Assim, tudo aponta para falha humana, e tal parece, numa primeira análise, presente, mas um sistema deste tipo deve prever mecanismos de alerta que mitiguem esta possibilidade, sendo aqui possível que o maquinista do combóio em movimento não tenha sido avisado de obstáculos na via, seja pelo centro de operações, seja por semáforos, dado que, em situação normal haveria um semáforo vermelho a dois quilómetros e meio antes do local da colisão.
Naturalmente, haverá aqui alguma falha no sistema, que, aliás, fora reportado poucos dias antes pela empresa detentora do combóio que ficou imobilizado na linha, e que, tanto quanto se sabe, teria sido reportado noutras ocasiões, pelo que temos que nos interrogar se o sistema de semáforos estaria a funcionar e se, face a uma interrupção completa da circulação, com imobilização, forneceria a informação correcta.
Podemos admitir que o sistema de semáforos detecta combóios em movimento, com base na sua passagem, mas, caso a composição esteja imobilizada e não tenha passado junto de um semáforo activo, não tenha sido detectada, do que decorre que não é enviado um alerta para o semáforo anterior, com a presença de um combóio e com a respectiva velocidade.
Nesse caso, o combóio em movimente avançaria às cegas, sem informação da sinalização, baseando-se apenas na visão do maquinista, informado para avançar de forma normal, que pode ser interpretada de forma dúbia, ou seja, para a central de controle pode ser de forma normal para a situação de não dispor de LZB, à vista, e para o maquinista o poder atingir os 200 quilómetros por hora, com base na informação dos semáforos.
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