Já nos insurgimos por diversas vezes contra a não divulgação de relatórios em formato completo e com os documentos de suporte que serviram de base à sua elaboração, mas infelizmente, esta é uma situação que perdura e levanta um justificado clima de desconfiança.
Tal sucede não obstante as promessas de que a divulgação seria completa e atempada e de que o relatório final sobre o ocorrido em Famalicão da Serra, segundo as informações que temos, já estaria concluido.
Só a título de exemplo, o relatório sobre o acidente odne perderam a vida quatro bombeiros dos Sapadores de Coimbra foi refeito e alterado por diversas vezes, enquanto o referente às mortes em Famalicão da Serra continua por divulgar na íntegra, pelo que se pode inferir que ainda não foi encontrada a fórmula mágica que permita a sua publicação sem que haja necessidade de alterações futuras.
Conjugando estas duas ocorrências, apenas se pode concluir que o propósito dos relatórios de acidentes que envolvem a perda de vidas humanas é o de encontrar uma explicação que satisfaça a todos, nos quais podemos incluir desde a estrutura de comando aos decisores políticos, passando por questões relacionadas com seguros ou mesmo com uma suposta protecção da memória dos que perderam a vida.
Neste quase impossível equilíbrio falta, naturalmente, espaço para a verdade, pelo que a divulgação dos documentos de suporte da responsabilidade de especialistas fica, normalmente, fora do alcance de quem pretende compreender o que realmente se passou, de modo a tirar conclusões e evitar que o mesmo erro se repita.
Mas o facto de mencionarmos aqui estas duas ocorrência não é uma coincidência apenas pelo facto de terem ceifado diversas vidas humanas, mas sobretudo pelas circunstâncias, ainda não completamente reveladas, apontarem para a possibilidade, com um alto de grau de probabilidade, de haver causas comuns.
Ambos os relatórios contaram com a participação do professor Domingos Xavier Viegas, que mencionou como causa principal o comportamento eruptivo do fogo e o posicionamento incorrecto dos elementos atingidos por este fenómeno, mas nenhum dos casos se divulgou nem como detectar que uma erupção está eminente ou, pelo menos, quais as condições consideradas necessárias para que esta ocorra, de modo a que haja uma maior prudência por parte de quem estiver envolvido nas operações.
Caso o primeiro relatório tivesse sido apresentado, com todos os documentos e uma análise cuidada que alertasse para as causas e apontasse uma revisão de procedimentos tácticos que evitasse a sua repetição, talvez da introdução de novos conhecimentos nos cursos de formação tivesse resultado um menor risco e, eventualmente, a perda de menos vidas humanas.
Lamentavelmente, não se aprende nem se retiram conclusões de relatórios incompletos, frutos de uma análise política, que podem não traduzir o que realmente se passou, facto que leva a questionar a sua real utilidade, para além da óbvia desresponsabilização ou desculpabilização de um sistema que já provou ser inadequado à realidade.
segunda-feira, novembro 13, 2006
domingo, novembro 12, 2006
Publicidade Land Rover Séries I e II - 6
No link: imagem com 900 pixels de largura
O "Brockhouse" de 15 CWT era um dos modelos que foram adoptados oficialmente pela marca, precedendo os mais famosos "Sankey", sendo vendidos directamente através da rede de concessionários Land Rover.
Com um desenho simples, de construção robusta e dotado de um sistema de travagem, o "Brockhouse" foi comercializado durante um longo período, praticamente coincidente com a produção dos Série I.
Cursos de formação de bombeiros em Bragança em risco
Land Rover Série 3 da Escola Nacional de Bombeiros
Já apontamos para as deficiências destas instalações consideradas provisórias desde a inauguração em 1998, completamente inadequadas a actividades de formação e que apresentam uma degradação visível.
Para além do mau estado de conservação. que se tem vindo a agravar, a falta de espaço limita o alojamento de formandos, os quais são provenientes de diversas zonas do País, pelo que o Centro tem vindo a reduzir o número de cursos e a limitá-los a aulas teóricas.
Desde há vários anos que a Câmara Municipal de Bragança negoceia a transferência do Centro de Formação para outro local, tendo inclusivé cedido um terreno para o efeito, o que obrigaria à construção de um edifício novo.
Em alternativa, a autarquia sugeriu a conclusão do edifício destinado a uma escola de hotelaria, cuja construção está parada há vários anos, opção que, tal como a anterior, tem elevados custos financeiros.
Entretanto, os municípios de Macedo de Cavaleiros e Vimioso, ofereceram-se para acolher o centro de formação, desbloqueando assim uma situação que parece não ter fim à vista e compromete seriamente a formação de bombeiros no Norte do Pais.
Neste jogo de declarações de intenção, de falta de verbas e de incapacidade de decisão, fica comprometida a formação prática dos bombeiros e, em última instância, a segurança das populações, algo que parece não despertar a atenção de decisores que parecem não se lembrar que um dia podem estar entre aqueles que necessitem de socorro.
A secundarização do socorro, que aparece sistematicamente envolvido em problemas de sub-orçamentação, quando comparado com outras actividades de interesse relativo que são fortemente apoiadas, indicía claramente uma visão distorcida da realidade e uma subalternização dos interesses das populações aos de um conjunto de decisores insensíveis a esta realidade.
sábado, novembro 11, 2006
Publicidade Land Rover Séries I e II - 5
No link: imagem com 900 pixels de largura
Após o exemplo da utilização de sistemas de prefuração, o Land Rover é aqui utilizado como estação móvel de soldadura, demonstrando a sua versatilidade para os mais diversos trabalhos.
Tal como anteriormente, a opção continua a ser no sentido de recorrer a impressões ou desenhos artísticos em vez de fotografias, algo que iria evoluir nos anos seguintes, primeiramente através de fotografias retocadas, passando finalmente para uma representação fotográfica directa.
Tragédia ambiental no Gerês
Para além da devastação provocada pelas chamas, o próprio combate aos incêndios aumentou o desastre ambiental que se verifica no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), com centenas de árvores arrancadas pela raiz para prevenir o avanço do fogo.
Nas zonas mais afectadas, podem-se encontrar centenas de metros de árvores tombadas, enormes clareiras e áreas inteiramente queimadas, em parte fruto da intervenção para controlar os fogos. naquilo que o director do PNPG, Henqique Pereira, considera como sendo "um desastre".
Este cenário é visível na zona da "Porta do Mezio", um dos mais importantes pela sua biodiversidade e riqueza natural, mas também dos mais visitados pelos turistas dada a sua beleza paisagística de outrora.
Mesmo discutindo a táctica utilizada, decidida por quem estava no terreno e se confrontava com uma situação particularmente difícil, o facto de passados três meses ainda nada ter sido feito para minimizar as consequências a nível ecológico, ambiental e visual é da maior gravidade.
Para quem recorreu ao método de arrancar centenas de árvores com máquinas de rasto para controlar as chamas, esta seria a única opção possível para evitar o avanço do fogo e permitir aos meios de combate deslocar-se numa zona de muito difícil acesso.
Esta é a justificação de Martins Araújo, vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, que lembra que "era noite e tínhamos que travar o fogo que ameaçava algumas casas", enquanto acusa o Instituto de Conservação da Natureza (ICN) por, três meses após os fogos, "nada ter feito" no sentido de minimizar o impacto negativo.
Efectivamente, responsáveis do ICN e vários políticos, entre os quais o Presidente da República, estiveram nas áras mais afectadas do PNPG a avaliar a situação, mas desde então "ainda não executaram nada", segundo adianta o autarca.
Para o director do PNPG, a táctica utilizada foi errada, conforme é demonstrado pelos resultados e adianta que "este tipo de corta-fogo não são a forma mais eficiente de combatê-los e, em alguns casos, ultrapassaram a barreira criada", mas compreende as decisões tomadas perante uma situação que parecia agravar-se a cada momento.
Henrique Pereira adianta ainda que na próxima semana se vai começar a limpeza de ribeiros, limpar cursos de água e abater milhares de árvores, de modo a abrir novos acessos e evitar o aumento de lamaçais que se espalham por enormes áreas.
"Só as que de alguma maneira foram tocadas pelo incêndio e estão em risco de contrair pragas vão ser cortadas" e, segundo o director do PNPG, a receita da venda das árvores reverte a favor das comissões de baldios.
Em relação à recuperação da zona onde foram abertos os corta-fogos e a necessitar de uma intervenção mais profunda, Henrique Pereira espera ser apoiado pela Câmara Municipal dos Arcos de Valdevez, mas os trabalhos só deverão iniciar-se na próxima Primavera.
Foi, naturalmente, a falta de prevenção e planeamento que permitiu que o incêndio no PNPG lavrasse durante dias e obrigasse a opções tão drásticas como as adoptadas numa tentativa, muitas vezes gorada, de controlar as chamas.
Manifestamente, a opção por deixar áreas sem acesso, como forma de as proteger da acção humana, mas que também limitou a possibilidade de serem acedidas elos bombeiros, contribuiu grandemente para o desastre que todos conhecemos e demonstra que os grandes fogos têm que ser prevenidos e não combatidos.
Igualmente grave, é a falta de recursos do ICN, tantas vezes mencionada, mas que deixa desprotegidas as zonas protegidas à sua guarda, as quais se tornam em pasto de chamas com enorme facilidade e com consequências gravissímas para as populações que aí habitam.
Infelizmente, pouco se tem aprendido com estas tragédias ambientais e duvidamos que antes do próximo Verão existam planos implementados em todas as áreas protegidas, sob pena de, ano após ano, assistirmos ao desaparecimento de zonas de interesse ecológico, agrícola e turístico que demoram anos ou décadas a recuperar.
Nas zonas mais afectadas, podem-se encontrar centenas de metros de árvores tombadas, enormes clareiras e áreas inteiramente queimadas, em parte fruto da intervenção para controlar os fogos. naquilo que o director do PNPG, Henqique Pereira, considera como sendo "um desastre".
Este cenário é visível na zona da "Porta do Mezio", um dos mais importantes pela sua biodiversidade e riqueza natural, mas também dos mais visitados pelos turistas dada a sua beleza paisagística de outrora.
Mesmo discutindo a táctica utilizada, decidida por quem estava no terreno e se confrontava com uma situação particularmente difícil, o facto de passados três meses ainda nada ter sido feito para minimizar as consequências a nível ecológico, ambiental e visual é da maior gravidade.
Para quem recorreu ao método de arrancar centenas de árvores com máquinas de rasto para controlar as chamas, esta seria a única opção possível para evitar o avanço do fogo e permitir aos meios de combate deslocar-se numa zona de muito difícil acesso.
Esta é a justificação de Martins Araújo, vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, que lembra que "era noite e tínhamos que travar o fogo que ameaçava algumas casas", enquanto acusa o Instituto de Conservação da Natureza (ICN) por, três meses após os fogos, "nada ter feito" no sentido de minimizar o impacto negativo.
Efectivamente, responsáveis do ICN e vários políticos, entre os quais o Presidente da República, estiveram nas áras mais afectadas do PNPG a avaliar a situação, mas desde então "ainda não executaram nada", segundo adianta o autarca.
Para o director do PNPG, a táctica utilizada foi errada, conforme é demonstrado pelos resultados e adianta que "este tipo de corta-fogo não são a forma mais eficiente de combatê-los e, em alguns casos, ultrapassaram a barreira criada", mas compreende as decisões tomadas perante uma situação que parecia agravar-se a cada momento.
Henrique Pereira adianta ainda que na próxima semana se vai começar a limpeza de ribeiros, limpar cursos de água e abater milhares de árvores, de modo a abrir novos acessos e evitar o aumento de lamaçais que se espalham por enormes áreas.
"Só as que de alguma maneira foram tocadas pelo incêndio e estão em risco de contrair pragas vão ser cortadas" e, segundo o director do PNPG, a receita da venda das árvores reverte a favor das comissões de baldios.
Em relação à recuperação da zona onde foram abertos os corta-fogos e a necessitar de uma intervenção mais profunda, Henrique Pereira espera ser apoiado pela Câmara Municipal dos Arcos de Valdevez, mas os trabalhos só deverão iniciar-se na próxima Primavera.
Foi, naturalmente, a falta de prevenção e planeamento que permitiu que o incêndio no PNPG lavrasse durante dias e obrigasse a opções tão drásticas como as adoptadas numa tentativa, muitas vezes gorada, de controlar as chamas.
Manifestamente, a opção por deixar áreas sem acesso, como forma de as proteger da acção humana, mas que também limitou a possibilidade de serem acedidas elos bombeiros, contribuiu grandemente para o desastre que todos conhecemos e demonstra que os grandes fogos têm que ser prevenidos e não combatidos.
Igualmente grave, é a falta de recursos do ICN, tantas vezes mencionada, mas que deixa desprotegidas as zonas protegidas à sua guarda, as quais se tornam em pasto de chamas com enorme facilidade e com consequências gravissímas para as populações que aí habitam.
Infelizmente, pouco se tem aprendido com estas tragédias ambientais e duvidamos que antes do próximo Verão existam planos implementados em todas as áreas protegidas, sob pena de, ano após ano, assistirmos ao desaparecimento de zonas de interesse ecológico, agrícola e turístico que demoram anos ou décadas a recuperar.
Google Maps & Personalized Search
Pesquisa personalizada no Google Maps
Com esta alteração, o histórico de cada pesquisa no Google Maps fica disponível, caso tenha sido adicionado aos "bookmarks" ou se encontre entre as páginas visitadas, bastando para tal uma simples consulta para aceder ao mapa pretendido.
Quem tiver as pesquisas personalizadas activas, poderá aceder ao histórico através da opção "Search History", no canto superior direito do Google Maps.
Para que esta possibilidade esteja disponível, é necessário ter uma conta ou "login" no Google, algo que os utilizadores de Gmail têm, e activar as pesquisas personalizadas ou "Personalized Search".
Como complemento às várias possibilidades de personalização oferecidas pelo Google, esta é mais um aque recomendamos sobretudo a quem se interesse por orientação, com recurso a uma ferramenta que, com algum "software" adicional, pode receber informação via GPS.
sexta-feira, novembro 10, 2006
Publicidade Land Rover Séries I e II - 4
No link: imagem com 900 pixels de largura
Dotado de mangueiras com enroladores e agulhetas, o pequeno Land Rover podia ainda transportar elementos que operassem os equipamentos instalados, socorrendo-se de bocas de água existentes nas imediações.
O número de variações de Land Rover ao serviço dos bombeiros é quase infinito, mas foi com a chegada do modelo longo, com maior capacidade de carga, que os Série foram defenitivamente adoptados pelos "soldados da paz", numa ligação que perdura até aos dias de hoje.
As SCUT e os efeitos colaterias
A sucessão de anúncios de medidas casuísticas, de carácter economicista, sem obedecer a um plano de reordenamento do território, começa a tornar-se uma norma, com consequências ainda difíceis de prever, mas que, teme-se, sejam desastrosas para as populações mais directamente afectadas.
Após as alterações propostas à Lei das Finanças Locais, que visam resolver um problema financeiro, mas surge como desenquadrada de um plano mais vasto de redefenição de competências e ordenamento do território, que terá de ser feita rapidamente numa perspectiva de inclusão e de solidariedade nacional, a proposta de introdução de portagens em troços de auto-estrada até hoje sem custos para o utilizador, surge como mais uma medida avulsa onde os estudos foram apenas efectuados numa restrita vertente financeira.
Sendo, por princípio, contra o conceito de SCUT, parece que, por um lado, as contas não estarão correctas e, por outro, os efeitos financeiros poderão não estar devidamente contabilizados, podendo esta medida originar um conjunto de efeitos perversos que estarão a ser pouco discutidos.
A implementação de portagens em alguns troços das SCUT parece ser suportada num conjunto de estudos, com resultados contraditórios, encomendados pelo Governo a diversas empresas, entre as quais uma fundada pelo adjunto do actual secretário de Estado do ministério da tutela.
Para além de pouco abonatório para a credibilidade do mesmo, sobretudo se atentarmos ao facto de a adjudicação do trabalho ter resultado de um ajuste directo e não de um concurso público, o facto de o resultado final coincidir com os interesses do Governo levanta um clima de suspeição, carecendo de uma explicação quanto ao invulgar método de selecção da empresa em causa.
Mas o próprio resultado é discutível se atentarmos aos critério utilizados e que estabelecem que a medição do tempo passa a ser calculada do ponto central de cada localidade de origem e de destino e não apenas do trajecto realizado em estrada fora dos limites urbanos, acaba por tornar inevitáveis os resultados desejados.
Fazendo variar o ponto inicial e final, permite facilmente esbater o efeito do percurso fora de estrada, cujo valor na equação diminui de forma ponderada, criando a ilusão de que a alteração é, na verdade, menos penalizadora do que realmente é.
Desta forma, inverte-se o processo e parte-se do resultado pretendido, estabelecendo depois as permissas e as variáveis que levarão a equação a, inevitavelmente, confirmar aquilo que nunca seria uma surpresa.
Com esta simples alteração, e como o tempo dentro das localidades é constante, independentemente do trajecto fora delas, é fácil atingir ou ultrapassar os 30% propostos em percursos pequenos desde que envolvam partida e chegada em cidades de dimensão pelo menos média ou com um trânsito algo complicado.
Assim se compreende que é possível um aumento de, por exemplo, 50% no tempo de trajecto fora das localidades poder, após ponderado com aquele que se efectua no interior, resultar num aumento total inferior a 30% desde o centro de uma localidade ao de outra, validando assim uma alternativa viária que de outra forma estaria fora dos critérios governamentais.
Surgem, no entanto, algumas questões adicionais, difícil de equacionar, entre as quais a que está relacionada com a segurança em autoestrada e numa normal estrada nacional, que será a escolha de muitos utentes que optam por não pagar as portagens.
Neste caso, as estatísticas que apontam para uma maior segurança nas autoestradas deviam ser tidas em conta, calculando se o custo humano e material dos acidentes justificarão o acréscimo de receitas directas, das quais serão, naturalmente, descontados os prejuizos resultantes de um provável aumento de acidentes, com as consequências que todos intuimos, mas nenhuma estatística revela na totalidade.
O próprio socorro aos sinistrados, que terá de efectuar-se através estradas congestionadas onde ocorrerão a maior parte dos acidentes, irá confrontar-se com as demoras sofridas pelos veículos de emergência que, cumulativamente, se irão deparar com um cada vez maior número de serviços de urgência encerrados e cujos efeito cumulativo presumo não ter sido equacionado.
Mas também a diminuição da produtividade, resultante de maiores demoras nos trajectos, de que reulta uma maior fadiga, deverá ser devidamente equacionada, pois a tal corresponde um menor lucro das empresas e, consequentemente, uma diminuição local da receita fiscal, isto admitindo que não haverá encerramentos ou mudanças para áreas com acessos menos onerosos.
Outros efeitos, igualmente negativos, podem ser equacionados, mas este pequeno conjunto serve de alerta para possíveis consequências de um conjunto de estudos contraditórios e baseados em permissas que permitem manipular os resultados de acordo com os interesses de quem os encomenda.
Falta, portanto, conhecer não apenas a aritmética fácil resultante de alguns somatórios, mas projectar o efeito em todas as áreas que são afectadas, de forma a conhecer os verdadeiros benefícios, caso existam, desta medida completamente desenquadrada do planeamento e do reordenamento do território, algo que tem sido esquecido por sucessivos governos.
Após as alterações propostas à Lei das Finanças Locais, que visam resolver um problema financeiro, mas surge como desenquadrada de um plano mais vasto de redefenição de competências e ordenamento do território, que terá de ser feita rapidamente numa perspectiva de inclusão e de solidariedade nacional, a proposta de introdução de portagens em troços de auto-estrada até hoje sem custos para o utilizador, surge como mais uma medida avulsa onde os estudos foram apenas efectuados numa restrita vertente financeira.
Sendo, por princípio, contra o conceito de SCUT, parece que, por um lado, as contas não estarão correctas e, por outro, os efeitos financeiros poderão não estar devidamente contabilizados, podendo esta medida originar um conjunto de efeitos perversos que estarão a ser pouco discutidos.
A implementação de portagens em alguns troços das SCUT parece ser suportada num conjunto de estudos, com resultados contraditórios, encomendados pelo Governo a diversas empresas, entre as quais uma fundada pelo adjunto do actual secretário de Estado do ministério da tutela.
Para além de pouco abonatório para a credibilidade do mesmo, sobretudo se atentarmos ao facto de a adjudicação do trabalho ter resultado de um ajuste directo e não de um concurso público, o facto de o resultado final coincidir com os interesses do Governo levanta um clima de suspeição, carecendo de uma explicação quanto ao invulgar método de selecção da empresa em causa.
Mas o próprio resultado é discutível se atentarmos aos critério utilizados e que estabelecem que a medição do tempo passa a ser calculada do ponto central de cada localidade de origem e de destino e não apenas do trajecto realizado em estrada fora dos limites urbanos, acaba por tornar inevitáveis os resultados desejados.
Fazendo variar o ponto inicial e final, permite facilmente esbater o efeito do percurso fora de estrada, cujo valor na equação diminui de forma ponderada, criando a ilusão de que a alteração é, na verdade, menos penalizadora do que realmente é.
Desta forma, inverte-se o processo e parte-se do resultado pretendido, estabelecendo depois as permissas e as variáveis que levarão a equação a, inevitavelmente, confirmar aquilo que nunca seria uma surpresa.
Com esta simples alteração, e como o tempo dentro das localidades é constante, independentemente do trajecto fora delas, é fácil atingir ou ultrapassar os 30% propostos em percursos pequenos desde que envolvam partida e chegada em cidades de dimensão pelo menos média ou com um trânsito algo complicado.
Assim se compreende que é possível um aumento de, por exemplo, 50% no tempo de trajecto fora das localidades poder, após ponderado com aquele que se efectua no interior, resultar num aumento total inferior a 30% desde o centro de uma localidade ao de outra, validando assim uma alternativa viária que de outra forma estaria fora dos critérios governamentais.
Surgem, no entanto, algumas questões adicionais, difícil de equacionar, entre as quais a que está relacionada com a segurança em autoestrada e numa normal estrada nacional, que será a escolha de muitos utentes que optam por não pagar as portagens.
Neste caso, as estatísticas que apontam para uma maior segurança nas autoestradas deviam ser tidas em conta, calculando se o custo humano e material dos acidentes justificarão o acréscimo de receitas directas, das quais serão, naturalmente, descontados os prejuizos resultantes de um provável aumento de acidentes, com as consequências que todos intuimos, mas nenhuma estatística revela na totalidade.
O próprio socorro aos sinistrados, que terá de efectuar-se através estradas congestionadas onde ocorrerão a maior parte dos acidentes, irá confrontar-se com as demoras sofridas pelos veículos de emergência que, cumulativamente, se irão deparar com um cada vez maior número de serviços de urgência encerrados e cujos efeito cumulativo presumo não ter sido equacionado.
Mas também a diminuição da produtividade, resultante de maiores demoras nos trajectos, de que reulta uma maior fadiga, deverá ser devidamente equacionada, pois a tal corresponde um menor lucro das empresas e, consequentemente, uma diminuição local da receita fiscal, isto admitindo que não haverá encerramentos ou mudanças para áreas com acessos menos onerosos.
Outros efeitos, igualmente negativos, podem ser equacionados, mas este pequeno conjunto serve de alerta para possíveis consequências de um conjunto de estudos contraditórios e baseados em permissas que permitem manipular os resultados de acordo com os interesses de quem os encomenda.
Falta, portanto, conhecer não apenas a aritmética fácil resultante de alguns somatórios, mas projectar o efeito em todas as áreas que são afectadas, de forma a conhecer os verdadeiros benefícios, caso existam, desta medida completamente desenquadrada do planeamento e do reordenamento do território, algo que tem sido esquecido por sucessivos governos.
Helio Drift + GPS & Google Maps
Écran do Helio Drift com Google Maps
Em cooperação com a Helios, a Google disponibiliza agora um sistema que recorre ao GPS do próprio equipamento de modo a efectuar a navegação com determinação da posição do utilizador em tempo real e sem necessidade de "software" adicional.
No écran do Helio Drft irá aparecer um ponto azul sobre o mapa, que corresponde à localização do equipamento, sendo a posição bem como os mapas actualizados após qualquer deslocação, sendo que para tal o Google Maps descarrega, sempre que necessário, novas imagens de modo a completar o mapa em uso.
Esta é uma solução particularmente interessante, interactiva e que dispensa instalar no equipamento mapas que rapidamente ficam desactualizados, pelo que esperamos que esta possibilidade se alargue rapidamente a telemóveis com GPS mais comuns entre nós.
quinta-feira, novembro 09, 2006
Os riscos dos acessos WiFi anónimos nos jardins de Lisboa
Conforme noticiamos, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) disponibiliza acessos gratuitos à Internet em diversos jardins da capital.
Esta iniciativa louvável apresenta, no entanto, alguns riscos que convém expor, pelo que manifestamos à CML a nossa preocupação com o anonimato no acesso disponibilizado.
Como será do conhecimento de muitos dos nossos leitores, todos os acessos públicos à Internet, como os "cybercafés" ou os "kiosks" dos Correios, são sugeitos a regulamentação própria, que os obriga a identificar quem utiliza os computadores e manter um registo dos "sites" visitados.
Mesmo sabendo que este controle é difícil e que razões económicas limitam a acção dos proprietários, a maioria dos espaços públicos tem implementado um conjunto de medidas de controle que desencoragem quem pretenda praticar crimes recorrendo ao anonimato que aqui podem usufruir.
É, no entanto, possível identificar os utilizadores, obrigando cada um a um pequeno registo com base no endereço físico da placa de rede utilizada, habitualmente designado por "media access control" (MAC), constituindo assim uma base de dados capaz de relacionar o historial com o proprietário do equipamento.
Desta forma, só os equipamentos cujo número de placa estivesse registado junto da CML ou de um dos operadores que fornecem o acesso, poderiam navegar fora de um conjunto de "sites" pré-determinado, sendo que qualquer tentativa de acesso fora destes levaria a uma página com as intruções necessárias ao registo.
Deste risco, já alertamos a CML, esperando que sejam implementadas medidas que permitam identificar os utilizadores de um serviço gratuito que, repetimos, é particularmente benvindo.
Esta iniciativa louvável apresenta, no entanto, alguns riscos que convém expor, pelo que manifestamos à CML a nossa preocupação com o anonimato no acesso disponibilizado.
Como será do conhecimento de muitos dos nossos leitores, todos os acessos públicos à Internet, como os "cybercafés" ou os "kiosks" dos Correios, são sugeitos a regulamentação própria, que os obriga a identificar quem utiliza os computadores e manter um registo dos "sites" visitados.
Mesmo sabendo que este controle é difícil e que razões económicas limitam a acção dos proprietários, a maioria dos espaços públicos tem implementado um conjunto de medidas de controle que desencoragem quem pretenda praticar crimes recorrendo ao anonimato que aqui podem usufruir.
Endereços de uma placa de rede
É, no entanto, possível identificar os utilizadores, obrigando cada um a um pequeno registo com base no endereço físico da placa de rede utilizada, habitualmente designado por "media access control" (MAC), constituindo assim uma base de dados capaz de relacionar o historial com o proprietário do equipamento.
Desta forma, só os equipamentos cujo número de placa estivesse registado junto da CML ou de um dos operadores que fornecem o acesso, poderiam navegar fora de um conjunto de "sites" pré-determinado, sendo que qualquer tentativa de acesso fora destes levaria a uma página com as intruções necessárias ao registo.
Deste risco, já alertamos a CML, esperando que sejam implementadas medidas que permitam identificar os utilizadores de um serviço gratuito que, repetimos, é particularmente benvindo.
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