
Um helicóptero durante o combate às chamas
Os incêndios nas ilhas Canárias, que já fizeram 13.500 desalojados, ainda não foram controlados, mas já se encontram circunscritos.
Os fogos que desde a passada sexta-feira devastam as ilhas de Tenerife, Gran Canária e La Gomera já destruiram mais de 35.000 hectares de floresta e assumem-se como a pior catástrofe ecológica de sempre no arquipélago das Canárias.
A extensão da destruição e os efeitos sobre o eco-sistema já levaram o Primeiro-ministro espanhol, José Luís Rodriguez Zapatero, a deslocar-se ao arquipélago para, em conjunto com as autoridades locais, defenir quais as medidas a tomar.
O fogo na ilha de Gran Canária foi ateado por um guarda-florestal, que temia ficar sem emprego após o termo do contrato que terminava em breve, e já destruiu cerca de 20.000 hectares de floresta, para além de obrigar a evacuar perto de 5.000 habitantes.
Também em Tenerife existem suspeitas de o fogo ter origem criminosa, tendo ardido mais de 15.000 hectares e obrigando cerca de 8.000 pessoas a abandonar as suas casas.
Comparando a área atingida pelos incêndios com o total das ilhas, e percentagem de destruição terá sido devastadora para o eco-sistema, comprometendo espécies autóctones, algumas das quais apenas existentes neste arquipélago e podendo ter atingido reservas ou cursos de água, de que dependem diversas actividades económicas.
Para além da destruição causada no eco-sistema, prevê-se que o turismo, actividade essencial para a sustentabilidade das ilhas, seja fortemente atingido, não obstante as estâncias balneares não terem sido afectadas directamente, facto que pode dificultar as estratégias de recuperação a elaborar pelas autoridades.
O Verão particularmente quente em diversos países mediterrânicos, e a cujas altas temperaturas Portugal tem escapado, tem contribuido para a fácil propagação de incêndios que têm vindo a devastar enormes áreas florestais, colocando em perigo pessoas e bens e causando prejuizos incalculáveis.
Vários destes países, como a Espanha, dispoem de sistemas de combate a incêndios adequados, com um número de meios materiais e humanos considerado suficiente para enfrentar a maioria das situações, mas que se têm demonstrado inadequados perante incêndios com as dimensões dos que ocorreram nas Canárias.
A conjugação de uma orografia complexa, altas temperaturas e, infelizmente, mão criminosa, tem resultado em incêndios particularmente difíceis de combater, independentemente dos meios e recursos disponíveis, constituindo um aviso e um alerta para quem, por circunstâncias que não domina, tem interpretado a situação que se vive em Portugal como resultado de medidas que, na verdade, podem representar muito pouco.