sábado, janeiro 26, 2008

"Linha Alerta" identificou mais de 200 casos de pornografia infantil


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Logo de combate ao crime na Internet

A "Linha Alerta Internet Segura" identificou durante o ano de 2007 um total de 256 "sites" de pornografia infantil e 33 outros com conteúdos racistas.

Esta linha destina-se a acolher denuncias de conteúdos ilegais na Internet, tendo recebido mais de 200.000 visitas de que resultaram mais de 1.226 denúncias, tendo sido identificados 256 "sites" de pedofilia, 33 conotados com o racismo ou a xenofobia e 11 que apregoam a violência extrema.

Após um tratamento inicial, onde é efectuada uma primeira triagem de modo a verificar se os conteúdos são efectivamente ilegais e é determinada a localização geográfica do sistema onde estão alojados, aqueles que são considerados como crimes são denunciados às autoridades competentes de cada país, que em Portugal é a Polícia Judiciária (PJ).

Para além de Portugal esta rede internacional integra linhas de atendimento em perto de 30 países europeus e fora da Europa, entre os quais a Austrália, o Brasil, o Canadá, a Coreia do Sul, os Estados Unidos, a Islândia, o Japão e Taiwan.

Devemos dizer que de todos os casos que reportamos à PJ, muito antes anos de existir este "site", resultantes de mensagens de correio electrónico que recebemos, nunca obtivemos qualquer retorno, facto que se lamenta, pois tal desencoraja as denúncias.

Temos consciência de que a PJ não pode nem deve divulgar dados relativos às investigações que faz e que, estando os servidores em países estrangeiros, caberá às autoridades policiais desses países conduzir o processo, mas uma simples mensagem de confirmação de recepção, uma indicação dos procedimentos a adoptar ou uma informação posterior ao termo da investigação seria a atitude mais correcta.

Ministério Público arquiva processo sobre morte de bombeira


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Viviana Dionísio em 2006

O Ministério Público (MP) de Leiria decidiu pelo arquivamento do processo-crime relativo à morte de uma bombeira das Caldas da Rainha, em Agosto de 2006.

Segundo um relatório da Protecção Civil, a acumulação de monóxido de carbono no interior da viatura de comando e comunicações deveu-se a uma deficiência de montagem, concretamente à falta de tamponamento de um orifício na carroçaria.

A peritagem realizada pelo Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, que entretanto foi substituido pela actual Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC), revelou este o "gerador de energia eléctrica era uma fonte de monóxido de carbono", estava incorporado na lateral da parte direita da traseira do veículo e a saída de escape do gerador estava orientada para a frente, deixando os gases entrar para o interior do habitáculo.

Desta deficiência, resultou a morte por intoxicação de Viviana Lourenço Dionísio, de 29 anos, operadora de comunicações do Centro Distrital de Operações de Socorro de Leiria, mas que a 11 de Agosto de 2006 estava ao serviço dos Bombeiros Voluntários das Caldas da Rainha.

Conforme um texto que publicamos na altura, a Viviana foi encontrada no habitáculo, local do condutor e ajudante, por colegas que vinham proceder à sua rendição, após longas horas de presença nas proximidades de um incêndio.

Segundo a autópsia, a morte foi causada por "intoxicação por monóxido de carbono", revelando as análises toxicológicas "uma taxa de carboxihemoglobina de 64 %".

Após este acidente, foi efectuado um levantamento de todas as viaturas semelhantes, não tendo sido encontrada a mesma deficiência em nenhuma outra.

Dado que o MP considerou não haver responsabilidade criminal, que seria sempre difícil de obter mesmo a nível de negligência dadas as dificuldades de prova existentes neste caso, resta à família optar por um processo cível, responsabilizando que adaptou a viatura.

Este acidente, no entanto, devia fazer a ANPC reflectir e mandar efectuar testes de estanquicidade nos veículos que desempenham missões de combate aos incêndios, sobretudo naqueles em que os ocupantes permanecem mais tempo, como os de comando e comunicações, e instalar detectores de monóxido de carbono com sistema de alarme, capazes de alertar os ocupantes para níveis elevados de gases perigosos.

A sugestão de efectuar testes de estanquicidade periódicos, cujo custo é reduzido, bem como a de instalar detectores de gás, igualmente pouco dispendiosos, poderia evitar que ocorressem outras mortes nas mesmas condições em que a Viviana perdeu a vida, mas, por outro lado, a não observação de algo tão simples como o agora proposto, será algo que entra no domínio da negligência e deve ser punido criminalmente.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

O socorro debatido na comunicação social


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Central de Orientação de Doentes Urgentes

Queremos chamar a atenção para a reportagem e o subsquente debate que foram transmitidos pela SIC, onde o problema da assistência prestada pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e pelos bombeiros quando chamados a acorrer a uma vítima de queda em Castedo, no concelho de Alijó.

Esta reportagem será particularmente importante e esclarecedora para quem esteja menos em contacto com os problemas específicos do Interior do País e as dificuldades com que se defrontam aqueles que aí desempenham missões de socorro.

A transcrição da conversa que envolve familiares da vítima, operadoras do INEM, bombeiros das corporações de Favaios e Alijó, proveniente do "site" do Correio da Manhã (CM), demonstra quer as dificuldades, quer as deficiências de atendimento e a fraca disponibilidade de meios locais, pelo que foi accionada a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER).


Chamada da família da vítima para 112 pelas 04:00, sendo o contato feito por uma mulher:

Operadora: – Emergência médica, bom dia.

Mulher: – (imperceptível)

Operadora: – Mais alto, estou a ouvir muito mal.

Mulher: – (imperceptível)

Operadora: – Castedo, Alijó, Bairro de Santo António nº **. Diga-me o número de telefone caso a chamada vá abaixo.

Mulher: – *********

Operadora: – *********. Minha senhora, ouça o que lhe vou dizer. O que se passa aí?


O irmão da vítima substitui a mulher ao telefone e a conversa continua:

Irmão:– Estou? Estou?

Operadora: – Diga então o telefone daí.

Irmão: - *********.

Operadora: – Pronto, muito bem. Diga-me o que se passa aí.

Irmão: – Podia ligar-me aos bombeiros?

Operadora: – Diga-me o que se passa aí. Para que quer a ambulância?

Irmão: – (imperceptível)

Operadora: – Quer uma ambulância em sua casa?

Irmão: – A vir cá alguém é a guarda (GNR)], não é?

Operadora: – Mas quer a guarda ou a ambulância?

Irmão: – Vale mais a guarda.

Operadora: – Olhe, se é só a autoridade que quer, vai desligar e voltar a ligar 112 e pede autoridade. Se há pessoas feridas, é mais ambulância.

Irmão: – Não, não... Ele morreu.

Operadora: – Morreu?!

Irmão: – Ele deve ter morrido.

Operadora: – E é homem ou mulher?

Irmão: – É um homem.

Operadora: – Com que idade?

Irmão: – Quarenta e nove, mais ou menos.

Operadora: – Quarenta e quantos?

Irmão: – Quarenta e quatro.

Operadora: – Quarenta e quatro anos. Ele já estava doente ou foi agredido?

Irmão: – Ele estava doente.

Operadora: – Doente com quê?

Irmão: – Caiu!

Operadora: – Você é familiar dele?

Irmão: – Sou irmão.

Operadora: – O seu irmão já estava acamado?

Irmão: – Não. Estava em pé e tudo. Foi em casa. Ia a descer as escadas e caiu.

Operadora: – Ao descer as escadas caiu. Foi hoje a queda?

Irmão: – Foi, foi agora de noite.

Operadora: – O senhor disse que ele morreu.

Irmão: – É. Está morto. Deitou muito sangue pela boca.

Operadora: – Mas diga-me uma coisa: isso mesmo agora?

Irmão: – Foi. A minha mãe estava a dormir e deu conta.

Operadora: – Ele não respira?

Irmão: – Não.

Operadora: – Confirme-me a morada.

Irmão: – (imperceptível), Alijó.

Operadora: – Como?

Irmão: – Castedo, Alijó.

Operadora: – O senhor está a dizer que o seu irmão faleceu e está tão calmo. O senhor não está a brincar com o 122, pois não?

Irmão: – Não. Não estamos a brincar. Ouve lá.

Operadora: – Neste momento o seu irmão não se mexe e não respira?

Irmão: – Não, não, não.

Operadora: – Olhe, vai desligar que eu daqui a um bocadinho volto a ligar. Pretendem ambulância e autoridade. É isso?

Irmão: – Sim, sim.

Operadora: – Para que querem a autoridade?

Irmão: – Quer dizer que não se vai tocar nele nem nada. Não é?

Operadora: – O quê?

Irmão: – Não se pode tocar nele.

Operadora: – Fique a aguardar a chegada de ajuda. Boa noite.


Na sequência da chamada de emergência, outra operadora do Centro de Oorientação de Doentes Urgentes do INEM telefona para os Bombeiros de Favaios:

Operadora: – Boa noite. É do CODU do INEM. É uma saidinha para Castedo.

Bombeiro de Favaios: – Diga.

Operadora: – Para o Bairro de Santo António, n.º **. Diga-me uma coisa: a VMER de Vila Real é a mais próxima, não é?

Bombeiro de Favaios: – A de Vila Real já está fechada.

Operadora: – Quanto tempo demora a viatura médica?

Bombeiro de Favaios: – Ainda demora até ao Castedo. Vila Real...

Operadora: – Não. De Vila Real a Castedo?

Bombeiro de Favaios: – Ai. De Vila Real a Castedo? Sei lá.Três quartos de hora.

A operadora do CODU fala com uma médica que se encontra presente.

Operadora: – Doutora, a VMER demora três quartos de hora, mas também não tem coiso aberto...

Médica (M): [imperceptível]

Operadora: – Mas que quer que ponha? VMER não disponível?

M: [imperceptível]


A operadora do INEM volta a falar com os Bombeiros de Favaios:

Operadora: – Não há nenhum centro de saúde aberto?

BF: – Não, aqui está fechado.

Operadora: – Vamos mandar a VMER de Vila Real. Isto é um masculino, de 44 anos. Quem nos ligou diz que caiu das escadas, deitou sangue pela boca, parece estar morto.

Bombeiro de Favaios: – Diga. Estou?

Operadora: – Sim. Está-me a ouvir?

Bombeiro de Favaios: – Estou.

Operadora: – Estou. Está-me a ouvir?

Bombeiro de Favaios: – Estou...

Operadora: – Ó meu Deus! Eu estou a ouvir. Está-me a ouvir?

Bombeiro de Favaios: – Diga, diga...

Operadora: – Ouviu o que eu disse até aqui ou não ouvi nada?

Bombeiro de Favaios: – Não ouvi. Desculpe lá, estou a ouvir de telemóvel.

Operadora: – Vou mandar vir a VMER de Vila Real. O senhor caiu pelas escadas. Quem ligou diz que já está morto!.

Bombeiro de Favaios: – Ah!... Pois, e agora o que quer que se faça?

Operadora: – Ficha CODU 32...

Bombeiro de Favaios: – Espere aí, que eu agora não tenho aqui caneta!!!

Operadora: – Eu vou ajudá-lo. Vou passar a VMER de Vila Real para ajudar a chegar ao local. Não desligue. (...) Valha-me Deus, estou lixada.

Após este contacto operadora do CODU liga para a médica de serviço à VMER de Vila Real.

Médica da VMER: – Sim?

Operadora: – Olá, doutora. É uma saída, para longe.

Médica da VMER: – Para onde?

Operadora: – Castedo, Alijó. (risos)

Médica da VMER: – Ok. O que é?

Operadora: – Um senhor de 44 anos caiu pelas escadas. Deitou sangue pela boca. O contactante diz que ele está morto!

Médica da VMER: – Morto?

Operadora: – Sim. Diz o irmão.

Médica da VMER: – Pois, coitadinho.

Operadora: – Mas com uma calma gélida, segundo a minha colega.

Médica da VMER: – Hummm...

Operadora: – Eu vou passar-lhe os Bombeiros de Favaios para dar uma ajudita.

A operadora do CODU volta a conversar com os Bombeiros de Favaios.

Operadora: – Estou, Favaios?

Bombeiro de Favaios: – Estou, estou.

Operadora: – Ajude aqui a viatura médica, se faz favor..

Bombeiro de Favaios: – Sim, sim, ora diga lá então..

Operadora: – Estão em linha, pode falar.


A chamada é transferida de modo a que o bombeiro de Favaios e a médica da VMER de Vila Real falem um com o outro.

Médica da VMER: – Boa noite.

Bombeiro de Favaios: – Boa noite.

Médica da VMER: – Boa noite. Podiam dar-nos algumas indicações? Onde é o...

Bombeiro de Favaios: – Como, como?

Médica da VMER: – Se nos podia dar algumas indicações. Onde é...

Bombeiro de Favaios: – Ora bem. Eu não sei como é que vou explicar. Chega ali a Alijó, vai adiante, ao pé das bombas de gasolina. Há uma rotunda à esquerda. Corta à esquerda, para ir ao Intermarché. E segue sempre em frente para o Castedo. Sempre estrada fora.

Médica da VMER: – Para onde?

Bombeiro de Favaios: – Para o Castedo.

Médica da VMER: – OK. Pronto, obrigado.

Bombeiro de Favaios: – E agora, o que faço?

Médica da VMER: – Diga?!?

Bombeiro de Favaios: – O que faço? É preciso ir lá eu?

Médica da VMER: – (risos). Ó senhor, nós vamos a caminho.


Após o diálogo, operadora do CODU volta a falar com o bombeiro de Favaios:

Operadora: – Ó, Favaios!

Bombeiro de Favaios: – Diga, diga.

Operadora: – Obviamente é para lá ir a ambulância para iniciar suporte básico de vida. Se estiver em paragem. Digo eu.

Bombeiro de Favaios: – Olhe, mas arranco para lá eu?

Operadora: – ... (risos).

Bombeiro de Favaios: – Estou?

Operadora: – Peço desculpa. Eu estou a falar com uma corporação de bombeiros, não estou?

Bombeiro de Favaios: – Está sim. Mas estou a atender o telemóvel.

Operadora: – Então eu estou a dar-lhe uma saída, e pergunta-me a mim o que vai fazer? Nunca tal me aconteceu.

Bombeiro de Favaios: – Desculpe lá, desculpe lá.

Operadora: – Claro que tem de ir para o local com a ambulância e com o colega.

Bombeiro de Favaios: – Então qual é o número?

Operadora: – 32703.

Bombeiro de Favaios: – Posso desligar, CODU?

Operadora: – Pode, pode.

Bombeiro de Favaios: – Arranco então. Vou já arrancar para lá.

Operadora: – Sim, arranque para lá. Avalia a vítima e, quando tiver dados, dá a informação para cá para o CODU.

Bombeiro de Favaios: – Eu estou sozinho.

Operadora: – Está sozinho?

Bombeiro de Favaios: – Estou.

Operadora: – Então como vai sair uma ambulância sozinha?!.

Bombeiro de Favaios: – Não tenho mais ninguém agora aqui.

Operadora: – Como não tem?

Bombeiro de Favaios: – Então como vou fazer!?!

Operadora: – Espere aí! (dirigindo-se para a médica da VMER) Ó doutora, Favaios está sozinho, não tem mais ninguém... (volta a falar com o bombeiro) Não arranja outro tripulante?

Bombeiro de Favaios: – Quem é que vou arranjar agora?!

Operadora: – Qual é a corporação mais próxima além de vocês?

Bombeiro de Favaios: – Só Alijó.

Operadora: – Quanto tempo para chegar ao local?

Bombeiro de Favaios: – É só ir buscar a ambulância e arrancar!

Operadora: – É só ir buscar a ambulância e arrancar! (risos em fundo)

Bombeiro de Favaios: – Cinco minutos.

Operadora: – Mas quanto tempo demora a chegar ao local?

Bombeiro de Favaios: – Daqui ao local são sete a oito minutos.

Operadora: – Dez minutos. Qual é a corporação mais próxima? É Alijó?

Bombeiro de Favaios: – É Alijó.

Operadora: – Quanto tempo Alijó demora a chegar ao local?

Bombeiro de Favaios: – Mais ou menos a mesma coisa. É pegado.

Operadora: – Então vou mandar Alijó. Vou pedir ajuda, para você ajudá-lo a chegar ao local. (desabafo para alguém que está ao lado) Tu estás a ver? Ele está sozinho. “O que é que eu faço?”, pergunta-me ele.


Depois de contactar a corporação de Favaios, a operadora do CODU telefona para os Bombeiros de Alijó:

Bombeiro de Alijó: – Estou sim...

Operadora: – Uma saidinha para Castedo.

Bombeiro de Alijó: – Castedo é Favaios!

Operadora: – Pois é. Mas Favaios está só com um senhor e a ambulância. E a vítima pode estar em paragem respiratória. Vai a viatura médica de Vila Real. Não posso enviar uma ambulância só com uma pessoa para fazer uma emergência médica.

Bombeiro de Alijó: – Aqui também não tenho ninguém.

Operadora: – Não tem aí ninguém.

Bombeiro de Alijó: – Não. Só se chamar...

Operadora: – Então...

Bombeiro de Alijó: – Aqui só fico eu de noite.

Operadora: – Só fica o senhor sozinho de noite na corporação? Então se há um incêndio?

Bombeiro de Alijó: – Tenho de tocar a sirene.

Operadora: – Tem de tocar a sirene. Ó valha-me Deus!

Bombeiro de Alijó: – Minha amiga, não temos meios.

Operadora: – (dirigindo-se à médica da VMER) Ó doutora, Alijó idem idem...

Bombeiro de Alijó: – Mas eu vou chamar um colega meu.

Operadora: – Ó doutora. Eu posso mandar ir o de Favaios e o de Alijó. (dirige-se ao bombeiro) O senhor pode ir?

Bombeiro de Alijó: – Vou chamar o meu colega.

Operadora – Vai chamar o colega. Pronto, então siga. Vá. Bairro de Santo António. n.º **

Bombeiro de Alijó: – Qual é o número da ficha?

Operadora: – 32706, Sabe onde fica?

Bombeiro de Alijó: – Sei, sei. Vou já ligar.

Operadora: – Pronto, obrigada.


Existem óbvias falhas na coordenação, disponibilidade, meios e formação, agravadas pelo encerramento de uma urgência sem que se verificasse uma substituição efectiva, esta da responsabilidade do Ministério da Saúde.

Quer o vídeo do debate na SIC, quer a transcrição obtida a partir do CM, são exemplificativos de um País que muitos desconhecem e, ao contrário do que alguns pretendem fazer crer, não denunciam uma rara excepção, mas tão somente uma triste realidade que se teima em ignorar.

Esta situação, que era previsível, revela as fragilidades de um sistema de socorro que, ao substituir cada vez mais as unidades hospitalares, poderá brevemente entrar em colapso, colocando em sério risco as populações mais afastadas dos grandes centros urbanos.

Compra de aviões para combate a incêndios adiada


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Canadair CL-215 estacionados

O Ministério da Administração Interna (MAI) informou que já não será este ano que o concurso para aquisição de aviões de combate a incêndios florestais será aberto.

Segundo o MAI esta é a "melhor decisão de racionalização de custos", pelo que, se excluirmos os 9 helicópteros da Empresa de Meios Aéreos (EMA), as restantes aeronaves que irão completar as 56 anunciadas pelo ministro serão alugadas.

Este ano, estarão ao serviço da Autoridade Nacional de Protecção Civil durante a "Fase Charlie" um total de 56 meios aéreos que incluem dois aerotanques anfíbios pesados, oito aerotanques ligeiros, seis aerotanques médios, seis helibombardeiros pesados e 34 helicópteros médios ou ligeiros.

Para o MAI os seis helicópteros pesados Kamov Ka-32 da EMA "têm capacidade para substituir aviões pesados no combate a incêndios florestais", do que resulta a diminuição do número de aviões pesados.

Com apenas dois aviões pesados, presume-se que apenas estejam presentes ou os Beriev Be-200 ou os Canadair, dado que em termos logísticos não será vantajoso misturar modelos.

Por outro lado, a ideia de que os Kamov podem substituir aviões pesados pode ser enganadora se imaginarmos que o farão na proporção de um para um, sendo que ao aumento do número de meios não corresponderá, obrigatoriamente, uma maior capacidade em termos de transporte ou de largada.

No entanto, o que ressalta desta notícia é o novo adiamento do processo de aquisição de aviões de combate aos incêndios, algo que, na actual conjuntura e paga a dívida russa, não nos espanta dada a prioridade dada ao equilíbrio das contas públicas.

Lamenta-se, no entanto, quer a ideia de substituir aviões pesados pelos Kamov e, sobretudo, o novo adiamento da aquisição de meios próprios enquanto se dispende vultuosas quantias com alugueres.

Por outro lado, o adiamento de um processo de aquisição que sabemos ser moroso vem comprometer ainda mais as razões que presidiram à criação da EMA, que acaba por gerir durante um periodo cada vez mais prolongado um conjunto de meios que dificilmente justificam a sua existência como entidade autónoma.

Existe um conjunto de avaliações realizadas ao longo de anos, das quais resultaram diversas conclusões, certas ou erradas, mas que tentam ser um corpo coerente, sendo que as alterações ou adiamentos introduzidos, bem como a alteração de pressupostos, vem contrariar o trabalho realizado e relançar um conjunto de questões que pareciam estar decididas.

Inclinamo-nos cada vez mais para a ideia de que imperativos de curto prazo e uma falta de visão global preside às decisões de quem parece navegar à vista, decidindo de forma casuística e incapaz de perspectivar o País em termos de futuro em áreas tão fundamentais como os da protecção civil ou da segurança interna.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

56 meios aéreos no combate aos fogos no Verão de 2008


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Um Eurocopter AS350 B-3

O ministro da Administração Interna (MAI), Rui Pereira anunciou que este ano a Autoridade Nacional de Protecção Civil vai dispor de um total de 56 meios aéreos de combate a incêndios florestais na altura crítica das operações, ou seja na "Fase Charlie".

Este conjunto de meios suplanta os 52 que estiveram disponíveis no ano passado, tendo sido já dado início ao concurso que visa alugar 10 helicópteros de combate aos incêndios.

O ministro também revelou que a Empresa de Meios Aéreos (EMA), responsável pela gestão da frota de aeronaves do Estado destinada a missões na área da Administração Interna e especificamente no combate a fogos, receberá até ao final do mês o Certificado de Operador de Trabalho Aéreo solicitado ao Instituto Nacional de Aviação Civil.

O titular do MAI também informou que já se encontra operacional a base de Ponte de Sôr, onde ficarão estacionados os meios aéreos da EMA e os que vierem a alugados durante o próximo Verão.

Em termos de reforços terrestres, o titular do MAI adiantou que em Junho estará operacional a 2ª Companhia da Força Especial de Bombeiros, vulgarmente conhecidos por Canarinhos, o que permite alargar a área de intervenção aos distritos de Évora, Beja e Setúbal.

No ano de 2007, a 1ª Companhia tinha como zona de actuação os distritos da Guarda, Portalegre, Santarém e Castelo Branco, havendo na altura a promessa de expandir os efectivos e a área de intervenção.

Torna-se óbvio que a primazia continua a ser dada ao combate, com uma aposta fraca na prevenção a inexistência de medidas estruturais que combatam a desertificação do Interior e contribuam para a sustentabilidade das zonas mais pobres do nosso País.

Enquanto não houver uma mudança de políticas e de mentalidades, Portugal ficará cada vez mais confinado a uma faixa junto do Litoral, mais estreira em cada ano, enquanto o Interior do País desaparecerá em termos populacionais e económicos, sendo que, continuando por esta via, o combate aos incêndios começará a carecer de sentido ao realizar-se em áreas onde, para usar as palavras do ministro Mário Lino, não há gente, não há hospitais, não há indústria...

VMER demorou 2 horas a chegar a Alijó


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Uma VMER do INEM

A demora na chegada de uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) proveniente de Vila Real a Castedo, no concelho de Alijó, poderá ter estado na origem da morte de um homem de 43 anos.

A vítima faleceu devido a uma hemorragia, na sequência de uma queda na sua casa em Castedo, tendo a VMER demorado cerca de duas horas a percorrer um trajecto normalmente efectuado em 50 minutos.

Como razão da demora, os tripulantes da VMER referiram as dificuldades resultantes do espesso nevoeiro que se fazia sentir durante a noite e que impossibilitava deslocarem-se mais rapidamente.

Esta vítima faleceu numa localidade a cerca de 50 quilómetros de Vila Real e a pouco mais de dez de Alijó, cujo Serviço de Atendimento Permanente (SAP) do centro de saúde foi encerrado no final do mês de Dezembro passado.

O acidente ocorreu pelas 03:30, tendo uma ambulância dos bombeiros de Alijó chegado perto de meia hora depois, mas como não dispunha de meios de socorro e de uma tripulação com a formação necessária, foi necessário chamar a VMER de Vila Real.

Já há muito que levantamos o problema de eventuais atrasos resultantes de dificuldades no trajecto ou indisponibilidade do meio de socorro primário, pelo que não nos espanta que tal tenha sucedido, sobretudo numa zona do Interior de difíceis acessos e onde as condições climáticas podem atrasar o socorro.

Uma situação como a ocorrida no concelho de Alijó, era expectável, mesmo sendo impossível de prever onde e quando, mas as condições estavam criadas a partir do momento em que a urgência local fechou e os meios de socorro não podiam assegurar que chegariam dentro do tempo previsto.

Não basta ter um mapa de Portugal para desenhar um mapa de urgências, posicionar meios de socorro ou determinar a localização de transportes, sendo absolutamente necessário efectuar simulações, prever situações de excepção, como a alteração de condições climáticas, avarias, indisponibilidades ou outras, e estabelecer planos alternativos que garantam a segurança das populações.

Há mortes que não podem ser evitadas, mas as que dependerem de um planeamento negligente, de incompetência ou de falta de trabalho deve ser investigado e os responsáveis deverão ser identificados e punidos por algo que, sendo praticado fora da área política, seria considerado como um crime grave.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Videochamada no socorro


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Videofone Amstrad E 3

Com a vulgarização dos telemóveis de 3ª geração e de programas que permitem a sua ligação a sistemas informáticos, torna-se algo incompreensível que as centrais e equipamentos de entidades responsáveis pelo socorro não implementem um conjunto de funcionalidades que em muito contribuiriam para um atendimento mais eficaz.

A possibilidade de transmitir vídeo em situações de emergência, aliando a imagem em tempo real à descrição, bem como a de um interlocutor qualificado exemplificar, por exemplo, uma manobra de reanimação a ser aplicada remotamente, estão hoje ao alcance dos actuais meios tecnológicos, os quais podem ser obtidos com verbas cada vez mais reduzidas.

Também para quem presta assistência, a possibilidade de estar em contacto vídeo com um especialista, confere uma maior segurança, diminui a possibilidade de erro e permite receber instruções precisas, que podem, inclusivé, ajudar a salvar vidas humanas.

Quando se pretende estabelecer novas redes de comunicações integradas, que sirvam de base a forças de segurança e entidades responsáveis pelo socorro, o suporte de vídeo, aliado ao aúdio, é um requesito que consideramos essencial para prestar uma assistência tão rápida e precisa quanto possível.

No passado mencionamos um "software" da Vodafone que pode contribuir para esta solução, sendo que aconselhamos a quem desempenhe missões na área do socorro a obter um telemóvel de 3ª geração, que hoje custam menos de uma centena de euros, e a solicitar a instalação do programa apropriado num computador acessível por quem possa dar um apoio de 2ª linha.

Numa altura em que o isolamento das populações é cada vez maior e o socorro é efectuado, muitas vezes, por equipas isoladas, o recurso a novas tecnologias, actualmente pouco dispendiosas, é algo que deve ser equacionado nos locais onde as redes de comunicações permitam a realização de video-chamadas.

Vodafone apresenta software de envio de SMS e MMS para PC


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Logo da Vodafone

Após ter disponibilizado um programa que permite efectuar e receber videochamadas através de um computador para um telemóvel ou entre computadores, a Vodafone apresentou uma "toolbar", que permite enviar SMS e MMS a partir de um computador ligado à Internet.

Esta nova "toolbar", em conjunto com o programa, permitem efectuar chamadas de voz e vídeo, caso o computador disponha dos recursos necessários e vem dar mais um passo no sentido da integração entre computadores pessoais e as diversas formas de comunicação suportadas pelos modernos telemóveis.

É igualmente possível reconhecer em sites números telefónicos, tal como o faz um "add-on" do Skype, e efetuar chamadas para esses números através de uma simples indicação dada através do rato.


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Samsung F700 com videochamada

Tal como o "Vodafone Webphone", é necessário associar um número de telefone deste operador à aplicação, mas agora esta surge integrada no Internet Explorer, sob o formato de uma barra de ferramentas, e não como um programa adicional.

Outra vantagem é a possibilidade de partilhar contactos entre o computador e o telemóvel, guardar conteúdos e salvaguardar informação, facilitando a gestão integrada de ambas as plataformas.

O "software" está dispnível no "site" do operador, podendo ser descarregado e instalado sem custos nos computadores dos clientes da Vodafone, que continua na vanguarda deste tipo de aplicações que poderão ter um impacto substancial em diversas áreas, entre as quais a do socorro.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Negociação em cenários de crise


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The Elements of Police Hostage and Crisis Negotiations

O livro "The Elements of Police Hostage and Crisis Negotiations: Critical Incidents and How to Respond to Them" de James L. Greenstone foi escrito a pensar em intervenções policiais, mas tem interesse para todos quantos respondam a um incidente no qual estejam envolvidos, por exemplo, potenciais suicidas ou situações de violência doméstica.

Qualquer negociação em cenários de crise deve ser deixada a profissionais, mas, numa fase inicial, pode caber ao pessoal de socorro estabelecer um primeiro contacto com potenciais agressores ou vítimas, cabendo-lhes uma importante função na estabilização da situação, evitando a sua escalada.

Este livro aborda vários dos aspectos de um processo negocial, detalhando um conjunto de procedimentos e de alternativas e facilitando uma avaliação do risco, incluindo diversas possíveis variações em função do cenários, dos participantes e de todo um conjunto de factores condicionantes.

Mesmo sabendo que a maioria dos nossos leitores nunca estarão envolvidos em nenhuma situação semelhante às descritas e que poderão ter um interesse limitado neste assunto, não quisemos deixar de mencionar um livro que, com capa mole, custa perto da vintena de euros na Amazon inglesa ou no EBay e inclui um conjunto de informações que poderão ajudar a evitar uma tragédia, pelo que sugerimos a sua leitura ou a de uma obra equivalente a quem desempenhe missões de socorro.

Alarme com localização via GSM F900A - 2ª parte


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Triangulação via GSM através de 3 antenas

Para situações de alarme, é possível configurar dois grupos de números, acrescendo dois outros grupos destinados a serem contactados em caso de emergência, podendo ser livremente escolhidos pelo utilizador, que também pode modificar os códigos conforme considere conveniente.

Uma implementação do "microchip" da KEELOQ, que permite códigos de 66 digitos encriptados, garante um sem número de combinações, de modo a que a intercepção e descodificação dos comandos seja virtualmente impossível, sendo necessários anos de tentativas para que surja uma repetição.

A localização via GSM tem as limitações que já mencionamos, diferentes das inerentes ao sistema GPS, mas oferecem uma vantagem importante, concretamente a de se manter activa dentro de portas, desde que haja rede de telemóvel, enquanto os GPS quando os veículos estão, por exemplo, numa garagem coberta, deixam de fornecer dados posicionais actualizados.

A complementaridade entre a localização via GPS e GSM seria, obviamente o sistema mais seguro, sem que daí decorresse um substancial aumento no preço do equipamento, mas até agora não encontramos nenhum fabricante que explorasse esta possibilidade e garantisse a redundância e a detecção mútua de erros.

Este equipamento que apresentamos, pelo preço, justifica uma análise e uma avaliação, sobretudo por quem use o veículo essencialmente em zonas urbanas, onde a densidade de antenas GSM é maior e os GPS, devido à profusão de edifícios de grandes dimensões, túneis, viadutos e outros obstáculos, apresenta maiores dificuldades de funcionamento.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Adaptador USB BlueTooth


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Adaptador USB BlueTooth

Um novo modelo de adaptador BlueTooth com "interface" USB tem vindo a aparecer em lojas de baixo preço, sendo vendido por perto de uma dezena de euros.

Relativamente ao modelo que apresentamos previamente, existem duas diferenças substanciais, sendo a primeira a inclusão de controladores para o Windows Vista, tornando-o apto para este sistema operativo da Microsoft, enquanto a segunda é o formato tipo "pen", sem uma antena destacável e com o conector USB protegido quando não está em uso.

O alcance máximo anunciado é de 100 metros, sendo este limitado devido a obstáculos ou intreferências, e pode ser utilizado para, por exemplo, ligar um telemóvel ao computador e efectuar a salvaguarda de dados contidos neste ou usá-lo como meio de acesso à Internet.

Outra utilização comum será a ligação do computador ao cada vez maior número de receptores de GPS com bluetooth, permitindo um posicionamento ideal dos vários equipamentos sem os constrangimentos que resultam do uso de cabos.

Este é um tipo de equipamento de comunicação cada vez mais comum, que pode servir para pequenas redes não estruturadas e que, obviamente apresentarão vulnerabilidades a nível de segurança, sendo que será uma opção a ter em conta para quantos tiverem computadores que não incluam de origem um "interface" bluetooth.

Ambulâncias onde havia hospitais


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Ambulância do INEM ao lado de uma VMER

Quando alguém morre e surgem dúvidas quanto à responsabilidade de um dado membro do Governo, que tomou uma decisão possivelmente errada e que teve consequências, é normal que os partidos da Oposição peçam os necessários esclarecimentos através da presença do decisor envolvido.

Com um pedido de esclarecimentos, seja em sede de comissão parlamentar, seja noutro local, não se está a acusar ninguém, mas a pretender uma explicação para um conjunto de decisões que poderão estar ligadas com um dado acontecimento que para alguns levanta dúvidas enquanto para outros há muito que existem certezas.

Nunca será possível provar que a manutenção em funcionamento das urgências do Hospital de Anadia poderia ter evitado a morte de um bebé, que perdeu a vida não obstante os esforços do INEM, tal como não será possível, em boa fé, demonstrar o contrário, pelo que ambas as partes irão continuar a esgrimir argumentos que nunca convencerão os oponentes.

O que será sempre intuitivo é que havendo mais meios, a possibilidade de ter salvo esta vida seria maior e que o fecho de urgências e serviços de saúde, tal como tem vindo a suceder, se não resultou na perda desta vida, certamente será responsável pela morte de outros seres humanos, mesmo que tal seja difícil de provar de forma isolada.

Este é uma evidência que, infelizmente, será facilmente demonstrável quando ocorrer uma situação grave que obrigue a uma intervenção de emergência num local do Interior onde, seja por corte das estradas, seja por dificuldades de orientação, seja por qualquer outro factor conexo, não for possível prestar a devida assistência médica de forma atempada e daí resulte igualmente a perda de uma vida.

Não temos tido, pelo menos até agora, um Inverno rigoroso, com estradas intransitáveis, mas quando tal acontecer, as consequências do fecho de tantas unidades de saúde será sentida, e aí não haverá nem desculpa nem perdão para quem optou por esta política que confunde socorro com assistência hospitalar enquanto transforma hospitais em ambulâncias estacionadas em localidades cada vez mais desertas.

domingo, janeiro 20, 2008

Bebé morre no estacionamento do Hospital de Anadia - 2ª parte


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Uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação

Os argumentos das entidades responsáveis são conhecidos e baseiam-se na lamentável permissa de não ser possível provar que estando em funcionamento as urgências agora encerradas, se poderiam ter salvo estas vidas, argumento que consideramos inqualificável dado tirar partido da irreversibilidade da perda de vidas humanas como forma de sustentar uma opção que continua a fazer vítimas.

Já nos insurgimos contra a promiscuidade entre o socorro e o tratamento hospitalar e a ideia de que é possível substituir uns pelos outros sem por em perigo as populações e causar um evidente alarme social, patente nas inúmeras manifestações populares onde o descontentamento e o medo são evidentes.

Também não conseguimos descobrir nos estudos feitos uma análise séria do próprio socorro, com temporizações baseadas em simulações ocorridas em diversos tipo de condições reais, mobilização dos vários tipos de meios de acordo com a caracterização do incidente, sistemas de redundância em caso de falha do meio primário, e tantas outras variáveis sem as quais não se pode considerar que exista um planeamento efectivo.

Devemos colocar várias situações, como a possibilidade de a ambulância do INEM estar mais distante, de a VMER de Coimbra estar a prestar socorro e não poder acorrer a esta urgência, e interrogarmo-nos sobre qual seria a resposta de um sistema que se baseia na disponibilidade de meios móveis para os quais há poucas ou nenhumas alternativas.

Nem mesmo o inquérito poderá determinar com certeza se outros meios de socorro teriam podido salvar esta vida, mas enquanto não houver estudos sérios outras se irão perder sem que, mais uma vez, se saiba se tudo foi planeado, organizado e realizado para as salvar.

A falta de planeamento que se verifica nesta área vem em linha com a inexistência de uma visão de conjunto de de um plano de desenvolvimento para o País, algo que denunciamos repetidamente e que se torna tanto mais evidente quanto o número de vítimas de uma política desastrosa vai aumentando.

Num País onde não há responsabilidade política e as más decisões passam impunes, podia, ao menos, haver um sentimento de vergonha que evitasse que opções que se baseiam em erros flagrantes possam manter-se apenas por teimosia ou incapacidade de aceitar que houve uma efectiva precipitação nas decisões e que estas devem ser reequacionadas antes que se percam mais vidas humanas.
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