quarta-feira, agosto 24, 2016

O mito do ordenamento - 3ª parte

Este horizonte, que poderá ir até 2040 ou 2050, onde se terá em conta as evoluções científicas, técnicas e tecnológicas nas várias áreas, mas também a vertente das ciências humanas, estudando a evolução de usos e costumes, as migrações e movimentações de massas humanas, a demografia e tudo o que tem um impacto decisivo na previsível evolução da humanidade, será essencial para construir modelos e cenários sobre os quais se baseie uma estratégia de desenvolvimento.

Certos de que existe um elevado grau de imprevisibilidade, de que surgirão ideias conflituantes, haverá um mínimo denominador comum que dará origem a um ou mais modelos que sirvam de base a um planeamento estratégico, capaz de antever e promover ideias e conceitos inovadores, ma perspectiva de colocar Portugal num caminho de futuro, longe da actual navegação à vista que resulta num ineficaz seguidismo que pouco mais permite do que ficar com algumas sobras de discutível rentabilidade.

Só tendo uma ideia concreta, mesmo que falível, que sirva de base para um planeamento integrado, estabelecendo prioridades e estratégias, determinando objectivos e etapas, os processos e os meios, e aqui podemos incluir o ordenamento do território, farão sentido e poderão revelar-se efectivamente úteis como parte de um plano mais complexo.

A ideia de ordenar o território, esquecendo todo um conjunto de variáveis e factores determinantes, representa, inevitavelmente, um fracasso extremamente oneroso, um artificialismo desenquadrado da realidade e que desta se afastará tanto mais quanto o Mundo e o país evoluirem e se transformarem, acabando por se tornar em pouco mais do que um esqueleto sem qualquer conteúdo.
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