Quando o Estado encerra serviços, como tribunais, escolas, hospitais ou outras unidades de saúde, ou as priva de valências essenciais, entre outros, envia uma mensagem clara às populações, sobretudo às camadas mais jovens, que serão as que mais necessitam de todos os serviços encerrados e ainda têm capacidade de mobilidade, mas com especial incidência nas jovens famílias com filhos em idade escolar.
Para muitas famílias, residir num local onde uma urgência hospitalar se encontra a dezenas de quilómetros, que por vezes devem ser percorridos em estradas perigosas, quase intransitáveis no Inverno, representa colocar em risco os filhos, igualmente privados de escolas nas proximidades e que, em consequência podem ver-se obrigados a longas viagens em cada dia de aulas, com todos os riscos que tal implica.
Também a vida social fica gravemente prejudicada para as famílias mais jovens, em número muito reduzido, e para as crianças, que enfrentam dificuldades em encontrar com quem conviver e brincar, situações que impactam muito negativamente no desenvolvimento pessoal e promovem situações de tensão que resultam de uma forma pouco natural de isolamento funcional.
Ao potenciar um problema que sabemos existir há muito, o Estado contribui de forma decisiva para desertificar o Interior, forçando as populações a deslocar-se para o Litoral onde, se por um lado encontram aquilo que perderam nas suas terras de origem, por outro defrontam-se com outros problemas, como o custo da habitação, contribuindo para o aumento do custo que esta tem nas grandes cidades e que afecta, de forma similar, todos os residentes que não tenham casa própria.
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