"O SIRESP não serve para nada", frase dita por Ricardo Carrilho, demitido recentemente do cargo de Secretário-Geral do Ministério de Administração Interna, ilustra a realidade do sistema de comunicações de emergência do Estado Português, uma estrutura que sorve, de forma ininterrupta, dinheiros públicos, sem que proporcione as funcionalidades que lhe são atribuidas.
Acresce à disfuncionalidade operacional, ainda segundo Ricardo Carrilho, uma falta de controle interno, gastos inexplicáveis, incluindo com os seus orgão dirigentes, que, aparentemente, nem estarão devidamente constituídos, do que resultam dúvidas fundadas quanto a uma rede de comunicações que tende a falhar quando mais é necessária.
Foram mencionadas as nomeações para cargos dirigentes, os ajustes directos, métodos de gestão, a relação com a NOS e a Motorola, e um sem número de situações, com graus de gravidade distintos, que podem ir desde a simples irregularidade ao crime, e que necessitam ser devidamente esclarecidos através de uma investigação efectuada por um orgão de polícia criminal, não podendo o Ministério Público deixar de ouvir quem fez denúncias tão graves e agir de acordo com o relatado.
Terá sido um pedido de pagamento de 26.000.000 de Euros por parte do SIRESP, sem justificação considerada válida, nem enquadramento orçamental, do que resultariam consequências para os envolvidos, entre estes para o Secretário-Geral do Ministério, mesmo que agindo por ordem directa do próprio Ministro, a ser a gota de água, fazendo transbordar um copo que se estaria a encher rapidamente.
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