Se por um lado o relatório do grupo de trabalho da Assembleia da República afirma que as fontes de energia renovável intermitentes não podem ser, só por sí, identificadas como a causa do evento, por outro afirma que a operação de centrais de energia renovável sem mecanismos de controle de tensão, estará na origem do incidente, confirmando os vários relatórios produzidos em Espanha.
A recomendação do estabelecimento de um calendário vinculativo para a implementação deste tipo de mecanismo, constante do mesmo relatório, denuncia e confirma a origem do problema, enquanto tenta proteger o uso de energias renováveis, que falharam por falta de prudência e da não obrigatoriedade dos operadores implementarem mecanismos de controle de potência, bem como verificar melhor o balanço entre os vários tipos de energia usadas a cada momento.
Obviamente, a rede nacional tem o mesmo tipo de vulnerabilidade, mas não na extensão que se verifica na rede espanhola, sendo dúbio que uma situação idêntica pudesse ter origem em território português, onde a rede eléctrica tem uma gestão mais pragmática e com muito menor pendor político do que no país vizinho, o que permite uma maior segurança que, infelizmente, não a torna invulnerável a incidentes do outro lado da fronteira sem que disso resulte um substancial aumento do preço da energia consumida.
Pela seriedade do assunto, e porque pouco se sabe quanto a eventuais melhoramentos na rede, para além de algumas alterações no balanço da proveniência de energia e na preparação de novas centrais para um arranque a frio, é impossível esquecer o sucedido e alguma falta de empenho das entidades oficiais, talvez com receio de tocar em assuntos delicados ou diplomaticamente complexos, do que resulta a inércia que tende a ser típica entre nós.
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