segunda-feira, outubro 19, 2026

"O SIRESP não serve para nada" - 3ª parte

A ideia peregrina de que o Estado deve ter uma rede em ver de contratualizar o serviço com redes de satélites existentes enquanto promove investimento no sentido de dispor da sua própria rede de satélites, eventualmente aberta a exploração comercial, complementando as comunicações assim proporcionadas com uma segurança adicional e serviços próprios, apenas pode encontrar justificação na manutenção de um conjunto de pequenos poderes e previlégios, onde alguns podem encontrar vantagens substanciais à custa do interesse colectivo.

Continuar a investir neste modelo, inerente ao actual SIRESP, desde há muito que nos parece absurdo, tendo em conta a concepção da rede, antiquada face a propostas actuais, e à incapacidade de proporcionar as funcionalidades que todos exigimos dos nossos telemóveis ou demonstrar a necessária resiliência, algo que é demonstrado pelos receptores de Starlink instalados em autarquias e quarteis de bombeiros como redundância do próprio SIRESP.

As falhas do SIRESP têm um impacto directo nas operações de socorro e na segurança dos operacionais e das populações, algo que vai muito para além do dinheiro gasto na sua manutenção, podendo as suas falhas terem um custo incalculável, sobretudo quando este incluir a perda de vidas humanas e um sofrimento que será sempre impossível de contabilizar.

No entanto, e ao contrário do que afirmou o Secretário-Geral agora demitido, é manifesto que o SIRESP serve para algo, mas infelizmente não para os fins a que se destina, e, tanto quanto se pode concluir pelas afirmações recentemente escutadas, serve um conjunto de interesses pessoais, que esperamos sejam devidamente revelados, com as consequências que se impõe.

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