Passado um quarto de século, este atentado deve ser recordado, não apenas como homenagem às vítimas, e não se pode esquecer que o 11 de Setembro representou o início de retaliações e guerras das quais resultaram inúmeras vítimas, mas também para que recordemos as fragilidades do Mundo e que vivemos e como um acontecimento pode desencadear uma longa sucessão de eventos que, facilmente, escapam ao controle de quem os iniciou, levando a um desfecho imprevisível e que pode contrariar o propósito incial.
Não podemos, igualmente, deixar de lembrar que, muitos anos antes, em 1985, também a 11 de Setembro, ocorreu o maior acidente ferroviário da história portuguesa, quando dois combóios chocaram na linha da Beira Alta, em Alcafache, tendo provocado um número de mortes que se estima em 150, mas que poderá ter ultrapassado este número, no que representa uma tragédia que, tendo em conta a proporção de residentes nos Estados Unidos e em Portugal, assume uma maior gravidade.
Infelizmente, e ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, as tragédias que ocorrem em Portugal parecem ser rapidamente esquecidas, sendo quase certo que muitos portugueses desconhecem o que ocorreu em Alcafache e, admitimos, muitos já não serão capazes de identificar o que sucedeu, muito recentemente, em Pedrogão Grande, ou apenas farão uma descrição algo imprecisa do sucedido.
Manter a memória é essencial para a identidade de um povo, que necessita de saber de onde vem, por onde passou e como foi moldado para se transformar no que é nos dias de hoje, evitando que seja construída uma História alternativa, composta por factos ficcionados ou deturpados, com os quais é possível manipular parte substancial de um povo, conduzindo-o para um destino que, um dia, virá a lamentar.
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