sexta-feira, outubro 16, 2026

"O SIRESP não serve para nada" - 2ª parte

Um problema amplamente relatado pelo dirigente demitido será o desperdício de verbas, com gastos sumptuosos em sede, viaturas topo de gama, serviços jurídicos e de consultadoria, para além de vencimentos para pessoal dirigente que vai muito para além do razoável, restando pouco mais de metade para a área de operações, do que resulta escassez de meios e fraco investimento. Sem sequer um contrato-programa, num clima de completa opacidade, com uma estrutura hierárquica e dependências funcionais pouco claras, sem que os responsáveis do SIRESP respondam às questões da secretaria-geral do MAI, tornando um escrutínio e fiscalização virtualmente impossíveis, com responsabilidades a recairem não apenas sobrea a direcção do SIRESP, mas também sobre os dirigentes do próprio ministério.

Temos vindo a abordar diversas questões relacionadas com o SIRESP desde há muito, sendo óbvio que esta rede, baseada em tecnologias obsoletas, incapaz de oferecer as funcionalidades exigíveis nos dias de hoje, sem as redundâncias que permitam manter comunicações em caso de falhas ou de excesso de tráfego, há muito devia ter sido substituída, sendo virtualmente inútil investir na modernização de uma estrutura conceptualmente ultrapassada.

Mesmo que a frase do demitido Secretário-Geral possa ser enquadrada na conflitualidade das relações pessoais ou da luta política, ela traduz uma realidade impossível de negar, a de que o SIRESP é uma inutilidade, um sorvedouro de dinheiro que dedia ser investido numa solução moderna, capaz de oferecer as funcionalidades necessárias e manter as comunicações mesmo sob pressão ou quando parte da rede é danificada, e que, com uma menor verba, ofereceria inegáveis vantagens.

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