sexta-feira, setembro 13, 2024

Decisões erradas - 4ª parte

Em ambos os casos, à luz das informações disponíveis, um conjunto de circunstância, que pode ou não incluir um mau julgamento por pare dos pilotos, seja na avaliação do estado em que se encontrava a aeronave, seja do local de aterragem, um conjunto de circunstâncias, ainda não completamente conhecidas, contribuiram para um desfecho que num caso foi fatal, e que poderia, igualmente, sê-lo, na segunda situação, de um dado local para aterragem, no primeiro caso assumindo um risco de consequências imprevisíveis, no segundo desconhecendo algo que parece ser quase intuitivo de perceber.

Seja no primeiro caso, no regresso de uma missão, seja no segundo, no socorro a uma vítima que não se encontrava em estado grave, pelo que as consequências de uma pequena demora seriam mínimas, as acções dos pilotos devem ser escrutinadas e devidamente avaliadas no âmbito de uma investigação que terá que estabelecer não apenas as causas dos acidentes, mas também de rever procedimentos, como forma de prevenir situações futuras, os quais devem ter a devida divulgação, passando a fazer parte dos manuais e literatura associada a cada modelo de aeronave.

Naturalmente, mesmo considerando-se a presença de erros nas várias intâncias decisionais. estes não foram propositados, tendo, potencialmente, consequências para os próprios pilotos, mas será necessário avaliar cada decisão à luz do que destas resultou, dado que parece inexplicável o assumir riscos que parecem desnecessários ou efectuar manobras imprudentes em ambientes com especificidades que deverão ser do conhecimento geral.

Sendo que a culpa, ou a responsabilidade, não pode morrer solteira, também não deverá ser atribuida sem uma averiguação conclusiva, e sabemos que nem sempre se pode alcançar um grau de certeza que permita estabelecer uma causa, para além de qualquer dúvida razoável, e menos ainda a quem, sem uma responsabilidade objectiva, se destine apenas a satisfazer a necessidade de encerrar um processo que, caso não haja conclusões, resultará no descrédito das instituições, por muito imerecido que tal seja.

quinta-feira, setembro 12, 2024

Novos "outdoors" em Lisboa são perigosos - 1ª parte

Quem reside em Lisboa, certamente ter-se-à apercebido da colocação de novos "outdoors", ou painéis publicitários, junto das vias de circulação, em locais onde, sendo facilmente visualizáveis pelos condutores, contribuem para a distração dos mesmos, podendo contribuir para aumentar uma sinistralidade rodoviária já bastante elevada.

É de notar que, pelo seu posicionamento, estes painéis não se destinam a ser visualizados por peões, embora tal, naturalmente, possa acontecer, sendo posicionados de forma a que sejam os automobilistas os principais destinatários, o que contraria princípios e legislação que estabelece as condições para colocar publicidade junto de vias de circulação.

Há vários anos, nova legislação resultou na remoção dos inúmeros painéis que ladeavam estradas nacionais e auto-estradas, passando para as câmaras municipais o licenciamento dentro do espaço urbano, sendo óbvio que se aplicam os mesmos princípios em termos de segurança, sendo de evitar elementos que prejudiquem a concentração dos condutores ou que, em caso de acidente, possam agravar as consequências.

O tipo de conteúdos, incluindo-se aqui forma e iluminação, mereceram especial atenção, mas também os materiais utilizados, a forma de instalação e o local da mesma mereceram atenção por parte do legislador, com a primazia da segurança a orientar a legislação que, tendo sido aplicada fora das localidades de forma bastante correcta, dentro do espaço urbano levanta muitas questões.

quarta-feira, setembro 11, 2024

Dia do Bombeiro Profissional

Comemora-se hoje, dia 11 de Setembro, o Dia do Bombeiro Profissional, numa data que coincide com os terríveis ataques contra as Torres Gémeas, onde perderam a vida quase 3.000 pessoas, excluindo causas indirectas, mas também do acidente ferroviário de Alcafache, que poucos recordam, e no qual morreram, estima-se, perto de 150 pessoas, existindo fontes que apontam para números que podem passar para o dobro.

Este Dia foi instituido como forma de homenagear os 344 bombeiros, incluindo um elemento de patrulha, que, nesta data, perderam a vida nos ataques em solo americano, bem como todos os que, posteriormente, vieram a perder a vida em consequência das missões de socorro, e que já excede o número dos que morreram nesse dia trágico, bem como a de todos quantos desempenham o mesmo tipo de missão em todo o Mundo.

Neste dia, não podemos deixar de lembrar todos os bombeiros portugueses, não apenas os profissionais, que entre nós são uma minoria, nem podemos esquecer o acidente de Alcafache, uma enorme tragédia para um país pequeno, proporcionalmente mais pesada do que os ataques às Torres Gémeas, mas cujo impacto foi, a todos os níveis, bem mais diminuto, com poucas melhorias no sistema ferroviário e de socorro a resultar deste terrível acidente.

A estrutura de socorro em Portugal ainda apresenta numerosas falhas, sendo a escassez de bombeiros profissionais uma delas, sendo que tal não coloca em causa o extraordinário trabalho e esforço de milhares de bombeiros voluntários, que continuam a suportar a maior parte do socorro, pelo que se torna imperativo uma maior profissionalização, garantindo meios, condições e uma carreira digna a todos quantos contribuem para manter o País e todos os residentes tão seguros quanto possível.

terça-feira, setembro 10, 2024

Lanterna "led" para vestuário - 1ª parte

As tecnologias actuais permitem dispor de sistemas de iluminação muito flexíveis, capazes de proporcionar diversos tipos de luz, adequadas a diversas situações, que podem ser transportados num bolso ou adicionados a peças de vestuário, sendo activadas pelo utilizador recorrendo a um simples botão e podendo ser utilizadas mesmo em situações climáticas muito adversas.

A lanterna que exemplifica estas características é baseada numa placa de carbono, nalguns modelos destacável, com velcro, e que pode ser usada separadamente, sendo resistente ao choque, pode ser imersa durante períodos curtos e ser usada sob chuva sem problemas, com os botões bem protegidos por capas de borracha.

Estão previstos diversos modos de funcionamento, incluindo luz simples e dupla, ambas com foco alto ou baixo, e modos intemitentes, recorrendo aos "leds" brancos, azul e vermelho, podendo servir como luz avisadora de perigos, com os modos a serem selecionados por um simples botão, num total de 8 combinações possíveis.

Os "leds", para além de proporcionarem um bom nível de luminosidade, mesmo em termos de alcance, com um foco longo, podem substituir os sistemas luminosos usados em emergências, para efeitos de localização, sendo estimado que possa proporcionar até 7 horas de iluminação, dependendo do modo utilizado, após o que requer um carregamento que pode demorar até uma hora e meia.

segunda-feira, setembro 09, 2024

Decisões erradas - 3ª parte

Aliás, estranhamos que, numa missão de evacuação de um ferido ligeiro, que já teve alta hospitalar. se tenha recorrido a transporte áereo, que devia estar reservado a situações de maior gravidade, e, sobretudo, que, ao contrário do previsto, por decisão do piloto, tenha aterrada numa pedreira e não no parque onde fora preparada a aterragem, obviamente a uma distância maior, mas em condições de segurança adequadas à operação de uma aeronave.

A coordenação das missões, manifestamente, teve falhas, com o helicóptero de combate aos fogos a ser dispensado à chegada, não tendo o piloto sido avisado da inutilidade do voo, enquanto na missão de evacuação, a opção pela evacuação aérea, havendo poucos meios disponíveis, levanta dúvidas quanto à adequação desta opção, que nos parece incompatível com os procedimentos estabelecidos.

Outro argumento que especialistas contestam, é a possível falha temporária do sistema hidráulico do helicóptero que caiu no Douro, contemplada em situações muito específicas, no caso de manobras muito bruscas efectuadas à velocidade máxima, e que teriam consequências durante um período máximo de 3 segundos, constante da documentação do aparelho, que, na altura do mencionado desvio de uma ave, dificilmente iria à velocidade máxima, injustificada numa situação de regresso à base, após abortar uma missão, e que, portanto, não implicaria uma pressa que justificasse um voo nos limites.

A possível avaria do comando de passo cíclico, uma das possibilidades apontadas, faz mais sentido, porque faz o helicóptero perder capacidade direcional, mas a velocidade do impacto aponta para algo mais extenso, eventualmente incluindo a do passo colectivo, o que representaria, virtualmente, um colapso dos comandos, já que o recurso aos pedais pouco poderia alterar uma trajectória que, no caso concreto, era descendente, e a velocidade que seria a de cruzeiro, acrescida do aumento provocado pela descida.

domingo, setembro 08, 2024

Aplicações a actualizar - 1ª parte

Existe um conjunto de aplicações que convém actualizar, mesmo que tenham sido actualizadas recentemente, seja porque implementam novas funcionalidades, seja porque vêm corrigir erros inesperados em versões estáveis de produtos conhecidos e utilizados por milhões de utilizadores em todo o Mundo, o que vem demonstrar que, mesmo nas melhores aplicações, podem surgir problems e a necessidade de proceder a actualizações é constante.

A última versão estável do navegador Opera, a 113, tem apresentado alguns erros ou falhas, que podem ir desde a interacção com o explorador de ficheiros à transferência de ficheiros da Internet, para além de alguma instabilidade, o que já levou a duas actualizações na última semana, sendo de proceder à actualização com rapidez.

O Whatsapp tem vindo a disponibilizar novas funcionalidades, algumas apenas disponíveis nas versões Beta, facilitanto a mudança de estados, disponibilizando ligações para chamadas de grupo de forma simplificada, melhorando a gestão de contactos e a sincronização entre dispositivos, podendo estas novidades serem encontradas em versões Beta 2.24.19.14 e posteriores.

Também no Google Photos a pesquisa, usando palavras, foi francamente melhorada, com recurso a inteligência artificial, podendo-se procurar, por exemplo, um determinado objecto num dado enquadramento ou com uma caracterização específica, com resultados que, não sendo perfeitos, são agora mais restritos e tendencialmente de acordo com o pretendido.

sábado, setembro 07, 2024

4 anos de "webcam" 2K - 2ª parte

O sistema de lentes é eficaz, com camadas sucessivas, que melhoram a visualização, equilibram cor e luminosidade e reduzem embaciamento, mas requer uma luminosidade adequada, tendo um ângulo de 120º, suficientemente amplo para, a uma distância normal, que estimamos em perto de meio metro, cubra o utilizador e um quadro próximo.

O pequeno tripé ajustável, apesar de algo frágil, é estável e seguro, capaz de manter a posição e âgulo da câmara, sendo uma mais valia, no nosso caso essencial para uma utilização adequada, com a comunicação com o computador a ser estável, podendo, no entanto, ser necessário desligar e voltar a ligar após um número elevado de actualizações do sistema.

Também é de elogiar a compatibilidade com os vários sistemas Windows mais recentes, sendo reconhecida de forma automática e dispensando a instalação de controladores próprios, o que evita a introdução de "software" de outra proveniência que não a da própria Microsoft, algo que consideramos sempre um risco, dado que pode ter vulnerabilidades que desconhecemos.

Disponível em versão que vão desde o 1K até ao 8K, todas com focagem automática, e com preços que variam entre pouco mais de 20 Euros e terminam perto dos 46 Euros, incluindo IVA e portes, para o conjunto que inclui o tripé, cabo de ligação e manual, esta é uma solução prática, de configuração automática, capaz de satisfazer a maioria dos utilizadores, mesmo os mais exigentes.

sexta-feira, setembro 06, 2024

Decisões erradas - 2ª parte

No caso do helicóptero ao serviço do INEM, a enorme núvem de poeira levantada pela deslocação de ar resultante do rotos, na altura em que tentava aterrar numa pedreira, para proceder à evacuação de um ferido, resultou na perda de visibilidade do piloto, que perdeu o controle da aeronave, embatendo em diversas árvores antes de esta cair no solo, felizmente sem causar vítimas.

Quem já entrou numa pedreira, quem conduziu um veículo no seu interior ou, simplesmente, conhece o seu funcionamento, terá que ter a noção do pó que resulta da actividade de extracção e o efeito que uma deslocação de ar, sobretudo a provocada pelo rotor de um helicóptero, tem neste tipo de ambiente, sendo óbvio que se iria levantar uma enorme núvem de poeira e a consequente perda de visibilidade.

Obviamente, desconhecemos se a manobra efectuada após a perda de visibilidade, e a entrada de pó para o interior do motor, e mesmo para o habitáculo, caso uma janela estivesse aberta, foi a mais correcta, podendo mesmo ter agido da melhor forma para evitar uma situação perigosa, mas que decorre da decisão de tentar aterrar numa pedreira, com tudo o que tal implica.

Tendo em conta o volume e o tipo de pó que resultou da aproximação do helicóptero, mesmo que o piloto tenha subido, evitando uma colisão. temos dúvidas quanto à possibilidade de um motor, sem filtros adequados a situações mais extremas, manter o funcionamento normal, com índices de potência durante o tempo suficiente para aterrar de emergência num local onde a manobra se pudesse efectuar de forma segura.

quinta-feira, setembro 05, 2024

Selecionar equipamentos com actualizações futuras - 2ª parte

É de notar que diversos equipamentos adquiridos via operadores, com programação própria, o que pode incluir desde limitações funcionais até à inclusão obrigatória de "software" próprio, podem não permitir o mesmo tipo de actualização de um dispositivo sem qualquer vínculo, dito "livre de operador", e que tenha instalado um sistema operativo padrão, sem extras, e, naturalment, sem restrições.

Sabemos que existem cada vez mais fabricantes no mercado dos dispositivos móveis, alguns oferecendo propostas com características interessantes por um preço muito baixo, mas para muitos destes ao baixo preço corresponde um muito escasso investimento em suporte técnico e em actualizações, deixando modelos aparentemente promissores cair situações de risco que podem por em causa os dados do utilizador.

Manter os próprios dados protegidos e contribuir para a segurança global, no sentido de promover uma Internet mais segura, merece algum investimento, pelo que fazer a seleção de um equipamento entre os que serão actualizados, algo que acaba por ser inerente a um conjunto relativamente restritos de fabricantes, faz todo o sentido, tendo como efeito colateral pressionar outros fabricantes a seguir o mesmo exemplo e, eventualmente, limitando o número de dispositivos expostos em uso.

Naturalmente, um dia, as actualizações para um dado modelo poderão terminar, tendendo esse dia a ser mais tardio para equipamentos de melhor qualidade e de fabricantes mais conceituados, o que, no final, irá determinar, num período de meses, o termo da vida útil do equipamento, quando as novas aplicações forem incompatíveis com a versão do sistema operativo instalado, tornando-o virtualmente inútil para uma utilização normal, podendo, eventualmente, ser usado noutras funções.

quarta-feira, setembro 04, 2024

Decisões erradas - 1ª parte

A queda de um segundo helicóptero, este ao serviço do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e, felizmente, sem causar vítimas, menos de uma semana após a trágica queda do helicóptero na qual perderam a vida cinco militares da Guarda Nacional Republicana (GNR), sendo uma coincidência, apresentam um traço comum a nível das causas.

À medida que vão sendo apurados dados sobre a queda do helicóptero onde perderam a vida os militares da GNR, surge a possibilidade de que o rotor traseiro, essencial para manter o equilíbrio e direcionalidade do aparelho, ter embatido num obstáculo e, mantendo-se em funcionamento, estaria danificado, correndo o risco de perder a sua funcionalidade.

Do relatório preliminar consta um devio, em local indefenido, para evitar uma colisão com uma ave de médio porte, sem revelar se teria ou não havido um impacto, após o que terá retornado à rota inicial, portanto com o piloto a assumir que o helicóptero estaria em boas condições, o que implicaria não se ter apercebido de qualquer impacto e, obviamente, da presença de danos na aeronave.

Mesmo que sem consequências aparentes, caso o impacto tivesse sido sentido pelos ocupantes da aeronave, o piloto pode ter considerada a situação estar sob controle, o que significa fazer uma avaliação da situação e assumir o risco inerente, sendo que, caso houvesse a percepção de que o rotor traseiro tivesse sido impactado, como ou sem danos, a opção de manter o voo como previsto em vez de aterrar o mais depressa possível parece pouco prudente perante a simples possibilidade de falha de um orgão determinante para o controle em voo.