quinta-feira, maio 18, 2006

Google Maps e suporte de GPS


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Écran de Google Maps With GPS Tracker 2

O Google Maps utiliza o mesmo suporte de informação do Google Earth, mas dispensa a instalação de um programa, o que o torna mais lento mas unicamente dependente do "browser".

Desta forma, abrindo uma sessão de "browser", pode-se consultar mapas de todo o Mundo, independentemente da plataforma ou do sistema operativo utilizado.

Para que se possa utilizar o Google Maps é necessário, logicamente, uma ligação rápida à Internet, pelo que a sua utilização móvel obriga a uma conexão 3G/GPRS ou via WiFi.

Para acrescentar suporte de GPS, é necessário instalar um pequeno programa, o Google Maps With GPS Tracker 2, que permite receber informações posicionais e afixá-los num mapa móvel.

Este "software" requer a instalação do Microsoft NET Framework e um sistema operativo Windows, sendo o "download" gratuito.

Enquanto esperamos por uma versão do Google Earth com suporte GPS NMEA, esta poderá ser uma possibilidade de ter um sistema de orientação interactivo sem a necessidade de instalar nenhum dos programas tradicionais.

66 postos de vigia dão alerta de fogos em 11 segundos


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Torre de vigilância florestal

Os operadores de 66 postos de vigia em funcionamento no país passaram a dispor de um sistema que lhes permite detectar e dar o alerta da localização dos fogos florestais em 11 segundos, garantiu hoje um dos seus criadores.

Pedro Paraíso, director-geral da Lusitânia - Agência de Desenvolvimento Regional, que concebeu e aplicou o "Sistema de Informação para a Prevenção Florestal" (SIPF), explicou em Santa Comba Dão que "o objectivo é tentar minimizar o tempo de alerta e de identificação daquilo que se chama a georeferenciação dos fogos florestais".

Segundo o responsável, o sistema permitirá poupar "entre 10 a 15 minutos por cada detecção", possibilitando às corporações de bombeiros fazerem um ataque mais eficaz.

A fase-piloto de funcionamento do sistema aconteceu na campanha de 2005, em 22 postos de vigia do distrito de Viseu e actualmente, está pronto a funcionar em 66 postos de vigia do país (32 no Centro, 23 no Norte e 11 no Sul), número que a partir de 01 de Junho aumentará para 238.

Pedro Paraíso explicou que o SIPF permitirá, através da utilização da tecnologia GSM, substituir a rede de rádios que existe nos postos de vigia, nos Centros de Prevenção e Detecção (CPD) e nos Centros Distritais de Operações de Socorro (CDOS), e que tem demonstrado fragilidades.

"A rede de rádio só pode ter um interveniente de cada vez a falar, com a que utilizámos todos os postos de vigia, todos os CDOS e CPD estão interactivamente na operação e em onze segundos temos a identificação da georeferenciação do fogo florestal", disse aos jornalistas depois de uma simulação, em Santa Comba Dão, de como funciona o sistema.

Até agora, o operador do posto de vigia, através de uma mesa de ângulos e dos binóculos, determinava o azimute, ou seja, "um ângulo que, através de uma recta imaginária, consegue determinar a localização de uma cortina de fumo".

"O operador pegava num rádio e comunicava ao CPD que estava a ver uma coluna de fumo, o CPD perguntava como era ela e andavam para trás e para a frente com esta situação", explicou, adiantando que "com o SIPF, depois de detectar através da mesa de ângulos e dos binóculos a cortina de fumo, o operador em causa digita num aparelho o azimute, informação que segue para o sistema como se de uma simples mensagem de telemóvel se tratasse".

O sistema detecta "qual é o posto de vigia que está nas imediações" e que deve mandar o outro azimute e interpela-o, permitindo "uma triangulação, coisa que não era possível no passado".

Uma vez encontrada a localização do fogo através do cruzamento dos azimutes, o CDOS, "que está a ver on-line tudo o que se está a passar", comunica com a corporação de bombeiros mais próxima, acrescentou.

A instalação do sistema está actualmente concluída nos 18 CDOS e CPD do país.


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Zona de Gouveia em mapa com projecção 3D

Na verdade, o uso de GSM, ou seja da rede de comunicações móveis, é algo que se faz há muito em caso de emergência, seja por parte de entidades oficiais, seja pela população em geral.

Também, segundo as notícias publicadas, é necessário que haja confirmação automática da resposta e que eventuais danos provocados pelos incêndios não impeçam a rapidez de comunicação que se pretende alcançar.

Por outro lado, o sistema de triangulação, dado que este continua a ser feito através do cruzamento de azimutes a partir de dois ou mais postos, implica que só após dois postos terem avistado o fogo, é possível dar início ao processo de localização.

O facto de ser um sistema automático a determinar o posto que fará a triangulação, para além de ter necessidade de uma programação exacta que tenha em conta questões topográficas, evitando contactar um posto que, mesmo sendo o mais próximo, pode não visibilidade, acaba por continuar a depender quase exclusivamente da acção do observador.

O processo que propusemos, utilizando cartografia digital, com "software" comercial de baixo custo capaz de gerar mapas tridimensionais, permite a um único operador, colocando o cursor no local do fogo, obter coordenadas rigorosas, que podem ser de imediato transmitidas a meios aéreos ou a um centro de coordenação, através de um sistema de georeferenciação.

Com a configuração do terreno em formato tridimensional no sistema informático, tal como surge em formato reduzido na imagem apresentada, a comparação com o que se visualiza é facilitada e permite decisões rápidas e acertadas que podem dispensar informações adicionais, de modo a enviar um alerta mais rápido a partir do próprio equipamento.

No entanto, a solução no futuro passará por um sistema inteiramente automatizado e centralizado, com recurso a satélites da rede europeia (ESA) e sondas terrestres, cujo tempo de resposta será tendencialmente imediato e que esperamos ver em breve em testes operacionais.

quarta-feira, maio 17, 2006

Estatuto do bombeiro em alteração


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Site da Associação Portuguesa de Bombeiros Voluntários

O Parlamento vai criar uma comissão para estudar a alteração do Estatuto Social do Bombeiro, disse à agência Lusa o presidente da Associação Portuguesa de Bombeiros Voluntários (APBV), citando o presidente da Assembleia da República (AR).

A garantia foi dada pelo presidente da AR, Jaime Gama, a Paulo Jesus numa audiência concedida à APBV para entrega de uma petição assinada por mais de 5.000 bombeiros voluntários, solicitando a revisão urgente daquele estatuto.

"O presidente da AR mostrou-se bastante receptivo. Vai ser criada uma comissão para análise das nossas propostas", salientou o presidente da APBV.

Paulo Jesus presidente desta associação fundada há cinco meses, acrescentou ainda que, "em princípio, a petição entregue ontem vai ser discutida em plenário da Assembleia da República, porque ultrapassa o mínimo de 4.000 assinaturas previsto na lei".

A APBV defende no seu projecto de Estatuto Social do Bombeiro um regime fiscal específico, a revisão das contribuições para a Segurança Social e a isenção do pagamento de determinadas taxas municipais.

O projecto prevê também isenção das propinas para os filhos, prioridade no acesso a lares de terceira idade e centros de dia, isenção de taxas moderadoras para familiares directos dos bombeiros e compensação para as entidades patronais pela ausência do bombeiro em serviço e formação.

Aquando da apresentação da associação, em Dezembro de 2005, Paulo Jesus afirmou que a APBV nascia para apoiar jurídica e socialmente os voluntários, mas também para apresentar propostas ao Governo para alteração do Estatuto Social do Bombeiro.

Paulo Jesus considera que os "bombeiros devem ter benefícios fiscais em sede de IRS e estar isentos das taxas de saneamento e resíduos sólidos, que são cobradas na factura da água", mas estas regalias terão de ser proporcionais ao serviço voluntário prestado por cada um.

Temos conhecimento de diversas petições entregues a comissões da AR que efectivamente nunca chegaram a ser discutidas, muitas delas transitando de uma legislatura para outra sem sequer serem analizadas.

Espera-se que um assunto tão premente como a alteração do Estatuto Social do Bombeiro tenha melhor destino do que outras que, sendo meritórias, nunca encontraram a merecida atenção por parte de quem muitas vezes esquece as responsabilidades do cargo para que foi eleito.

11.000 voluntários sem disponibilidade para combater incêndios


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Incêndio no Verão de 2005

O combate aos fogos está praticamente nas mãos dos bombeiros voluntários, mas mais de um quarto do total de 40.000 admite não ter disponibilidade para combater os incêndios durante o Verão.

Outros 24.000 só o podem fazer parcialmente, pelo que a 100% estão apenas 5.100 homens pagos pelo Estado para garantir os efectivos mínimos do combate.

O problema está a preocupar a Liga dos Bombeiros Portugueses, que apela à criação de uma estrutura profissional que assegure o socorro à população.

O Governo reconhece esta carência e lembra que já tomou medidas, criando o Grupo de Intervenção, Protecção e Socorro (GIPS), que integra 34o militares da Guarda Nacional Republicana (GNR) e tem provocado diversas polémicas com os bombeiros.

As estatísticas do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC) dão conta de 40.000 voluntários, mas, na prática, segundo admite o presidente da Liga, Duarte Caldeira, "este universo é potencial, pois não estão todos em permanência".

Se ao total de voluntários forem subtraídos os 5.100 homens que compõem as equipas de actuação permanente, contratados nesta época e devidamente pagos, restam 35.000.

Neste número, diz a Liga, há 24.000 homens que têm uma "disponibilidade razoável" e podem dedicar 48 horas semanais equanto os outros 11.000 não têm quase tempo para combater os incêndios.

Duarte Caldeira acrescenta: "É preciso avaliar se não há uma percentagem de homens, que julgo ser pequena, que não estão a assumir os mínimos que justifiquem a sua condição de bombeiro".

A crescente dificuldade das empresas também leva os patrões a dispensar menos vezes os seus funcionários e a justificação das faltas dos que vão para os incêndios fica ao critério da entidade patronal e sujeita à sua sensibilidade.

Esta compreensão, muitas vezes, esgota-se rapidamente, dada a falta de compensação para as entidades empregadoras que, sobretudo em unidades de pequena dimensão e confrontadas com o período de férias, não podem prescindir de funcionários essenciais ao seu funcionamento.

O presidente da LBP reconhece que há zonas onde recrutar voluntários é cada vez mais difícil, mas prefere não falar em crise de voluntariado, contrapondo que "há sim uma falta de disponibilidade cada vez maior dos próprios voluntários, que hoje têm a vida profissional e pessoal mais complicada."

Esta realidade é evidente e já levou as entidades responsáveis a tirar as devidas ilações, reforçando o dispositivo com 1.500 elementos, divididos entre acções de detecção, vigilância, primeira intervenção e combate.

As equipas de combate foram alargadas e contam com 5.100 pessoas, mas o aumento deste efectivo, que antes formavam os Grupos de Primeira Intervenção (GPI), traz custos adicionais para o Estado, pois estes voluntários recebem um prémio de 40 euros por dia.

No total, e durante a fase de risco mais elevado que abrange Julho, Agosto e Setembro, o dispositivo operacional conta com 7.750 homens mobilizados directamente para esta missão, número que parece insuficiente para fazer face a uma tragédia cuja dimensão tem aumentado nos últimos ano e que, só em 2005, matou 21 pessoas e devastou mais de 325.000 hectares de floresta.

Efectivamente, a crise de voluntariado é sobretudo local, dado que continua a existir em Portugal um largo números de voluntários, que colaboram nas mais diversas actividades, mas que surgem centralizados em áreas urbanas de alguma dimensão.

Esta crise, a haver, tem razões exógenas à própria vontade ou vocação das populações, e surge sobretudo em zonas do País particularmente deprimidas, envelhecidas e desertificadas, traduzindo assim mais uma realidade demográfica do que uma qualquer opção deliberada.

Este problema estrutural, tem a ver com as condições sócio-económicas do Interior, de que resultam consequências demográficas conhecidas por todos quanto estudam o assunto sem escamotear a realidade, tem sido ignorada pelos sucessivos governos, que continuam a apostar sobretudo no Litoral, onde existem melhores infraestruturas, em vez de optar por medidas que reforcem a solidariedade nacional.

terça-feira, maio 16, 2006

Gmail com imagens


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Logo do Gmail

O facto de o Google Talk permitir incluir uma fotografia de cada participante, tal como acontece com o Microsoft Messenger, permitia antever que o mesmo aconteceria com o Gmail.

Esta característica já está disponível, permitindo associar a cada endereço electrónico uma imagem identificativa.

Lembramos que o Google Talk permite funções de "instant messaging" sem a necessidade de instalar "software" adicional, o que permite contornar alguns problemas em empresas ou entidades onde o utilizador não tem autonomia para adicionar programas.

Também recordamos que ainda temos endereços de Gmail disponíveis e que para os obter, basta contactar-nos.

Bombeiros profissionais temem "Verão negro"


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Combate a um incêndio florestal em 2005

"Em Portugal, a sustentabilidade do socorro tem como referência os bombeiros voluntários. O voluntariado é importante, mas tem que ser um complemento às estruturas profissionais", afirmou o presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP), à margem do 5º Congresso Nacional dos Bombeiros Profissionais, que decorreu na Póvoa de Varzim.

O presidente da ANBP lamenta que as críticas dos bombeiros se repitam de ano para ano e antevê mais um "verão negro" para os soldados da paz.

"A estrutura de socorro em Portugal tem que ser apoiada nos bombeiros profissionais. Não pode estar apoiada numa estrutura de voluntários sem organização, sem disponibilidade e sem formação", afirmou ao Jornal de Notícias Fernando Curto, acrescentando que esta continua a ser a grande reivindicação do sector.

Fernando Curto acusa o Governo de continuar "a adiar a uniformidade do sector", alheando-se das responsabilidades sobre os corpos profissionais, que legalmente se encontram sob a dependência das câmaras, que, por sua vez, "não têm a responsabilidade que devem ter".

No "jogo do empurra", diz Fernando Curto, é a prestação de socorro às populações que é prejudicada, manifestando preocupação quanto à época de incêndios que se avizinha.

"Algumas das medidas propostas por nós não foram implementadas pelo Governo. Faltou cumprir os relatórios da COTEC (Associação Empresarial para a Inovação) e da Comissão Parlamentar, que era sustentabilizar e profissionalizar mais este sector", explicou.

"Profissionalizar não é necessariamente gastar mais", finalizou, lembrando os milhares de euros e as vidas humanas perdidos nos incêndios todos os anos, que justificam o investimento.

Nas conclusões do congresso pode ler-se que "todos os relatórios produzidos nos últimos três anos pelas mais credíveis instituições não foram matéria suficiente para que o senhor ministro da Administração Interna tenha aceite as propostas (...) apresentadas para um maior investimento numa estrutura mais organizada de bombeiros profissionais".

"Em vez disso, o senhor ministro optou por recrutar elementos da Guarda Nacional Republicana (GNR) para funções que são da responsabilidade dos bombeiros. Não concordamos mas temos de aceitar", refere ainda a associação, que compara os anos de formação técnica contínua dos bombeiros profissionais aos três meses da preparação ministrada aos soldados da GNR.

O secretário de Estado da Administração Interna, Ascenso Simões, reafirmou no encerramento do V Congresso da ANBP que a criação dos Grupos de Intervenção Permanente (GIP) da GNR criados para prevenir fogos florestais irão complementar e não substituir os bombeiros.

"Não decidimos substituir ninguém, bombeiros voluntários ou profissionais. Estes homens da GNR, que terão outras competências no futuro, têm um papel de complementaridade, de ajuda e estruturação do sector, mas nunca substituirão o papel dos bombeiros", garantiu Ascenso Simões.

Efectivamente, não serão as três centenas de militares da GNR que podem substituir os milhares de bombeiros que entrarão em acção, nem tão pouco ter um impacto decisivo, pelo que consideramos que esta opção deriva do facto de o seu estatuto os obrigar a uma maior disciplina e obediência, evitanto assim depender de uma estrutura voluntária que o Governo teme não controlar.

Não temos dúvidas que, caso fosse possível uma militarização dos bombeiros, o Governo não teria criado o GIPS, pois o ideal de estrutura hierárquica que pretende seria implementado sem custos adicionais.

No entanto, como o voluntariado civil e a obediência militar são, "à priori", incompatíveis, a opção foi nitidamente no sentido de constituir uma força considerada obediente e facilmente controlável, sem olhar nem a custos, nem ás consequências em termos operacionais ou à desestabilização que provocou na área do socorro.

segunda-feira, maio 15, 2006

Formação evitaria mortes de bombeiros nos incêndios


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Um dos muitos incêndios florestais ocorridos em 2005

A maioria dos bombeiros desconhece o comportamento do fogo, segundo Xavier Viegas, que estuda há mais de 15 anos os incêndios florestais.

Para este investigador, a aposta na formação e a criação de uma efectiva cultura de segurança evitariam acidentes e mortes, lembrando que só em 2005, 12 homens perderam a vida no combate às chamas.

Os desastres seriam, pois, evitáveis, mas não é só o desconhecimento que os bombeiros têm das manhas do "inimigo" que estão em causa.

Xavier Viegas denuncia também um factor de voluntarismo por parte dos bombeiros, "armados em 'rambos' e movidos por uma adrenalina que pode ser prejudicial", embora, na nossa opinião, tal atitude possa sobretudo derivar de outros factores que vão desde o stress até a um excessivo cansaço.

Como se não bastassem estes factores, há falhas na hora de apurar responsabilidades e tirar ilações do que aconteceu e "tenta-se varrer tudo para debaixo do tapete", evitando assim que se aprenda com os erros, os quais têm tendencia a repetir-se.

"Nos acidentes que investiguei constatei que se devem ao comportamento eruptivo do fogo, situação que a maioria dos bombeiros não sabe identificar", disse ao Diário de Notícias o professor da Universidade de Coimbra e responsável pelo Centro de Estudos Sobre Incêndios Florestais.

Segundo este especialista, ao desconhecer estes factos, os bombeiros não se previnem, colocam-se em risco na frente de fogo e ficam vulneráveis aos acidentes. Não sabem preveni-lo mas dão-lhe um nome, o de "efeito chaminé".

Xavier Viegas diz ainda que a própria doutrina de combate aposta em "atacar a cabeça do fogo ou rodeá-lo", abordagem que, nalgumas situações, pode, e tem, saido cara.

Para evitar a repetição destes acidentes, diz ,"é preciso apostar na formação", tal como temos afirmado, e que deve abranger muito mais do que o simples combate aos incêndios.

O investigador defende ainda que seja "obrigatório fazer uma investigação sempre que há um acidente envolvendo mortos ou feridos".

O Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC) responde que "os acidentes com bombeiros nos incêndios florestais são objecto de relatório inicial efectuado pelos comandantes distritais", mas que em casos específicos, pode ser instruído um inquérito pelo Gabinete de Inspecção a despacho da presidência.

Para evitar a repetição dos acidentes, dos processos de inquérito retiram-se conclusões que são transpostas em recomendações que "são divulgadas pelos corpos de bombeiros".

Opinião completamente diferente têm os representantes dos bombeiros, com Duarte Caldeira, da Liga de Bombeiros Portugueses, que afirma desconhecer esses relatórios e deixa a questão: "O que foi feito para evitar que esses acidentes se repitam?"

Quando se repetem, diz Xavier Viegas, procura-se arranjar maneira de desculpabilizar: "Era o fado, estava no local errado, foi uma fatalidade", enquanto defende análises construtivas, "não para culpar mas para impedir que o erro se repita".

A forma como foi conduzida a investigação do acidente de Mortágua, onde há um ano morreram quatro bombeiros, que já vai na segunda comissão de inquérito, é a prova de que estes não são uma prática corrente, verificando-se que houve críticas de falta de transparência, de pressões e de muitas distorções.

Paulo Jesus, presidente da Associação Portuguesa dos Bombeiros Voluntários, refere os comportamentos de risco que devem ser evitados: bombeiros a combater de T-shirt, viaturas sem condições de segurança e homens que arriscam de mais.

Lemas como "podemos não voltar, mas vamos" são o espelho da atitude que não se deve tomar, com Xavier Viegas a defender mesmo até a existência de um oficial de segurança, responsável por verificar as regras de protecção.

Ainda ontem referimos a questão do apoio médico e da necessidade de uma avaliação constante, sobretudo a nível psicológico, de modo a detectar problemas que poderão ser quase imperceptíveis em testes de rotina feitas em Centros de Saúde por pessoal não especializado.

Mas a avaliação psicológica, que devia ter lugar no próprio processo de admissão, também se destina a evitar riscos excessivos, que podem resultar quer de um excesso de confiança, quer de um excessivo desgaste, agravado pelas consequências da perda de colegas ou amigos, e que pode levar a acções quase suicidas.

Para além das várias propostas que temos feito, a necessidade de uma avaliação psicológica, que deverá ser supervisionada por um núcleo de especialistas, eventualmente acompanhado em trabalhos de campo por estudantes das faculdades de Psicologia, parece-nos tão fundamental como o treino e o reequipamento das corporações.

Apesar da falta de voluntários, e por muito impopular que tal possa parecer, uma rigorosa avaliação de cada bombeiro após cada época de incêndios ou outros periodos de maior tensão, bem como na sequência de experiências especialmente traumáticas, deverá tornar-se obrigatória, de modo a proteger os próprios e as populações que defendem, evitando assim alguns dos graves acidentes que se têm verificado.

Temos vindo a insistir na formação, quer de voluntários, quer de profissionais, mas não podemos descurar o facto de ser necessário avaliar com rigor e objectividade não apenas a preparação técnica, mas todos os requisitos que permitem a cada bombeiro desempenhar as suas funções com um mínimo de riscos, para o que é necessário um acompanhamento individual especializado.

Fase Bravo começa hoje


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Juramento de militares do GIPS

Hoje, início da "Fase Bravo", o Grupo de Intervenção de Prevenção e Socorro (GIPS) estará disponível para acorrer a situações relativas com incêndios florestais, bem como outras emergências onde se verifique ser necessária a sua presença.

O GIPS da Guarda Nacional Republicana (GNR) é um corpo profissional, com três centenas de elementos mobilizados dentro da corporação, que actuará em todo o tipo de catástrofes, como incêndios, sismos e inundações, constituindo uma das maiores novidades deste ano no combate a incêndios.

A criação do GIPS traduz a aposta na primeira intervenção que caracteriza a "Directiva Operacional Nacional de Combate a Incêndios", sendo os militares da GNR os primeiros a chegar perto das chamas, transportados por helicóptero.

Se o fogo deflagrar a 15 minutos de voo ou a 25 quilómetros de uma base, será enviado um aerotanque, para complementar o primeiro ataque, enquanto os restantes casos serão avaliados individualmente, tendo em conta as prioridades de protecção, o dano potencial e o valor estratégico da área.

Em terra, de acordo com a "Directiva Operacional", serão mobilizadas as equipas que estiverem mais perto, quais que sejam, aproximando-se outras equipas, em triangulação, para um eventual reforço, que incluirá, em caso de necessidade, máquinas de arrasto e contra-fogos, de modo a dificultar o progresso das chamas.

A criação e a primazia dada ao GIPS no acesso aos meios que permitem ser os primeiros a chegar aos incêndios, tem criado um manifesto mal estar junto dos bombeiros, que criticaram esta decisão não apenas do ponto de vista operacional, mas também em termos económicos, já que os recursos podiam ter sido atribuidos a quem já tem experiência na área do socorro.

Para além do mais, o GIPS apenas actuará em 5 distritos e, devido aos efectivos e às inevitáveis escalas de serviço, acabará por ter em permanência uma disponibilidade muito inferior ao anunciado pelo Governo.

Conforme temos vindo a referir, num sistema de meios crescente, a esta fase seguir-se-à a "Fase Charlie", no período mais crítico a começar em 1 de Julho, onde todo o dispositivo previsto para este ano deverá ser colocado no terreno.

domingo, maio 14, 2006

Apple lança software que permite usar Windows nos Macs


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Windows XP a correr em Mac Intel

A Apple lançou recentemente um novo software que vai permitir usar os programas do sistema operativo Windows, da Microsoft, nos computadores Macintosh.

O produto pretende tornar as máquinas da empresa mais atractivas para os consumidores, e já fez disparar as acções da Apple em mais de 7%.

O novo software, denominado "Boot Camp", permite instalar o Windows XP nos Macs com processador Intel Core Duo, e optar entre o sistema operativo da Microsoft ou o Mac OS X, da Apple, quando se inicia o computador.

O "Boot Camp" vai fazer parte da mais nova versão do Mac OS X, o Leopard, que será lançado em Agosto, mas já está disponível uma versão beta, para "download" gratuito durante um período limitado.

Numa nota informativa, o vice-presidente da Apple para a área de Marketing Global, Philip Schiller, a empresa "não pretende ajudar a vender o Windows, mas muitos consumidores expressaram interesse em trabalhar com o Windows no hardware de qualidade superior da Apple agora que usa processadores Intel".

No entanto, alguns observam que o "Boot Camp" da Apple só é compatível com o Windows XP, e não com o novo sistema operativo da Microsoft, o Windows Vista, que deve ser lançado no ano que vem, embora nada obste a que uma nova versão do produto da Apple seja compatível com a próxima versão de Windows.

Dado que os progamas geográficos ou de orientação, bem como alguns GPS que utilizamos serem apenas para Windows, a possibilidade de os utilizar em "hardware" Mac, abre um conjunto de possibilidades interessantes, alargando a estes computadores muitos dos recursos que antes lhes eram negados.

Liga exige acompanhamento médico periódico


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Brasão da Liga de Bombeiros Portugueses

A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) exige que os profissionais e voluntários expostos a riscos provocados pelo combate aos incêndios e pelo socorro de vítimas, tenham acompanhamento médico periódico.

A lei orgânica do Serviço Nacional de Bombeiros, que data de 1980, já previa que a existência desta vigilância, mas ainda hoje, os bombeiros portugueses beneficiam apenas de um seguro de acidentes.

A intenção tem 26 anos, mas, segundo o Presidente da LBP, Duarte Caldeira, nunca saiu do papel, apesar de ser uma responsabilidade inquestionável do Estado, visto que estar contemplada na lei orgânica o mecanismo de salvaguarda da vida dos bombeiros.

Actualmente, os bombeiros têm apenas acesso a um seguro de acidentes pessoais, pago pelas autarquias, que confere protecção em caso de acidente de trabalho que provoque morte ou invalidez permamente através do pagamento de uma indemnização.

O seguro paga ainda as despesas de tratamento e repõe as perdas de salário decorrentes do periodo em que o bombeiro estiver de baixa, mas accionar o seguro pode ser, segundo Duarte Caldeira, pode ser uma dor de cabeça devido ao excesso de rigor por parte da seguradoras.

Esta situação resulta, em parte, da lentidão dos processos que se arrastam nos tribunais, dado que, em muitos casos, só após a decisão transitar em julgado as seguradoras procedem aos pagamentos.

A Liga exige que a saúde dos bombeiros expostos a riscos provocados pelo combate aos incêndios e pelo socorro de vítimas seja avaliada periodicamente, tal como previsto na lei orgânica.

Segundo o presidente da Liga, bastaria um núcleo restrito para conduzir um processo por via protocolar, de modo a agilizar o acesso dos bombeiros aos centros de saúde, para que periodicamente pudessem ser alvo de uma bateria de testes e terem o devido acompanhamento.

Exigências que são, diz Duarte Caldeira, conhecidas pelo Governo porque já em Setembro do ano passado, foi entregue nos ministérios da Saúde e da Administração Interna um ofício que pedia a criação deste serviço.

Já não é a primeira vez que assistimos a esta exigência, nomeadamente por parte da Associação Portuguesa dos Bombeiros Voluntários, dado que a falta de acompanhamento tem tido reflexos extremamente negativos.

Igualmente importante, e particularmente negligenciado, tem sido o acompanhamento psicológico, muito menos visível e difícil de avaliar, numa actividade onde os casos de stress pós-traumático são evidentes, dando origem a situações extremamente complicadas que podem durar toda uma vida.

Aliás, este aspecto dos traumas psicológicos, que podem ser agravados quando as vítimas partilham a mesma experiência e estão condenados a conviver, merece um estudo particularmente aprofundado dado aparentar ser ignorado mesmo pelos responsáveis do sector.

Esta será a razão pela qual discordamos do presidente da LBP em relação ao tipo de acompanhamento, considerando que a avaliação deve ser feita em centros especializados, preferencialmente a nível distrital, capaz de responder efectivamente às particularidades deste tipo de situações, e não em centros de saúde onde a sensibilidade e preparação para os problemas resultantes da actividade de socorro podem não ser suficiente.

Os problemas de stress dos profissionais de emergência, e neste caso aproximam-se dos das forças de segurança, têm um perfíl diferente dos sofridos pelos militares, agravados pelo desconhecimento resultante de um menor estudo e falta de estruturas de acompanhamento e por períodos de tensão particularmente prolongados que podem, no limite, corresponder à maior parte da vida destes profissionais.

O acompanhamento médico é um direito fundamental de todos os bombeiros, bem como de todo o pessoal envolvido em acções de socorro, que necessita de ser imediatamente implementado, preferencialmente antes do início do periodo de incêndios que se avizinha.