Para trás ficam os espaços rurais, cada vez mais desertos e improdutivos, entre grandes empresas que exploram largas áreas e pequenos proprietários que, pela idade e condições financeiras, se limitam a deter a posse, sem qualquer proveito, mas suportando os múltiplos encargos resultantes de uma terra que já não conseguem rentabilizar, deixando-a ao abandono.
Este abandono, ou a adoptção de culturas que visam uma rentabilização rápida e sem grande esforço, promove a destruição de muitas culturas, algumas tradicionais, substituindo-as pelas que são rentáveis no espaço de tempo que, habitualmente, medeia entre incêndios, única forma de, com alguma sorte, tirar algum proveito de uma propriedade de cuja posse resultam inevitáveis encargos.
Estas áreas são, naturalmente, onde os incêndios mais facilmente se propagam, seja pelo tipo de vegetação, seja pela enorme quantidade de combustíveis finos que se acumulam, como consequência da falta de limpeza dos terrenos, cuja maioria dos proprietários, cada vez em menor número e mais idosos, não tem capacidade física e, menos ainda financeira, para, sem ajuda, efectuar.
No entanto, e mesmo havendo disponibilidade financeira, não haveria recursos humanos para o fazer, tal a escassez de mão de obra nas zonas mais atingidas, uma situação impossível de contrariar a menos que exista uma completa inversão das políticas de ordenamento do território, algo de que, efectivamente, ninguém fala de forma concreta, com alguns intervenientes a refugiar-se numa eventual regionalização, como se tal resolvesse, por milagre, os problemas actuais.
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