sábado, maio 05, 2007

Pilotos do Exército vão combater fogos durante três anos


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Kamov Ka32 durante um exercício

Ficaram concluidas as negociações relativas à cedência de pilotos do Exército ao Ministério da Administração Interna (MAI) para combater os incêndios florestais.

Na próxima segunda feira, os pilotos oriundos da Unidade de Aviação Ligeira do Exército (UALE) vão começar a ter formação na área da protecção civil, com particular incidência no combate a incêndios florestais utilizando os recém adquiridos helicópteros Kamov Ka-32.

Esta decisão já foi comunicada aos militares da UALE, que ficarão dependentes do MAI via Empresa de Meios Aéreos (EMA), recentemente criada para gerir a frota de meios aéreos do Estado.

O protocolo de cedência está em preparação no Estado-Maior do Exército, após longa demora, prevendo que os pilotos estejam durante três anos ao serviço do MAI, sendo que tal pode, na prática, inviabilizar a reactivação da UALE durante este período.

Tal como foi previamente mencionado, a responsabilidade da formação cabe à empresa vencedora do concurso de fornecimento de helicópteros, neste caso a Heliportugal, que fornecerá um total de seis Kamov Ka-32 e quatro Eurocopter AS-350 B3.

Este ano para completar a equipa de pilotos a constituir pela EMA, haverá um reforço de doze pilotos russos com experiência nos Ka-32 e no combate aos fogos aos comandos deste modelo que apresenta diversas particularidades quando comparado com outros helicópteros da mesma classe.

Futuramente, o MAI pretende formar elementos da Guarda Nacional Republicana em funções de chefia e coordenação, sendo que o prazo para obter as necessárias qualificações e experiência se estima em, pelo menos, sete anos.

Já nos pronunciamos relativamente ao recurso a pilotos militares no combate aos incêndios, mas devemos acrescentar que o prazo de cedência por três anos pode, efectivamente, vir a por um ponto final na curta vida da UALE, sobretudo se ao longo período sem pilotos adicionarmos os problemas nas comparticipações portuguesas no projecto do NH-90.

Assim, sem pilotos e, possivelmente, sem helicópteros, a UALE poderá vir a ser extinta sem nunca ter alcançado o estatuto de unidade operacional, no que seria uma situação lamentável dada a necessidade que o Exército tem de meios aéreos ligeiros autónomos.

A opção por recorrer aos pilotos militares, mesmo que tentadora, deverá ser equacionada com o máximo cuidado, seja do ponto de vista operacional, seja político, pelos riscos que encerra e pelas consequências directas no futuro da UALE que pode, assim, ver determinado o seu fim.

sexta-feira, maio 04, 2007

Placa WiFi D-Link DWL G520+ - 1ª parte


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Placa WiFi D-Link DWL G520+

Neste últimos dias, em virtude de algumas modificações na rede interna que usamos, temos vindo a publicar um conjunto de textos sobre as redes sem fios, tendo abordado desde antenas a "routers", passando por sistemas de detecção de sinal.

Faltava, no entanto, um dos componentes essenciais, concretamente as placas de rede utilizadas nos equipamentos individuais que irão aceder ao "router" que serve de base ao sistema de comunicações.

Para além dos equipamentos ligados por cabo através de placas de rede incluidas de fábrica, o facto de utilizarmos um "router" D-Link Di-624, que para além dos protocolos "standard" IEEE 802.11b/g, permite duplicar a velocidade deste último através de um algoritmo de compressão próprio, levou-nos a escolher placas do mesmo fabricante.

Desta forma, para além dos 11 e 54 Mbits, existe a possibilidade de, para curtas distâncias e boas condições de sinal, selecionar os 108 Mbits, algo que só aconselhamos para operações específicas que impliquem transferências de grandes volumes de informação, dado que, para acessos à Internet, por exemplo, o estrangulamento que determina o fluxo de dados real se encontra nas ligações exteriores.

As placas em uso apresentam formatos diferentes, dado serem instaladas em portáteis e computadores convencionais, mas possuem características idênticas em termos de funcionamento e de "performances", com pequenos pormenores a nível do sistema de antena exterior.

Presidente do INEM sugere a extinção do Instituto


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Elementos do INEM em formação

Todos os dias nos deparamos com situações inesperadas, quase todas elas destinadas a poupar algum dinheiro, mesmo que com isso se coloque em risco as populações, sobretudo nas áreas do Interior, onde já quase nada subsiste.

Foi, portanto, sem grande surpresa, que soubemos que o presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) defende a extinção do organismo que dirige, passando as competências para as unidades hospitalares.

Luís Cunha Ribeiro fez esta declaração durante o encontro sobre "cooperação na rede de urgências hospitalares" organizado pelo Hospital do Futuro, adiantando que "o hospital não deve estar fechado entre quatro paredes, mas sim organizar a sua actividade pré-hospitalar, buscar o doente grave e estabilizá-lo".

Após os cortes nas despesas do Estado com a saúde, com o fecho de unidades de serviço permanente ou a diminuição do número de tripulantes das ambulâncias, era de supor que algo de mais grave se seguisse, sobretudo agora após a abertura à iniciativa privada.

Já suspeitavamos que grande parte das medidas propostas se destinassem a transferir a actividade do socorro para particulares, criando condições para que estas sejam rentáveis através da diminuição dos custos de exploração, pelo que a proposta ou sugestão de extinguir o INEM parece enquadrar-se nesta política.

Logicamente, não foi o ministro da Saúde que avançou com a ideia, dados os custos políticos inerentes, mas ninguém de boa fé duvida que está por detrás de uma sugestão que segue a linha de orientações que tem dado ao sector e que, basicamente, se destinam a poupar a todo o custo, mesmo que para tal se sacrifiquem algumas vidas humanas.

Num sistema político em que os decisores não são julgados criminalmente pelas suas opções, sai mais barato ao Estado indmenizar algumas famílias do que manter um sistema de socorro que, cada vez mais, se destina a quem não tem recursos para aceder a meios e equipamentos particulares.

Talvez uma responsabilização diferente, civil e criminal, da nossa classe política resultasse em opções mais humanas e justas, mas sendo os próprios que aprovam as leis que os protegem, duvidamos que tal venha alguma vez a acontecer.

Entretanto, o risco de maiores dificuldades no socorro das populações tem tendência para aumentar caso uma estrutura profissional e com a reconhecida competência e experiência do INEM deixe de existir, com a transferência das suas responsabilidades para entidades heterogéneas e cujas capacidades são, actualmente, desconhecidas.

quinta-feira, maio 03, 2007

Adiada abertura de propostas de aluguer de aviões pesados


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Um Martin Mars em acção

A abertura das propostas para o aluguer de meios aéreos pesados de combate a incêndios foi adiada para o próximo dia 11 devido a uma falha na documentação apresentada pela Beriev.

Para além da empresa russa, também a Aeronova se apresentou a concurso, propondo-se alugar aeronaves anfíbias com um mínimo de 10.000 litros de capacidade nos meses que vão de Julho a Setembro.

Foi precisamente a Aeronova que reclamou da documentação apresentada pela Beriev, pelo que o júri decidiu adiar a abertura das propostas por cinco dias, de modo a permitir a regularização da situação.

Assim, enquanto a Aeronova se encontra, desde já, na fase final, a Beriev está apenas de forma condicional, sendo excluida caso não entregue a documentação exigida.

A falha por parte da Beriev, que teria sido inconsequente caso não houvesse concorrência, pode ser apenas uma defeciência processual, a que infelizmente já nos habituamos, mas também pode indiciar uma situação mais complexa e que deve ser devidamente investigada pelas autoridades judiciais e pela comunicação social, nomeadamente averiguando da possibilidade de este ser um concurso feito à medida da empresa, não contando o Ministério da Administração Interna com qualquer outro concorrente.

A falta de documentos, pode revelar seja um excesso de confiança, fruto de uma informação de que a adjudicação seria certa, seja uma falta de rigor processual que, caso não houvesse outro concorrente, seria de pouca importância, dada a inevitabilidade da adjudicação pela ausência de alternativas.

Esperemos que, após uma situação confusa para a qual haja escassas explicações, não nos deparemos com uma declaração de "relevante interesse público" que venha a permitir uma adjudicação em temos pouco claros e que como referimos no passado, em nada servem os interesses do Estado e dos cidadãos.

Concursos feitos à medida


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O Beriev Be-200: um dos beneficiados

Quem acompanhe os processos de aquisição de equipamentos promovidos por entidades oficiais, já se terá certamente apercebido de que o articulado dos concursos apresenta um conjunto de exigências que tende a favorecer um dado concorrente.

Esta situação levou, por exemplo, à anulação do concurso de aquisição de armas ligeiras para as Forças Armadas, está a suscitar um pedido de impugnação no processo de compra de armas para as forças de segurança e levou a uma acção judicial contra a aquisição dos helicópteros para o Ministério da Admnistração Interna (MAI), recentemente considerado improcedente pelo Supremo Tribunal Administrativo.

No caso concreto do concurso internacional para o aluguer de meios aéreos pesados, a imposição de uma capacidade mínima de 10.000 litros a de ser anfíbio sugere a intenção de selecionar um determinado modelo através de características e não de desempenho operacional.

Analisando, primeiramente, a necessidade de ser anfíbio, tal deve-se, obviamente a uma questão relacionada com o número de locais possíveis de reabastecimento, o qual foi francamente inflacionado durante o Verão passado, incluido cursos de água e albufeiras onde era impossível encher os tanques na totalidade.

Da inclusão de pontos de reabastecimento sem os necessários cuidados, eventualmente no sentido de dar a esta aeronave uma flexibilidade que na prática não existe devido à orografia nacional, resultou o acidente da barragem da Aguieira o que demonstra que houve um planeamento pouco rigoroso e que tentou iludir a realidade.

Na verdade, seja em terra ou em água, o importante é quantos locais de abastecimento existem, contabilizados de forma realistas, e quais as distâncias a percorrer destes aos teatros de operações mais prováveis.

Também a questão do limite mínimo de 10.000 litros é uma falácia, dado que esta quantidade só faz sentido se tomarmos em conta factores tão diversos como, por exemplo, a localização dos pontos de reabastecimento e os tempos de voo, os próprios perfís de voo e a altitude a que as largadas são efectuadas, do que resulta uma maior ou menor precisão e perdas em virtude da evaporação sob o efeito das altas temperaturas.

Destes e de outros factores depende, efectivamente, a capacidade das descargas, pelo que, com base numa simulação de incêndios anteriores, os modelos a concurso deviam ser avaliados segundo a eficácia e volume das largadas e não em termos de um valor bruto cujo significado é reduzido.

Desta forma, teriamos visto com bons olhos se o concurso tivesse um outro tipo de exigências, relacionadas com os resultados e não com um conjunto de características que, supunha o MAI, fossem exclusivas de um único avião relativamente ao qual não haveria alternativa.

Dado que surgiu um segundo concorrente, para surpresa de muitos, teme-se que possa haver um tratamento desigual, de forma a que a adjudicação seja efectuada à empresa que, supostamente, iria vencer sem oposição, facto que levanta sempre suspeitas de haver a possibilidade de uma combinação prévia e que, naturalmente, não defende os interesses do Estado.

Tal como em outras situações em que existem cláusulas que apontam para um determinado concorrente, deve haver uma auditoria rigorosa a este concurso, de modo a não apenas esclarecer da sua objectividade e valia técnica, como para apurar se os valores propostos pelo que poderia ser o único concorrente, não se encontram francamente acima dos constantes de uma segunda e inesperada proposta.

Os concursos que parecem feitos à medida, para além de aparentarem uma forma de contornar regras processuais que requerem este método de adjudicação, violam princípios básicos de transparência, minando assim a confiança que os cidadãos devem ter no Estado e criando uma atmosfera propícia a tráficos de influência e trocas de favores, os quais, à custa de tanto se repetirem, acabam por ser encarados com a maior normalidade.

quarta-feira, maio 02, 2007

A defesa da floresta é dever de todos


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Floresta portuguesa: um bem cada vez mais raro

Durante o dia de domingo, o ministro da Administração Interna, António Costa, apelou hoje à contribuição dos cidadãos para debelar o problema dos incêndios florestais.

O apelo foi feito durante a apresentação do dispositivo distrital em Coimbra, numa cerimónia que se repetiu em Pombal, no distrito de Leiria e Almeirim, no de Santarém.

António Costa recordou que 2006 "foi um ano excepcional", tendo ardido apenas um terço da área média dos últimos cinco anos, mas lembrou que as alterações climáticas poderão inverter esta tendência.

Para o ministro, o problema dos incêndios "impõe um dever a todos os cidadãos de colaborar na defesa da floresta", e acentuou a prontidão dos meios de combate, humanos e logísticos, de que o Estado dispõe este ano.

António Costa apelou ainda aos bombeiros e demais envolvidos no combate aos incêndios para que usem os equipamentos de protecção individual de forma adequada e cumpram todas as regras de segurança, salientando que "o primeiro dever de quem garante a segurança dos outros é garantir a sua própria segurança".

Com o aproximar da época dos fogos, surgem os compreensíveis temores de que os resultados não sejam tão positivos como os do ano de 2006, que em virtude de uma conjuntura climática particularmente favorável aliada a extensas áreas ardidas e não regeneradas, foram excepcionais sem que tal se deva a medidas estruturais.

Sabendo-se que não houve medidas estruturais que visem proteger as zonas mais críticas, mas tão somente o reforço de meios de combate, numa perspectiva de controle de danos e de minimização das perdas, facilmente se percebe que sem as condições climatéricas excepcionais do ano passado, os resultados não serão os mesmos.

Surge, pois, o habitual apelo à mobilização dos cidadãos, algo vulgar e que se pode entender não como uma real e efectiva vontade de obter a colaboração destes, mas como uma partilha antecipada da responsabilidade, particularmente útil caso a área ardida aumente em comparação com o ano anterior.

Após um triunfalismo inicial, perante uma realidade ameaçadora, o ênfase passa para a alteração das condições climáticas e para eventuais dificuldades acrescidas, fazendo assim transitar a responsabilidade por mais um ano desperdiçado sem políticas de desenvolvimento do Interior e de efectivo ordenamento do território do Governo para a sociedade em geral.

Não se pode dizer que seja uma má táctica, mas é perfeitamente falaciosa e mistificadora, não passando de uma desculpa por parte de quem, nas alturas em que foi contactado, optou por ignorar as propostas de quem estudou o problema e estaria disposto a colaborar.

Na verdade, o Governo quer aquilo que, propagandisticamente, será o melhor de dois mundos, o de ter a exclusividade dos sucessos, mas poder partilhar os fracassos com a população que, assim, não poderá acusar o poder político pela irresponsabilidade com que tem gerido os "dossiers" que dizem respeito ao desenvolvimento regional, à solidariedade nacional ou à problemática do socorro.

Como resposta ao apelo do titular do MAI, poderiamos exibir as respostas que o seu gabinete, bem como aso que outros governantes nos enviaram ou listar aqueles que, pura e simplesmente, nem responderam, o que demonstra claramente que estas são palavras de circunstância que apenas visam partilhar a responsabilidade por um possível aumento de área ardida relativamente a 2006.

Sabemos que o único trabalho feito com empenho foi na área do combate, razão pela qual era possível sentir uma tensão o seio do Governo após a época de incêndios de 2006, com o ministro António Costa a mencionar, de forma algo discreta, que tinha feito o seu trabalho, como contraste com os ministérios do Ambiente e da Agricultura que, efectivamente, pouco fizeram.

Quando os incêndios chegam, com eles vem o salve-se quem puder por parte de quem esqueceu que tudo o que se tem conseguido é ganhar tempo e controlar danos, de modo a que soluções defenitivas sejam implementadas e comecem a dar os seus frutos.

Até que tal aconteça, por muito que se afirme o contrário, não está a haver investimento, mas tão somente a diminuir o desperdício que resulta de um conjunto de políticas imediatistas, sem visão ou perspectiva de futuro, que desde há muito arruinam o nosso País.

Inversor de corrente de 75W


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Inversor de corrente de 75W

Os preços dos inversores de corrente têm vindo a reduzir-se de forma significativa desde que deles falamos pela primeira vez, quando mencionamos um modelo da Unitek, pelo que a sua aquisção começa a fazer todo o sentido para quem necessite de utilizar equipamentos eléctricos num veículo.

Os modelos compactos, até 75W, já atingiram preços na ordem dos 25 euros, e incluem protecções contra variações bruscas de corrente e sobreaquecimento.

Este modelo, exemplificativo de muitos que se podem encontar, liga-se à tomada de isqueiro através de um cabo de 120 cm e tem uma eficiência máxima de 90%, com uma saída contínua de 70W.

Sendo de pequenas dimensões, com 63 X 73 X 35 mm e um peso de apenas 210 gramas, é adequado para ligar equipamentos de baixo consumo como computadores portáteis, câmaras, PDA's ou leitores de música, evitando assim uma multiplicidade de cabos adaptadores específicos para cada dispositivo.

Logicamente, para quem apenas pretender recorrer a um único equipamento para o qual exista um adaptador para a tomada de isqueiro específico, o inversor poderá não ser a escolha correcta, dado acrescentar mais cabos e mais um volume que terá de ser acondicionado.

Este modelo será uma solução prática para quem necessite de recorrer a alimentação a 220 V e que opte por não adquirir conjuntos de adaptadores específicos para todos os dispositivos eléctricos que utiliza no veículo, mas exclui equipamentos de maior consumo, como frigoríficos, os quais ultrapassam em muito as capacidades deste inversor.

terça-feira, maio 01, 2007

Forum Land Rover já está disponível


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Fórum Land Rover

O Fórum Land Rover já se encontra novamente acessível e utilizável, com um novo visual nas áreas de discussão.

Tanto quanto nos é dado observar, existe um conjunto de mensagens colocadas pouco antes do ataque que, aparentemente terão desaparecido, mas no respeitante ao histórico e à grande quantidade de informação armazenada ao longo de anos, esta já pode novamente ser consultada.

Espera-se que, com a nova versão de "software", o Fórum fique menos vulnerável a ataques que, infelizmente, têm vindo a aumentar, prejudicando muitos dos que usam a Internet seja para fins lúdicos, seja por motivos profissionais.

Acidente mata dois bombeiros de Mourão


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Ambulância acidentada (Fotos CM e SIC)

Dois bombeiros da corporação de Mourão, de 25 e 49 anos de idade, morreram esta madrugada, entre as 02:00 e as 03:00, quando a ambulância em que seguiam se despistou depois da saída da cidade de Reguengos de Monsaraz, na estrada de ligação a Mourão e embateu no muro de uma herdade.

O acidente ocorreu quando a ambulância regressava a Mourão, após ter transportado um idoso internado na Santa Casa da Misericórdia para as urgências do Hospital de Évora.

Os funerais dos bombeiros António Patinha e Ricardo Paias realizam-se esta terça-feira, a partir das 11h, hora prevista para a realização de uma missa no quartel, após o que serão sepultados no cemitério da vila de Mourão.

Para além dos membros da corporação, é manifesto que a população local está visivelmente abalada, pelo que foi mobilizado para aquela vila alentejana uma equipa de psicólogos para apoiar todos quuantos necessitem desta ajuda.

Além de lamentar a perda das vidas destes bombeiros, mesmo sem comentar este caso específico, não podemos deixar de tecer algumas considerações quanto a uma situação que não é inédita e que poderá ter tendência a aumentar.

O fecho de serviços de atendimento permanente na área da saúde no Interior, do que resulta um cada vez maior afastamento entre as populações e os centros onde podem ser socorridas, vai, forçosamente, aumentar as distâncias a percorrer e provocar autênticas corridas contra o tempo.

Teremos, assim, um risco acrescido para quem necessitar de socorro, mas também para quem desenvolve actividades nesta área, que, inevitavelmente, irá tentar compensar as maiores dificuldades que enfrenta através de uma maior entrega e, potencialmente, de um maior sacrifício da segurança pessoal.

Este perigo é potenciado pelo maior cansaço das tripulações e pelo desgaste acrescido dos veículos e equipamentos, os quais nem sempre têm a necessária manutenção, fruto das carências económicas que muitas corporações enfrentam, do que resulta uma combinação explosiva.

Seria especulativo afirmar que uma disposição diferente dos meios de socorro e dos locais de atendimento teriam evitado este acidente, mas cremos que as actuais políticas que distanciam as populações dos centros de atendimento irão causar vítimas, seja pela maior demora na prestação de cuidados, seja devido ao aumento das distâncias e, previsivelmente, da velocidade média das deslocações.

Mesmo sem termos certezas, pois o futuro não é possível de prever, uma simples análise estatística poderá levar a tirar conclusões que sustentem as afirmações que produzimos e que fazem antever um futuro negro nas missões de socorro como resultado de um conjunto de decisões manifestamente erradas e cujas consequências só agora começam a surgir.

segunda-feira, abril 30, 2007

Parlamento aprova comissão para avaliar defesa da floresta


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Serra do Caldeirão em chamas

O Parlamento aprovou por unanimidade um projecto de resolução para a "constituição de uma comissão de acompanhamento e avaliação da política nacional de defesa da floresta contra incêndios".

Neste debate, a oposição insistiu em dar prioridade à prevenção, considerada pela deputada do Partido Social Democrata, Ofélia Monteiro, como "o calcanhar de Aquiles do governo" socialista.

Esta deputada defendeu também o emparcelamento da propriedade rural e o reforço dos meios na protecção e vigilância das florestas.

Por seu lado, o deputado do Partido Socialista, Horácio Antunes, considerou que as prioridades da comissão devem centrar-se no acompanhamento dos projectos de recuperação das áreas ardidas, no melhoramento do estatuto do bombeiro voluntário e em efectuar um balanço das políticas governamentais na "mitigação do flagelo dos incêndios florestais".

Para o deputado do Partido Comunista Português, Agostinho Lopes, os incêndios não destroem apenas a floresta portuguesa mas também "o próprio regime democrático, quando se verifica a incapacidade e impotência do poder político para os debelar, como aconteceu nos últimos anos, por inteira responsabilidade de sucessivos governos".

A importância da prevenção e do ordenamento florestal, como contraponto à excessiva centragem no combate aos fogos foi salientada pela deputada Heloísa Apolónia, do Partido Ecologista "Os Verdes", seguindo a mesma linha de acção defendida pelas outras bancadas parlamentares.

Numa linha diferente, mas complementar, a deputada Alda Macedo, do Bloco de Esquerda lembrou "redução do número de funcionários" dos ministérios do Ambiente e da Agricultura que trabalham no sector florestal.

Finalmente, o CDS-Partido Popular, através do deputado Abel Baptista manifestou o apoio à resolução salientando que "a floresta representa a fonte de rendimento para milhares de produtores florestais e agrícolas".

A criação de uma comissão neste âmbito é, no entanto, redutora ao centrar-se em aspectos que excluem políticas sustentáveis de desenvolvimento do território e a integração destas nas várias áreas de governação que têm um papel decisivo na recuperação da unidade e do espírito de solidariedade nacional.

Observar a problemática dos incêndios com base no próprio fenómeno das suas causas directas e no seu combate é seguir exactamente a mesma linha que tem permitido a destruição da nossa floresta que, tal como muitas outras tragédias nacionais, resulta de uma falta de visão a nível de planeamento e de políticas de desenvolvimento equilibradas e sustentáveis.

Enquanto não houver políticas que valorizem o Interior, atraindo novos habitantes, jovens e qualificados, e investimentos significativos, a luta contra os incêndios será sempre perdida, fruto da falta de sustentabilidade da floresta, do abandono das terras e da desertificação de importantes áreas do nosso País.

Torna-se absolutamente necessário pensar que País pretendemos ter no futuro e integrar visões e políticas que contribuam para uma maior justiça na distribuição de riqueza e de recursos, de forma a que o combate aos incêndios resulte do próprio desenvolvimento local e não de medidas casuísticas que promovam de forma artificial soluções temporárias, dispendiosas e, no limite, ineficiêntes, que apenas resultam em desperdício de dinheiros públicos.

Um quarto de século do ZX Spectrum


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Modelo inicial do ZX Spectrum

Para muitos de nós, o ZX Spectrum é um marco na história da informática e foi o equipamento que permitiu as primeiras experiências que, para muitos, acabou por ditar o futuro profissional.

Quase parece que foi ontem, mas com o passar de 25 anos sobre o lançamento deste producto da Sinclair, é justo recordar um computador que tornou a informática acessível a muitos, desmistificou-a e trouxe um conjunto de recursos gráficos que se encontravam virtualmente indisponíveis.

A história deste computador, desde o modelo inicial de 16 Kb, passando pelo célebre 48 Kb, até às versões finais, é bem conhecida e facilmente se encontra nas páginas da Internet, onde ainda é possível obter jogos que, provavelmente, terão de ser gravados numa "cassete" de modo a poderem ser carregados pelo Spectrum.


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Écran de um dos antigos jogos sob um emulador

Para os mais saudosistas, lembramos que ainda existem emuladores que permitem correr nos modernos computadores pessoais o código escrito a pensar nos Spectrum, permitindo assim reviver alguns dos bons momentos passados a pressionar as teclas de borracha características deste modelo.

Esta é uma pequena homenagem a um computador que, pela sua importância, deve ficar em local de destaque junto de outros marcos que assinalam a evolução da informática e lhe permitiu atingir o nível técnico dos nossos dias.

domingo, abril 29, 2007

Dois concorrentes no concurso para aluguer de meios pesados


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Um Martin Mars em acção durante um incêndio

O concurso internacional para o aluguer de meios aéros pesados de combate a incêndios, cujas propostas serão abertas no decurso de uma sessão pública a realizar na próxima quarta-feira, decorrer a sessão pública de abertura, tem dois concorrentes.

Para além da Beriev, que se apresenta com o Be-200, idêntico ao hidroavião que operou no Verão passado, existe um segundo concorrente que, portanto, terá que apresentar um modelo anfíbio com capacidade mínima para 10.000 litros.

Neste concurso, cujo prazo de entrega de propostas terminou anteontem, o Ministério da Administração Interna (MAI) admitia que apenas participasse a Beriev, dado que apenas conheciam este modelo e o protótipo da empresa japonesa ShinMaywa, herdeira da Kawanishi que produziu aviões militares tão famosos como os "Shiden-kai" e os "Kyofu" que operaram durante a 2ª Guerra Mundial.

Uma delegação da ShinMaywa esteve no MAI com o intuito de obter informações relativamente a este negócio, mas o secretário de Estado da Administração Interna, Rocha Andrade, declarou ter indicações de que "a empresa não teria condições para se apresentar a concurso este ano".

Existem outros aparelhos, como os diversos modelos derivados dos Boeing comerciais, de grande capacidade, entre os quais o "Evergreen", que mencionamos previamente e que é o maior avião tanque do Mundo, mas estes modelos não são anfíbios, pelo que não poderiam apresentar-se a concurso.

Segundo Rocha Andrade "não tivemos qualquer manifestação de interesse, mas em rigor não podemos afirmar que não existam no mercado aeronaves que desconhecemos", facto que demonstra que não houve uma investigação sobre o assunto no sentido de apurar alternativas.

Sendo um concurso que parece feito à medida do Beriev Be-200, tal pode incorrer num conjunto de erros que se podem traduzir em questões de índole legal dado a imposição de um determinado conjunto de características e não de modo a flexibilizar a forma de obter um dado resultado operacional.

Não vemos razão para impor a necessidade de transportar 10.000 litros de água se, por exemplo, pelo mesmo valor da proposta a concurso uma empresa disponibilizasse dois aparelhos com capacidade de 5.000 litros e características de voo que não os penalizassem em confronto com os Be-200, do que resultaria uma disposição de meios mais flexível e uma capacidade operacional superior.

Esta seria, na nossa opinião, a linha correcta e a mais justa a seguir, de modo a permitir um máximo de concorrência, a única forma de defender os interesses do Estado e das próprias populações que, infelizmente, não estão a ser correctamente representadas nesta matéria.

No entanto, existe uma alternativa pouco conhecida entre nós, os dois hidroaviões Martin Mars, sobreviventes de um pequeno lote de seis aeronaves construidas nos anos quarenta, os quais têm operado com exito ao longo de décadas, sobretudo no continente americano, e possuem uma capacidade de carga substancialmente superior à dos Be-200.

Para quem desconheça o maior avião anfíbio de combate a incêndios florestais, convidamos a efectuar uma visita ao "site" onde as características dos Martin Mars são descritas e se podem encontrar diversos tipos de informação e os próprios contactos da empresa que gere as suas operações e que o MAI poderia ter abordado.

Finalmente, recomendamos ao MAI que reveja a forma como prepara os concursos e investigue, tal como nós o fazemos, da possibilidade de alternativas, seja com base nos resultados pretendidos, seja consultando outras empresas capazes de fornecer meios adequados às missões propostas.
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