quarta-feira, setembro 23, 2026

Tapar o fogo com a peneira - 2ª parte

Já nessa altura, o movimento populacional em direcção às cidades do Litoral era patente, e o estado central, através de vários mecanismos, como a criação de colónias agrícolas, aproveitamento de baldios ou novas edificações, fez um esforço que, nas décadas de 1940 e 1950 teve algum sucesso mas que, na década seguinte, se reverteu, numa altura que coincide com o início da Guerra Colonial.

Portanto, é impossível alegar que o despovoamento do Interior é algo de recente ou que terá surpreendido decisores políticos que, ao invés de implementarem medidas que contrariassem esta tendência, acabaram por promovê-la, investindo de forma massiva no Litoral, onde a rentabilidade a curto prazo seria superior, do que resultou um cada vez maior desequilíbrio nos vários territórios e perda de coesão nacional.

Ao estimular este desequilíbrio, não obstante algumas medidas que apenas tendem a maquilhar a realidade, como algunms isenções e benefícios fiscais que, face às penalizações resultantes de uma conjuntura desfavorável, se revelaram insignificantes, as assimetrias regionais aumentaram e, com elas o despovoamento do Interior acelerou, resultando numa autêntica resignação por parte dos decisores políticos, que a deixaram de combater, limitando-se a lamentá-la.

A própria mensagem, que aparenta ser contraditória, com estímulos fiscais por um lado e encerramento de serviços e valências essenciais por outro, acaba por ser absolutamente clara, propondo alguns ganhos marginais, cujo montante depende do rendimento individual ou familiar, mas que, para baixos rendimentos, ronda a insignificância, contra um prejuízo objectivo, que compromete bem estar e segurança.

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