
Meios de socorro do INEM
Os atrasos sofridos nos últimos dias no accionamento de meios de socorro através do número 112 devem-se, segundo o
Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), a um número anormalmente alto de pedidos de socorro, que na passada quinta-feira passou dos habituais 1.500 para os 1.900.
Nos últimos dias têm-se multiplicado na comunicação social relatos de atrasos, tendo há apenas três dias um novo caso, ocorrido na
Escola Secundária Jorge Peixinho, no
Montijo, uma nova situação em que a demora na activação de meios de socorro pode ter contribuido para a morte de um aluno de 14 anos.
Esta vítima de uma paragem cardio-respiratória aguardou cerca de meia hora por uma ambulância após uma colega contactado o 112, pelas 17:52.
Após cerca de 20 minutos depois, sem resposta do
INEM e com a corporação de bombeiros e o hospital localizados a cinco minutos, uma auxiliar de educação contactou directamente os bombeiros de modo a que se deslocassem ao estabelecimento de ensino.
Infelizmente os bombeiros já nada puderam fazer pela vítima, apesar de tentarem a reanimação, e a chamada do CODU a accionar meios da mesma corporação só ocorreu após o aluno dar entrada no hospital, pelas 18:24.
Os contactos através do 112 para o
INEM são processados pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), que os trata de acordo com a ordem de chegada dado que, numa fase inicial, é impossível conhecer a gravidade de cada um.
Para o
INEM, a activação de meios realizou-se na altura correcta, tendo sido atrasada devido ao elevado número de chamadas e à necessidade de as processar por ordem de chegada, mas destes atrasos resultam problemas graves, dado que os casos mais urgentes não têm meios de socorro activados com a rapidez necessária.
Mais uma vez, será efectuado um inquérito sobre mais este incidente, que parece estar a repetir-se nos últimos dias e não apenas naquele em que, segundo o
INEM, houve um substancial aumento de chamadas, razão pela qual se deve equacionar a possibilidade de o problema não ser pontual.
Lembramos que o maior afastamento entre os locais para onde são enviados meios de socorro e as unidades hospitalares onde estes são atendidos tem vindo a aumentar devido à
remodelação da rede de urgências, do que resulta o
aumento médio do tempo gasto em cada missão e a necessidade de um aumento de meios.
Por outro lado, pode haver um efeito resultante da substituição do
sistema de activação de meios do CODU de
Lisboa, que virá potenciar o problema anterior, com os resultados que hoje são visíveis.
Não é possível equacionar separadamente o socorro pré-hospitalar e os cuidados prestados em unidades de urgência, mas também não podemos misturá-las, supondo, erradamente, que
uma pode substituir a outra, quando ambas são complementares e têm que ser preparadas para trabalhar em conjunto, com o excesso de capacidade para suprir fraquezas da outra em caso de necessidade.