sábado, agosto 19, 2006

Ministro da Agricultura considera que prevenção falhou "nos últimos 30 anos"


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Manual de prevenção da Dashofer.pt

Após as polémicas declarações do ministro da Administração Interna, o títular da pasta da Agricultura, Jaime Silva, veio a público para dizer que a prevenção dos incêndios florestais em Portugal "falhou nos últimos 30 anos".

Esta é a resposta à afirmação de António Costa de que "a prevenção não produziu os efeitos desejados", mas diluindo a responsabilidade deste facto inegável pelos últimos 30 anos, enquanto realça o reforço feito pelo actual Governo nos meios de combate, que não são da responsabilidade do seu ministério.

"O ministro António Costa disse algo que eu subscrevo. Disse-o no momento oportuno, para lembrar que o Governo só podia fazer a aposta que foi feita: reforçar os meios de intervenção e combate", acrescentou Jaime Silva, no final da conferência de imprensa de apresentação da Estratégia Nacional para as Florestas.

"Tendo em conta que a prevenção só produz efeitos a médio e longo prazo, o Governo apostou no reforço dos meios de combate", salientou o ministro da Agricultura, para quem uma política de prevenção com resultados no espaço de um ano é "impossível, face a uma herança de outros Governos", para quem a prevenção esteve este ano "melhor do que nos anos anteriores".

Na verdade, para além do diluir da responsabilidade, não foi apontado nada de concreto que possa dar a entender que houve melhorias na prevenção, sendo que as próprias campanhas nesta área foram da responsabilidade não do ministério da Agricultura, mas da Administração Interna, a quem cabe a organização do combate.

Em termos de prevenção, para além de uma ausência de medidas estruturais, houve um manifesto falta de reconhecimento da importância estratégica da floresta, quer na sua vertente ambiental, quer a nível económico, incluindo neste último aspecto a exploração a nível turístico.

Se bem que a prevenção a longo prazo obriga a medidas que necessitam de anos para surtir efeito, e que passam pelo reordenamento, existem iniciativas que podem suprir algumas destas falhas através da necessária mobilização de cidadãos, algo que não foi tentado pelo Ministério da Agricultura, não obstante ter sido por nós contactado nesse sentido.

Assim, existe uma responsabilidade objectiva por parte da actual equipa deste ministério, cujo trabalho na área da prevenção, a ter existido, passou desapercebido e sem resultados visíveis, deixando aos responsáveis pela Administração Interna o ónus de um combate ao qual foi negada uma colaboração imprescindível.

Mesmo faltando ainda dois meses para a data em que se poderão tirar conclusões, relativamente à prevenção esta pode, desde já, ser avaliada de forma negativa, correspondente à inexistência de políticas quer de curto, quer de médio e longo prazo que venham a diminuir a incidência de fogos florestais.

É possível que uma política nova a nível estrutural, como diz o Ministro da Agricultura, não tivesse efeitos práticos este ano, mas o facto de não ter sido iniciada significa o adiamento de algo cuja necessidade se torna evidente em cada ano que se perde.

Versão 4 Beta do Google Desktop disponível


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Versão 4 do Google Desktop já disponível

Ainda em versão Beta, mas com suporte para 26 línguas, está disponível para "download" o Google Desktop 4, que inclui novas possibilidades de configuração e de adição de pequenas aplicações.

É sobretudo de realçar a integração com outros produtos da Google, como as notícias, o correio, ou a conversação, mas pode também incluir os mais diversos utilitários e inclui ferramentas de desenvolvimento de modo a que os mais conhecedores possam produzir as suas próprias aplicações.

Particularmente interessantes podem ser a integração com o Google Maps, o monitor de sistema e de bateria dos portáteis, mas também é possível incluir a previsão meteorológica ou um bloco de apontamentos.

Deixamos aqui o convite aos nossos leitores para que experimentem este produto gratuito, cuja flexibilidade pode vir complementar as ferramentas oferecidas pelo sistema operativo.

sexta-feira, agosto 18, 2006

Grampos de fixação para sobressalente no capot


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Grampos de fixação instalados

Ainda não tinhamos colocado uma fotografia do suporte de sobressalente sobre o capot com os respectivos parafusos e grampos de fixação.

Chamamos mais uma vez a atenção para o facto de estes parafusos atravessarem a chapa do capot, sendo necessário furá-lo com uma broca de 12 mm nos locais correctos.

Lembramos também que os parafusos de fixação possuem um orifício na extremidade, de modo a que seja colocado um "clip" ou um parafuso mais pequeno, de modo a não poderem ser retirados sem abrir o capot, evitando assim surpresas desagradáveis.


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Outra imagem dos grampos de fixação instalados

Também é de destacar a posição do espigão com orifícios para o cadeado, previsto nesta versão de suporte, e que evita que o sobressalente seja removido apenas desapertando os parafusos, garantindo assim alguma segurança adicional.

Porque o nosso Série precisa de uma pintura nova, optamos por parafusos em todo o processo de fixação deste conjunto, prevendo substituí-los por rebites no termo do processo.

Falhanço nas campanhas de sensibilização


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Incêndio na Maia

A mensagem "Portugal sem fogos depende de si" inscrita nas campanhas de sensibilização deste ano não está a chegar aos destinatários e o Governo e os próprios "media" evidenciam erros de comunicação.

Se por um lado a banalização dos incêndios leva a considerá-los como uma inevitabilidade, algo a que estamos predestinados em cada verão, a falta de soluções credíveis e um alheamento por parte da classe política aquando das restantes épocas do ano leva a uma aceitação pacífica desta realidade.

A própria informação, centrada na desgraça que todos conhecemos, embriagada pela espectacularidade das imagens e pelo sentimentalismo fácil, acaba por enviar a mensagem errada, contribuindo para um fatalismo que só pode levar ao alheamento e à inação.

Mais grave, durante os longos meses em que não há incêndios, o problema é ignorado a ponto de ser esquecido, porque a prevenção não vende, não cativa audiências e, mais grave ainda, surge como algo distante que só a alguns diz respeito.

Obviamente, as mensagens têm que ser destinadas a quem pode, pelo seu comportamento, ter influência na existência ou não de incêndios, mas de forma mobilizadora e propondo a cada cidadão algo de concreto, que lhe permita fazer a diferença.

Não basta, como até hoje, solicitar uma chamada para um número de emergência ou, no limite inferior, agradecer alguma atenção com cuidados básicos, evitando acções negligentes, do que resulta uma perspectiva redutora, passiva e alheadora.

Mas, como a mobilização de cidadãos através de programas estruturados, que deverão estar ligados a autarquias ou patrocinados por entidades públicas ou privadas não têm apoio, quer por parte destas, quer do próprio Estado, que seria o principal interessado na solução deste problema, o qual se limita a apoiar algumas iniciativas do Instituto da Juventude que, em termos de eficácia, deixam muito a desejar, verifica-se uma desresponsabilização colectiva com os resultados conhecidos.

Segundo Duarte Caldeira, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), "somos cada vez mais espectadores deste problema. Assistimos ao drama dos incêndios pela televisão como se não fosse nada connosco", acrescentando que os portugueses, "apenas o fazem quando são vítimas das circunstâncias e o problema lhes bate à porta. Mas encaram isso como uma fatalidade. Os outros não mudam o seu comportamento, continuam apenas a lamentar o assunto."

Neste aspecto, discordamos profundamente do presidente da Liga, dado que não basta querer ajudar, é preciso saber como, aonde e ter um mínimo de preparação e enquadramento para o fazer, no que a LBP não tem primado pelo exemplo.

Concretamente, quando sugerimos diversos tipos de iniciativas à Liga, a serem desenvolvidas em parceria com empresas e autarquias, a resposta foi a de um total alheamento, sugerindo que as mesma propostas fossem enviadas a outra entidade, a Agência para Prevenção de Incêndios Florestais (APIF), entretanto extinta.

Por outro lado, conforme o sociólogo da comunicação José Jorge Barreiros, a cobertura noticiosa dos fogos é centrada em três abordagens: o drama das pessoas afectadas, o espectáculo das chamas e o funcionamento do dispositivo antifogos.

"Este tipo de abordagem é útil para sensibilizar mas não para transformar", defende este especialista porque, perante esta abordagem, "as pessoas entendem que é um problema que não é seu e que não podem resolver".

Tal corresponde, à perspectiva que temos e ao facto de a comunicação social ter contribuido, tal como outras entidades, para o agravar da situação, excluindo de toda e qualquer acção ou envolvimento quem não é directamente afectado pelos incêndios, excluindo uma perspectiva de abrangência e formas de participação dos cidadãos.

Se atentarmos ao facto de cada vez mais portugueses viverem nas cidades, enquanto o Interior se desertifica, a necessidade de uma mensagem mobilizadora tem, forçosamente, que incluir quem, aparentemente, estará mais distante, sempre na perspectiva de oferecer, em simultâneo, formas de participação activa.

Não é possível fazer passar uma mensagem pela negativa, dado que esta não atinge quem, pelo seu comportamento, a irá ignorar, e menos ainda quem, por seguir desde já as recomendações ou ideias propostas, à partida já dela não necessita.

A única mensagem que poderá ter acolhimento e ser mobilizadora destina-se a quem já cumpre o que consideramos ser a sua obrigação cívica, mas está disposto a ir mais longe, esperando apenas que exista uma proposta concreta e realista que vá de encontro aos seus anseios.

Esta foi a ideia que, desde o início, orientou as nossas propostas, as quais, passados estes dois anos, cremos manterem-se actuais, esperando um maior apoio para serem implementadas.

quinta-feira, agosto 17, 2006

36.290 hectares de floresta portuguesa arderam em 2 semanas


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Incêndio florestal fora de controle

Entre os dias 31 de Julho e 14 de Agosto arderam em Portugal 36.290 hectares de floresta, equivalente a quatro vezes a área de Lisboa, elevando o total de área queimada desde o início do ano para 49.881 hectares.

Mais grave é a situação na Galiza, em Espanha, onde a área ardida passou dos 2.241 para os 88.473 hectares no mesmo período, fruto dos terríveis incêndios que nos últimos dias assolaram a região.

Segundo um comunicado da Comissão Europeia (CE) datado de quarta-feira, que se antecipa ao da Direcção-Geral dos Recursos Florestais, até 31 de Julho as chamas tinham destruído mais de 64.500 hectares em toda a UE, "verificando-se no início de Agosto um aumento acentuado do número de incêndios e das áreas ardias, sobretudo na Galiza e em Portugal".

Com quase 13.591 hectares referentes ao nosso País até ao fim de Julho, num total de 64.500 em toda a UE, facilmente se pode concluir a distância a que nos encontramos em termos de ordenamento do território e de prevenção dos nossos parceiros comunitários, ao contribuir com quase um quinto da área ardida mesmo antes desta quinzena devastadora.

A CE alerta ainda para o facto de no Norte da Europa ter sido registado um "risco invulgarmente elevado de incêndio em certas regiões na primavera e Verão", referindo que apesar disso os valores registados até ao momento são bastante inferiores aos observados em 2005, mas frisou que a "época de incêndios ainda não terminou".

A súbita descida das temperaturas e a chegada da chuva veio por fim a uma semana de verdadeiro inferno, permitindo um merecido descanso, bem como reorganizar um dispositivo que começava a dar provas evidentes de grande desgaste.

Mas para além do efeito sobre os incêndios, a chegada inesperada da chuva em pleno verão poderá expor algumas das consequências destes últimos dias, nomeadamente através da erosão ou do deslizamento de terras que perderam a sustentação devido à destruição de árvores, pelo que o alerta, infelizmente, terá que continuar.

Mesmo admitindo que esta grande vaga de incêndios possa ter terminado, as consequências em termos de segurança vão-se prolongar muito para além desta data, enquanto o impacto económico nas populações afectadas poderá perdurar por anos.

Tensão no Governo devido aos incêndios


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António Costa cumprimenta elementos do GIPS

Tornou-se óbvio, ao longo dos últimos dias, que apenas o ministro da Administração Interna apareceu em público, enquanto os seus colegas da Agricultura e do Ambiente demonstravam a sua manifesta falta de peso político.

Quando apontou no sentido da falta de prevenção, António Costa empurrou as responsabilidades na direcção dos seus colegas de Governo, criando um clima de tensão no interior do executivo.

Se bem que nesta época, em que o combate tem que ser forçosamente priveligiado, será normal a primazia do ministro da Administração Interna, o facto é que, ao longo de longos meses sem chamas, pouco ou nada foi feito pelos ministérios competentes, pelo que é difícil não reconhecer a razão de António Costa perante a evidência da impossibilidade combater eficazmente as chamas.

Assim, António Costa surge como a face do Governo e, para o bem ou para o mal, como o responsável por esta campanha, algo que é manifestamente injusto dado ser, na nossa opinião e independentemente de concordarmos ou não com a sua política, quem mais se esforçou para que este ano houvesse uma diferença para melhor no combate aos incêndios.

Sabendo-se que os incêndios florestais, mais do que combaterem-se, previnem-se através de medidas que, demorando tempo a ser implementadas, devem ser planeadas e executadas com a devida antecedência, torna-se difícil justificar a inactividade dos ministérios da Agricultura e do Ambiente e o completo desaparecimento dos titulares das pastas que, provavelmente, estarão em vias de substituição.

As mesmas críticas foram sendo levantadas durante toda a semana pelos deputados da comissão eventual dos incêndios, levaram o secretário de Estado do Desenvolvimento Rural, adjunto de Jaime Silva, a reafirmar o empenho do seu ministério na prevenção dos incêndios, mas o títular da pasta continua ausente.

O facto de o ministro do Ambiente, Nunes Correia, ter partido de férias na sexta-feira após ter pedido ao seu secretário de Estado, Humberto Rosa, que interrompesse as suas e se deslocasse ao Parque Nacional da Peneda Gerês, só veio acentuar o mal-estar entre ministros.

Mesmo atenuando um pouco os atritos existentes com esta deslocação, o facto de o incêndio no único Parque Nacional português ter durado uma semana e destruido importantes áreas a nível ecológico, não evitou que se mantivessem críticas de falta de coordenação com outros ministérios e com os bombeiros, do que terá resultado grande parte da destruição.

"É fundamental termos um sentimento de comunidade. Mas o Governo só tem autoridade para obrigar os privados a fazer a prevenção das florestas, limpando as zonas de risco, se exercer uma acção pedagógica, adoptando ele também uma cultura preventiva. Obviamente, as entidades públicas devem ser exemplares. Só assim o Estado poderá exigir o mesmo aos privados", refere uma fonte do Ministério da Administração Interna.

"Este ano, como foi reconhecido por quase todos os observadores, existem meios qualificados para combater os fogos. Mas não basta combatê-los. É preciso prevenir as chamas e fazer uma gestão adequada da floresta", sublinhou uma fonte do Ministério da Administração Interna.

Ao chamar os jornalistas ao fim da tarde de domingo, o ministro António Costa quis sobretudo enviar uma mensagem quer à população, quer aos próprios colegas de governo, assumindo que nem tudo está a correr bem.

O facto apontar como principais deficiências questões relacionadas com a prevenção, enquanto elogia o dispositivo de combate é uma clara mensagem de desagrado dirigida aos responsáveis pela coordenação da prevenção na floresta e nas áreas protegidas, respectivamente os ministros da Agricultura e do Ambiente.

Enquanto se espera por uma reacção destes ministérios, é inegável que António Costa terá razão quando aponta nesta direcção, sobretudo sabendo-se que os incêndios se devem antes de mais prevenir e só depois combater, mas, por outro lado, é igualmente certo que o Governo, no seu todo, não deu passos neste sentido, concentrando-se no esforço a nível de combate e esquecendo premissas conhecidas por todos.

Seja devido à falta de peso político dos ministérios da Agricultura e do Ambiente quando comparados com o da Administração Interna, gerido pelo número dois do Governo, seja por uma opção colectiva de todo o Executivo, a aposta principal continua a ser na vertente errada, a única que nunca dará os resultados pretendidos na defesa da floresta portuguesa.

Espera-se que, com este manifesto desentendimento dentro do Governo, que em anos futuros haja uma maior vontade política de investir na prevenção, evitando assim que todo o peso caia mais uma vez sobre um dispositivo de combate que tem sofrido perdas humanas a um nível inaceitável.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Rússia aceita pagar dívida com aviões


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Cabine de um Beriev Be 200

A Rússia aceitou pagar a antiga dívida contraída pela ex-União Soviética a Portugal, que ascende a 62.700.000 de euros, com quatro hidroaviões Be-200, idênticos ao que se encontra em testes de combate a incêndios, segundo anunciou Serguei Storchak, vice-ministro das Finanças russas.

No início de Julho, o ministro da Administração Interna, António Costa, anunciou que o governo português ia decidir até ao final do ano sobre a aquisição de meios aéreos pesados para combate a incêndios, estando a ser ponderada a aquisição dos Be-200 que, dependente da configuração, podem ser utilizados em diversas missões.

"Este ano teremos decisões definitivas sobre os meios aéreos pesados", afirmou António Costa, lembrando que a comissão técnica indicada para avaliar os meios tinha recomendado a aquisição de quatro aviões pesados.

Durante o primeiro teste em Portugal do Beriev Be-200, o ministro explicou que caso Portugal optasse pela compra da aeronave russa, o Governo teria de estudar o modelo de pagamento, que poderia passar pela "amortização da dívida da ex-União Soviética a Portugal", sendo que este negócio permite saldar perto de 90% da dívida soviética.

A Beriev é uma empresa privada, que desde o tempo da ex-União Soviética desenvolve sobretudo hidroviões, dos quais vários evoluiram para aeronaves de combate a fogos, mas existe a possibilidade de ser feito um acordo entre os dois países sobre a dívida que envolva esta operação, acrescentou António Costa.

Com uma capacidade de 12.000 litros, perto do dobro do concorrente Canadair, o Be-200 apresenta limitações a nível de pontos de abastecimento, dada a necessidade de grandes albufeiras ou enseadas de rios para abastecer, para além de uma menor versatilidade em voo.

Além do mar, pouco utilizável na costa portuguesa devido à ondulação, o Beriev tem somente 13 pontos de captação de água seleccionados no continente, alguns dos quais implicam apenas cargas parciais ou manobras complexas, tal como se verificou quando do acidente na barragem da Aguieira, sendo manifestamente pouco adequado à orografia do nosso País.

Estes problemas, aliados a um elevado consumo de combustível e a uma manutenção onerosa, que tem que ser equacionada numa perspectiva de longo prazo, de acordo com a vida útil da aeronave, obriga a cálculos particularmente cuidadosos, sob pena de o barato sair caro, algo a que, infelizmente nos vamos habituando.

A questão é, portanto, se o negócio se finaliza com a troca dos aparelhos pela dívida ou se somos obrigados, de alguma forma, a assinar um contrato semelhante ao proposto para os helicópteros Kamov Ka-32, do que resulta um encargo futuro absurdo para manutenção destas aeronaves.

Infelizmente, a palavra "grátis" é absolutamente hipnótica, mesmo que atrás dela venham encargos previamente conhecidos, pelo que neste momento duvidamos da objectividade dos testes e acreditamos cada vez mais que o Beriev Be-200 veio para ficar.

Sendo uma boa notícia a possibilidade de, finalmente, saldar uma dívida tão antiga, esperamos que a perspectiva financeira não condicione o resultado dos testes operacionais, subvertendo os princípios que devem orientar a escolha de um meio tão importante no combate aos incêndios como os aviões pesados.

Corda cinética


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Corda cinética ou "kinetic energy recovery rope"

As cordas cinéticas, tradução do inglês "kinetic energy recovery rope", abreviado para KERR, ainda não estão tão difundidas como seria desejável, provavelmente em função do seu preço elevado, mas apresentam vantagens decisivas quando comparadas com meios mais convencionais.

A principal vantagem de uma corda cinética é a sua capacidade de armazenar energia, funcionando de forma semelhante à de um elástico gigante, o que potencia qualquer sistema de tracção a ela ligado.

A ideia de funcionamento é simples, pois a corda ao ser puxada começa por esticar, armazenando energia que será usada quando esta for suficiente para fazer mover o objecto a que está ligada, facilitando operações mais delicadas ou onde seja necessária uma capacidade de tracção superior à disponível por meios convencionais.

Obviamente, a utilização deste tipo de corda requer alguns cuidados especiais, sobretudo sabendo-se que pode haver um efeito de "chicote" e que a transferência de energia será maior do que usando um sistema mais convencional.

Assim, para além de um maior cuidado relativamente aonde a corda efectua a tracção, nunca deve ser usada uma corda com menos de 50 mm de diametro, para além de ser convrniente recordar que o alongamento pode andar pelos 60% antes de produzir efeito, sendo de prever este acréscimo de distância caso se use um veículo de reboque.

Infelizmente os preços, na ordem dos 50 a 60 euros para cordas com 6 a 8 metros, valores a que acrescem os portes para Portugal, acabam por fazer muitos desistir do que poderia ser um auxiliar essencial em situações delicadas ou mesmo de socorro.

Fica aqui a sugestão de uma aquisição que um dia pode, numa única situação de maior aperto, justificar um preço algo elevado e a de dar uma vista de olhos a uma explicação detalhada, em inglês, de um clube de Land Rover's.

terça-feira, agosto 15, 2006

Afinal, será que há menos incêndios florestais?


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Incêndio florestal

O debate relativamente a uma eventual redução no número de incêndios tem dividido especialistas, que apontam para várias possibilidades, inclusivé para o facto de esta possível diminuição ser apenas ilusória.

Por um lado, temos o envolvimento das populações, com o número de chamadas telefónicas para o serviço de alerta de incêndio, o 117, a aumentar mais de 50% este ano, quando comparadas com as de 2005.

Embora sem avançar números exactos, fonte do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC) aponta a "subida muito significativa" como exemplo da "atitude mais cooperante" da população, que se traduzirá em "menos negligência e mais apoio na detecção".

No entanto, ainda há poucos dias, o ministro da Administração Interna culpava as populações pelos resultados destes primeiros dias de Agosto devido à falta de cuidados na limpeza das matas e a comportamentos negligentes, desmentindo assim a teoria do SNBPC.

As opiniões dividem-se também na análise das explicações para a resposta aparentemente mais eficaz que até agora tem sido dada para minimizar o impacto dos incêndios florestais.

O comandante nacional de operações de socorro, Gil Martins, é da opinião que as análises terão de ser feitas após o fim desta época crítica, lembrando que é prematuro fazer balanços com o mês de Agosto, que corresponde a 60% dos incêndios, ainda a meio.

Por outro, porque se sente "um conjunto de várias mudanças", mas o peso relativo de cada uma é "difícil de avaliar".

Com os efeitos da onda de calor a pairar sobre o País, olhar para anos anteriores ajuda a perceber como tudo está ainda por se decidir quanto a resultados.

Cardoso Pereira, professor do Instituto Superior de Agronomia, especializado em propagação de fogos, recorda o exemplo de 1995 "chegámos a Agosto com cerca de 15.000 hectares, mas nesse mês arderam 120.000".

Na opinião de Cardoso Pereira, as alterações legislativas e orgânicas feitas este ano poderão estar já a fazer sentir-se no terreno, mas considera ter mais peso o facto de ter ardido um 1.000.000 de hectares nos últimos três anos.

"São áreas tradicionalmente de risco mas que ainda não se renovaram. Não só não ardem, como servem de barreira a fogos que deflagram nos arredores" considera este professor.

Estes últimos dias poderão ter sido um alerta, porque "bastou haver uma subida de temperaturas para aumentar inequivocamente o número de fogos".

A análise é partilhada por Joaquim Sande Silva, professor na Escola Agrária de Coimbra, para quem é certo que também em Junho e Julho tinha havido ondas de calor, mas agora outro factor decisivo entra em jogo sob a forma da "secura acumulada dos combustíveis".

Sande Silva considera que os últimos dias, com fogos de maiores dimensões, "já começaram a revelar a fragilidade do sistema e a sua vulnerabilidade à meteorologia", facto facilmente confirmável pelos números dos últimos dias.

Duarte Caldeira, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, recorre aos relatórios da Direcção-Geral de Recursos Florestais para comparar índices de risco a nível meteorológico com os de 2003, concluindo que andam relativamente próximos, para concluir que "este ano está a ser uma prova de que o sistema conseguiu aprender com os erros".

Para vários operacionais, foram importantes medidas como a colocação de oficiais de ligação das polícias e de entidades florestais nos comandos nacional e distritais de operações, o reforço de comandos profissionalizados e outros sinais de "liderança política forte" sentidos por quem está no terreno.

Embora haja alterações e um manifesto empenho político, a realidade difere do anunciado e muitas das medidas prometidas não foram implementadas, continuando a sentir-se falta de meios e equipamentos que, por diversas razões, não foram disponibilizados.

Mas se há algumas melhorias, a fórmula de cálculo é perversa e aumenta-as exponencialmente, ao basear-se numa área ardida bruta sem referência à existente.

As enormes perdas de áreas verdes, que poderão chegar a 15% das existentes há poucos anos, aumentam a gravidade de cada incêndio pelo que, objectivamente, se devia comparar não com os anos anteriores mas com a percentagem do que ainda resta.

Por outro lado, as áreas destruidas, para além de diminuirem as possibilidades de incêndio, servem de corta fogo, tal como diz Cardoso Pereira, protegendo as manchas florestais sobreviventes.

Outro factor não contabilizado é o facto de, havendo menor área de risco, a concentração dos meios pode ser feita em zonas mais restritas, aumentando em termos reais os efectivos que defendem cada uma das áreas existentes.

Deste último factor, surge uma melhoria da coordenação, dado haver menor dispersão, e uma maior facilidade em termos logísticos, de que resulta menor pressão sobre o dispositivo que, naturalmente, poderá responder com maior prontidão.

Temos, portanto, números para todos os gostos, mas, infelizmente, a fórmula de cálculo oficial é errónea, fazendo supor uma possível melhoria que, na verdade, pode não ser a que os números traduzem, pelo que se impõe substituí-la por um sistema mais eficaz, capaz de caracterizar com maior exactidão o que realmente acontece.

Idoso morre em Oliveira de Frades


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Apesar das melhorias, os fogo continuam

Um homem morreu esta segunda-feira no incêndio que começou a lavrar há três dias em Paredes e chegou à freguesia de Reigoso, em Oliveira de Frades, disse à Agência Lusa o delegado de saúde local.

Segundo António Cabrita Grade, delegado de saúde substituto de Oliveira de Frades, "um homem de 67 anos foi encontrado carbonizado num caminho florestal de Reigoso, em Oliveira de Frades".

A mesma fonte adiantou que "a confirmação do óbito foi feita por volta das 18:30, tendo já sido identificado" como um "homem natural da freguesia de Reigoso", de nome António Tavares.

De acordo com testemunhos, o idoso terá morrido enqanto tentava salvar das chamas parte de um sistema de irrigação, tendo sido dado como desaparecido durante várias horas até ser encontrado pelos vizinhos, perto da sua habitação, ao final da tarde.

Esta morte eleva para três o número de vidas perdidas nestes últimos quatro dias e verifica-se apenas um dia após o ministro da Administração Interna se ter congratulado porque "não houve mortos nem feridos graves em combate", algo que já comentamos por a considerarmos, no mínimo, demagógica.

Entretanto, vários incêndios continuavam a mobilizar centenas de bombeiros, com destaque para o fogo que contínua a consumir o Parque Nacional da Peneda-Gerês, onde extensas áreas, algumas da maior importância já foram perdidas, levantando questões ambientais e de subsistência para quem lá habita e vive da pastorícia ou da agricultura.

O incêndio por circunscrever que mobilizava mais meios continuava a ser o de Mezio, no distrito de Viana do Castelo, combatido por 372 bombeiros apoiados por 54 veículos, quatro helicópteros, um aerotanque pesado e seis máquinas de arrasto.

Ainda no mesmo distrito, 15 bombeiros com quatro viaturas lutavam contra um fogo não circunscrito em Sobredo, concelho de Ponte da Barca.

No distrito de Aveiro, em Cedrim, no concelho de Sever do Vouga, 190 bombeiros apoiados por 59 viaturas, tentavam circunscrever um incêndio florestal.

Ainda em Aveiro, outro incêndio por circunscrever em Vilar, no concelho de Oliveira de Azeméis, era combatido por 28 bombeiros com oito viaturas e um helicóptero.

Um total de 113 bombeiros com 26 viaturas e um helicóptero lutavam contra as chamas, ainda por controlar, que lavra desde sábado em Paredes, concelho de Oliveira de Frades, no distrito de Viseu, onde um idoso perdeu a vida.

Também no mesmo distrito, um incêndio que deflagrou domingo em Bodiosa, concelho de Viseu, reacendeu-se e mobilizava 45 bombeiros e 15 viaturas, enquanto outro, no Soutinho, no concelho de Oliveira de Frades, era combatido por 52 bombeiros com 12 viaturas e o auxílio do aerotanque pesado Beriev Be-200.

Em Marco de Canaveses, no distrito do Porto, estavam 58 bombeiros, 19 viaturas e um helicóptero, enquanto em Seixinho, no concelho da Trofa, as chamas estavam já controladas mas ocupavam ainda 34 bombeiros e dez viaturas.

Em Vila Nova de Anços, concelho de Soure, no distrito de Coimbra, 23 bombeiros, sete viaturas e dois aerotanques lutavam contra as chamas, entretanto já circunscritas.

No distrito de Santarém, deflagrou pelas 15h30 um incêndio em Bairro, concelho de Ourém, que era combatido por 84 bombeiros, apoiados por 22 veículos, um helicóptero e um aerotanque.

Apesar das condições atmosféricas mais favoráveis, continuam-se a sentir dificuldades e é cada vez mais notório o esgotamento de muitas corporações, sobretudo em zonas do Norte do País onde os incêndios foram particularmente intensos durante estes últimos dez dias.

segunda-feira, agosto 14, 2006

Ministro admite falhas


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Fogos florestais continuam a não dar tréguas

O ministro da Administração Interna, António Costa, o rosto do Governo no combate aos incêndios, admitiu este domingo que o elevado número de alertas de incidências registadas na última semana demonstra que a "prevenção não produziu os efeitos desejados".

A afirmação de António Costa foi feita no final de uma reunião com responsáveis do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC), quando questionado sobre as causas que justificam que esta tenha sido a semana em que se verificaram mais ignições nos últimos cinco anos.

O ministro da Administração Interna atribuiu também ao "estado da floresta" a actual situação, lembrando como esta se encontra e o facto de só na sexta-feira, o SNBPC ter-se confrontado com 679 alertas de incêndio.

Com uma média de 500 ignições por dia, o ministro considerou que o SNBPC teve uma boa capacidade de resposta, sublinhando o "esforço extraordinário" das equipas de combate aos incêndios, que conseguiram que "nunca houvesse mais de 27 incêndios por dia para circunscrever", o que, na verdade, não tem valor objectivo, pois a extensão dos fogos é mais relevante do que o seu número.

"Vivemos nos últimos nove dias um número de ignição próximas das 500", afirmou o ministro, no final de uma reunião com responsáveis do SNBPC, que ao final do dia de sábado reduziu o nível de alerta de laranja para amarelo.

Comparando com os últimos anos, António Costa sublinhou que "a média de ignições foi claramente superior, mas os danos claramente inferiores", apesar de só na próxima semana serem divulgados dados concretos sobre a área ardida nos últimos dias.

Para o ministro, a actual situação demonstra uma "clara melhoria da capacidade de resposta dos meios", uma vez que até ao dia 31 de Julho tinham ardido 13.000 hectares e, nos outros anos, a média rondava os 70.000 hectares.

Para além de prematuras, estas declarações baseiam-se num sistema de cálculo que tem forçosamente de ser revisto, dado que valorizando apenas a área ardida e não comparando com a existente, nem descriminando o tipo de vegetação consumida, de pouco servem.

Também a prevenção foi negligenciada, tal como todas as questões relacionadas com o ordenamento do território ou com o desenvolvimento e protecção das zonas mais desfavorecidas e envelhecidas do Interior, pelo que não se podiam esperar outros resultados senão os que se verificam.

Aliás, António Costa, que recentemente responsabilizou as populações pela falta de cuidado na limpeza das matas, esqueceu-se das áreas que pertencem ao Estado, da responsabilidade das autarquias e da inacção do Governo, onde os Ministérios da Agricultura e do Ambiente parecem não ter qualquer peso político.

A própria dimensão dos incêndios, a que António Costa associa uma maior eficácia no combate, deriva, em grande parte, da existência de descontinuidades derivadas dos fogos dos anos anteriores, pelo que estamos diante de mais uma frase especulativa que carece de demonstração.

Quanto às perdas de vidas humanas, nomeadamente ao número de bombeiros mortos, preferimos nem comentar as palavras de um ministro que escamoteia esta realidade quando afirma que "em nove dias, não houve mortos nem feridos graves em combate", omitindo que sexta-feira morreu uma bombeira num posto de comando e ontem um bombeiro a caminho de um incêndio.

Brevemente, analisaremos mais em detalhe as razões de uma eventual diminuição da área ardida e proporemos uma fórmula de cálculo diferente, de modo a trazer alguma verdade a números que não traduzem a realidade que pretendem espelhar.

Bombeiro morre em despiste


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Estado do veículo após o acidente (Imagem SIC)

Apenas dois dias após a morte de Viviana Dionísio, outro bombeiro morreu e dois outros ficaram feridos este domingo à tarde num despiste na auto-estrada Porto-Amarante (A4) devido ao rebentamento de um pneu.

Segundo Carlos Pereira, segundo comandante do Centro Distrital de Operações e de Socorro (CDOS) do Porto, a vítima mortal seria o condutor do veículo todo o terreno e os dois bombeiros que o acompanhavam, todos pertencentes aos Voluntários do Porto, tiveram apenas ferimentos ligeiros.

Carlos Pereira acrescentou que o rebentamento do pneu da viatura provocou o despiste do UMM, que embateu nos "rails" laterais da auto-estrada, embora outras versões apontem para um despiste de forma a evitar uma colisão com outra viatura que se atravessou à frente.


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Joel Gomes, de 24 anos

Em declarações à TSF, o comandante dos Bombeiros Voluntários do Porto explicou que ainda não certezas relativamente à causa do despiste do veículo que vitimou o bombeiro Joel Gomes, mas que poderia dever-se ao rebentamente de um pneu,

"Sabe-se que eles vinham para um fogo em Marco de Canaveses e que a viatura deles se despistou e que um deles faleceu e os outros dois estão feridos, um com gravidade e outro não", afirmou Carlos Bessa.

Carlos Bessa esclareceu ainda que a viatura acidentada era um todo-o-terreno UMM adaptado para os fogos florestais e que "não havia problema algum" em termos de condições mecânicas.

Segundo o "site" da Brisa, o acidente ocorreu ao quilómetro 30.7, no sentido Porto-Amarante, antes da saída para Marco de Canaveses, e obrigou ao corte da via esquerda.

Os bombeiros dirigiam-se para o combate a um incêndio que lavra desde manhã na serra da Aboboreira, no limite dos concelhos de Baião e Marco de Canaveses, que está a ser combatido por três dezenas de elementos de várias corporações e apoiados por um helicóptero da associação das empresas de celulose, Afocelca.

Joel Gomes é o segundo bombeiro que morre este ano em consequência de um despiste e neste tipo de acidente, normalmente resultante de rebentamento de pneus ou falhas das jantes, resultaram pelo menos três mortos o ano passado, razão pela qual estamos a estudar e desenhar um sistema de protecção universal e de baixo custo que possa ser instalado nas viaturas mais desprotegidas.

domingo, agosto 13, 2006

Bombeiros alemães em Portugal


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Bombeiros alemães durante um incêndio

Os 31 bombeiros da cidade alemã de Osnabrück, que vão estar em Vila Real durante duas semanas, já efectuaram a sua primeira intervenção num incêndio que ocorreu entre Gravelos e Vila Seca, no que resultou ser um combate de curta duração.

Antes, os bombeiros, que provêm de quatro corporações da cidade geminada com Vila Real e da Organização Não Governamental (ONG) "@Fire", participaram numa acção de treino, no Monte da Forca, que os alemães consideram "muito importante, porque os portugueses têm mais experiência no combate a incêndios florestais".

"Somos mais especializados em incêndios urbanos e em outras situações, como o desencarceramento de pessoas", segundo explicou, o comandante dos bombeiros de Osnabrück-Haste, Michael Brickwedde, que para além de bombeiro voluntário, é polícia.

A colaboração dos bombeiros alemães já ocorrera no ano passado, altura em que também estiveram presentes meios aéreos desta nacionalidade, e este ano decidiram regressar para efeitos de formação, mas também para ajudar no combate às chamas.

Detlef Maushake é o líder do grupo da Organização Não Governamental "@Fire", que tem grupos especializados em diversos tipos de socorro em catástrofes, e veio a Vila Real pela segunda vez, para aprender com os bombeiros portugueses.

Segundo este responsável, "aprender a trabalhar com os utensílios não é difícil, mas a experiência vale tudo" e ajuda mais do que o "equipamento informático portátil que ajuda a tomar decisões, segundo o vento a humidade, a temperatura e o terreno".

Com eles, veio uma viatura, ainda como protótipo, cedida pela "Advanced Firefighting Technology", com capacidade para 400 litros de água ou espuma, "um volume que triplica, dado o seu uso pressurizado".

Para além de um benvindo reforço, a cooperação internacional poderá dar resultados positivos, conjugando a experiência obtida com os meios tecnológicos e podendo, um dia, dar origem à tão discutida unidade de socorro a nível europeu.

1.000 bombeiros continuam a combater as chamas


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Os incêndio continuaram durante a noite

Cerca de 1.000 bombeiros combatiam 15 incêndios activos no País pelas 18:15 de hoje, de acordo com informações divulgadas pelo Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC).

Os dois incêndios activos no distrito de Leiria, nos concelhos de Porto Mós e Figueiró dos Vinhos, mobilizam 371 homens, com o apoio de 98 veículos.

Um incêndio no concelho da Sertã, distrito de Castelo Branco, apesar de já ter sido considerado circunscrito, ainda obrigava à presença de 108 homens, apoiados por 30 veículos, dois helicópteros e três aerotanques.

No distrito de Aveiro, 73 bombeiros combatiam um incêndio no concelho de Oliveira de Azeméis, enauqnto 34 homens lutam contra as chamas que começaram pelas 17:32 no de Mirandela.

No distrito de Braga, 42 bombeiros enfrentaram incêndios nos concelhos em Guimarães e Viana do Minho, enquanto outros 56 homens foram chamados para combater o fogo que às 17:03 começou em Viseu.

O incêndio que começou há quatro dias em Arco de Valdevez, no distrito de Viana do Castelo, continuava por circunscrever, estando no local 77 bombeiros, 20 veículos, um helicóptero e dois aerotanques.

Por circunscrever também estavam o incêndio no concelho de Sever de Vouga, em Aveiro, onde estão 78 homens, e outro no de Vila Nova de Cerveira, que está a ser combatido por 39 bombeiros.

Ainda no distrito de Braga, mas já circunscrito, está o incêndio de Amares, que começou às 14:25 e foi combatido por 21 bombeiros e seis veículos.

O fogo de Vale de Cambra, que mobilizou 49 bombeiros, e o do Melgaço, onde estão presentes 14 efectivos, também estavam circunscritos pelas 18:30 segundo o SNBPC.

Com a previsão de descida de temperaturas, o SNBPC desceu o nível de alerta de "Laranja" para "Amarelo", sendo de prever que a partir de domingo a situação comece a apresentar melhorias e seja permitido um descanso e uma reposição e reorganização de meios.

Esta última semana veio, infelizmente, por a nu mais uma vez a debilidade de um País onde a falta de medidas estruturais e de prevenção inviabilizam um combate eficaz, demonstrando ainda a falta de preocupação das entidades oficiais com a logística que um combate prolongado envolve.

Foi constrangedor ouvir queixas de bombeiros que permaneceram na frente de fogo dias seguidos, sem local onde descansar, sem a possibilidade de tomar um banho e alimentando-se apenas devido à boa vontade das populações e de alguns restaurantes, que ofereceram as únicas refeições dignas desse nome que foram fornecidas durante este período de grande esforço.

Os incêndios não se vencem unicamente no combate directo, mas também em toda uma envolvência que obrigatoriamente tem que ser repensada, a bem da eficácia na luta e da própria dignidade de quem nela participa.
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