Não obstante diversos incêndios continuarem activos, com algumas destas ocorrências a devastarem áreas relevantes, o foco noticioso dos últimos dias tem-se centrado nos assuntos mais diversos, vagueando entre notícias que podem ter um elevado número de audiências, independentemente da sua relevância, no que aparenta uma prioritização no mínimo duvidosa.
Após dias em que o eclipse dominou, rapidamente o foco passou para notícias diversas, como o assassinato de uma mãe por parte do filho ou o trágico acidente na Volta a Portugal, sem dúvida chocantes, sobretudo pela perda de vidas humanas, mas que não revelam algo de estrutural, que afecta o País no seu todo e, consequentemente, todos os habitantes, como a continuação de incêndios devastadores.
Observando o alinhamento dos principais serviços noticiosos dos últimos dias, nota-se uma especial incidência em notícias que possam chocar, essencialmente ligadas à criminalidade ou acidentes violentos, que apelam a uma maior emotividade e mantêm as audiências conectadas, seguindo o modelo das redes sociais, deixando de parte a análise de problemas mais profundos, que implicam uma maior atenção e alguma reflexão, que muitos dispensam em tempo de férias.
No entanto, esses problemas não desaparecem porque são secundarizados, podendo, pela falta de atenção que lhes é dedicada e, consequentemente, por uma menor pressão da opinião pública, vir a agravar-se, perante alguma indiferença que se alheia do sofrimento de quem é directamente atingido, caso daqueles que perdem os bens, destruídos por fogos que, longe dos espaços noticiosos, teimam em continuar activos.
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