do território, o que passa por reestruturar um País que cada vez se transforma mais numa estreita faixa no Litoral, onde tudo se concentra, abandonando grande parte do território, e os seus cada vez mais escassos habitantes, à sua sorte, esquecendo que, no final, todos partilharemos o mesmo destino.
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