segunda-feira, setembro 21, 2026

Tapar o fogo com a peneira - 1ª parte

O incêndio que devastou o concelho de Arganil, no passado fim de semana, revela um conjunto de condicionalismos que tornam o combate a fogos particularmente complexos, alguns dos quais resultam de factores que escapam ao controle das autoridades nacionais, enquanto outros resultam, de forma directa, de opções que foram sendo escolhidas ao longo de muitas décadas, com causas originais conhecidas há perto de 80 anos.

Os fogos a partir da segunda quinzena de Setembro, um período do ano durante o qual, um par de décadas atrás, o tipo de ocorrência era, quase sempre diferente, de menores dimensões, com menos frequência e com consequências menos gravosas, sendo manifesto que algo teve que mudar para influenciar de forma tão decisiva esta realidade, podendo-nos centrar nas alterações climáticas e no ordenamento do território.

Se relativamente às evidentes mudanças no clima a capacidade de intervenção dos decisores nacionais é diminuta, tendo em conta que um pequeno País, independentemente do seu esforço, que deve fazer, terá um efeito limitado, no respeitante à forma como se estrutura e organiza, na extensão do seu território, pode implementar alterações das quais resulte uma muito menor vulnerabilidade aos fogos.

O despovoamento do Interior verifica-se desde há décadas, sendo uma tendência que ocorre desde a década de sessenta, muito antes do que muitos pensam ser o início, mesmo que por razões e numa conjuntura completamente distinta da actual, com uma primeira medida a resultar na Junta de Colonização Interna, instituída no período do Estado Novo, em 1936.

Sem comentários: