segunda-feira, abril 13, 2026

Uma Páscoa trágica nas estradas - 3ª parte

Sabemos, desde já, que o valor das coimas para algumas infrações graves que estão, tipicamente, na origem de acidentes graves, já foram aumentadas, como esperavamos, sendo óbvio que o resultado, no respeitante à finalidade anunciada, será, virtualmente nulo, tal como aconteceu sempre que tal sucedeu no passado, pelo que, sem novidades de monta, o panorama não se afigura minimamente animador, sendo de esperar que a situação não melhore.

Infelizmente, como corolário, assistimos a uma estranha mensagem, eventualmente bem intencionada, por parte do actual primeiro-ministro, que se dirigiu à audiência a partir de um automóvel em movimento, sendo patente que não usava o cinto de segurança, no que é um péssimo exemplo, sendo certo que os actos pesam mais do que quaisquer palavras.

De certa forma, esta atitude ilustra bem uma das causas da sinistralidade rodoviária, sendo patente um certo desleixo, a indiferença perante a legislação, uma cultura de segurança quase inexistente e aquela crença que o mal apenas acontece aos outros, numa mistura explosiva que inclui os componentes suficientes para que esta autêntica bomba-relógio com temporizador incerto um dia resulte numa tragédia.

Enquanto esperamos que as autoridades competentes procedam à notificação deste governante, face a uma infração considerada grave, punível com coimas de 120€ a 600€ e com possível perda de pontos na carta de condução do infrator, temos esperança que, pelo menos, o primeiro-ministro peça desculpa pelo péssimo exemplo dado e anuncie medidas que possam mitigar o problema da sinistralidade rodoviária.

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