quarta-feira, janeiro 28, 2026

A normalização da morte por frio - 1ª parte

Entre 06 de Dezembro de 2025 e 21 de Janeiro de 2026 ocorreram quase mais 4.000 óbitos do que a média, correspondente a um aumento de perto de 30%, tendo o Ministério da Saúde atribuído este excesso de mortalidade a uma conjugação entre a actividade gripal e o tempo frio, com as consequências a afectar, sobretudo, os mais idosos.

Naturalmente, este número corresponde, em grande parte, a uma antecipação de óbitos, abrangendo quem já está muito fragilizado, o que significa que nos próximos meses o número de óbitos irá ser menor, pelo que só dentro de alguns meses, eventualmente perto da chegada do Verão, teremos uma perspectiva mais ampla em termos estatísticos, pelo que será de nos concentrarmos na questão humana.

Independentemente do estado de fragilidade de boa parte dos falecidos, existe uma vertente moral no que podemos considerar como a existência de condições que antecipem a morte, como se fosse uma espécie de eutanásia não declarada, o que, num país que se pretende com uma cultura humanista e no século XXI nos parece completamente inaceitável, mas que, para muitos, parece assumir contornos de normalidade.

A naturalidade com que este número de óbitos é noticiado, bem como a atitude dos responsáveis políticos, que parece conferirem alguma normalidade ao facto de alguns milhares de residentes em território nacional terem morrido antes do que seria de esperar, apenas porque, na sua maioria estariam vulneráveis, como consequência de uma gripe ou resultado do tempo frio é inquietante e sinal dos tempos que vivemos.

Sem comentários: