sábado, janeiro 10, 2026

Mortalidade acima do normal nas últimas semanas de 2025 - 2ª parte

Não obstante a tendência para uma redução no número de óbitos que actualmente se verifica, apenas dentro de semanas se pode ter um panorama mais completo e ter a certeza que estas oscilações são consistentes e não apenas o resultado de flutuações, sempre existentes, mas que não correspondem a uma efectiva redução com projecção num período de tempo razoável.

Admite-se que o frio e gripe podem ser responsáveis por este excesso de mortalidade, mas este será apenas um dos factores, sendo que o envelhecimento da população, e é entre quem tem mais de 75 anos que se verifica o maior número de mortes, tal como a pobreza energética, que pode derivar não apenas na impossibilidade de aquecer as residências, mas também na qualidade desta, serão factores decisivos.

Também a menor eficácia da vacina contra a gripe, concebida para uma estirpe diferente da que predominou este Inverno, terá tido um impacto negativo a nível da mortalidade, tal como a escassez de vacinas em diversos locais, como resultado de uma má distribuição dos stocks disponíveis, e, admitimos, como consequência de algum alheamento por parte de vários dos que deviam ser vacinados, eventualmente saturados pelo número de tomas de vacinas desde o período da pandemia.

Obviamente, as dificuldades no acesso a cuidados médicos, sobretudo na época das festas de Natal e passagem de Ano, altura em que os estabelecimentos hospitalares estão mais congestionados e várias unidades e serviços de saúde estão encerradas, podem ter um efeito negativo, sobretudo entre idosos que estão mais isolados e que, perante a perspectiva de longas horas de espera para serem atendidos, adiam o pedido de socorro até ser demasiadamente tarde.

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