No caso dos números referentes à onda de calor, seja em termos de atendimentos e internamentos nos serviços de saúde públicos, seja ao nível da mortalidade, deviam estar disponíveis quase de imediato, tendo em conta o nível de informatização actual e a forma como os dados são consolidados, pelo que a sua não revelação atempada terá que ser entendida como uma opção política.
Existe o direito de cada cidadão de interpelar o Estado, requerendo informação que deve ser pública e se encontra inacessível, mas não existe prazos para que essa informação esteja disponível, pelo que, na sua inexistência, existe uma forma de contornar a legislação em vigor sem que exista responsabilização para quem recorre a este tipo de artifício, particularmente comum entre nós.
Diz-se, e é verdade, que informação é poder, tal como o é a a capacidade de a ocultar, manipular ou condicionar, e os dados de ondas de calor passadas, que deviam ser conhecidos, tal como o são noutros países europeus, continuam indisponíveis, eventualmente até ao próximo ano, altura em que todos queremos conhecer os dados de 2026 e pouca atenção daremos aos de 2025, sendo que, quando forem publicados, em vez de merecerem destaque, todos se focarão na ausência dos dados de 2026.
Obviamente, aproveitamos para chamar a atenção dos nossos leitores para os alertas emitidos pelas entidades oficiais e para agirem sempre com o máximo de prudência, sobretudo nas horas de maior calor, evitando uma exposição em excesso e evitando esforço físico, tendo sempre uma especial atenção aos mais vulneráveis, como crianças, idosos e doentes.
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