Efectivamente, quando surgiu uma ocorrência mais relevante, o incêndio, então no concelho de Celorico, desapareceu das notícias, substituído por um fogo que, mediaticamente, seria mais relevante, o que pode suceder pelo local onde decorre, mais próximo dos grandes centros do que numa zona remota da Beira Alta, cujas povoações poucos conhecem, por vezes com nomes impronunciáceis para a maioria.
A realidade do Interior é virtualmente imperceptível a quem passou a vida nas grandes cidades, mais agora, quando a desertificação e a destruição do tecido económico, acompanhado pelo encerramento dos mais diversos serviços, públicos e privados, e tal nota-se na maioria das reportagens, onde as descrições padronizadas e as perguntas padrão reduzem cada ocorrêcia a uma repetição da anterior, essencialmente descaracterizando a sua essência e reduzindo a sua complexidade ao nível do simplismo.
Observando o alinhamento das notícias, os fogos parecem valer pelas imagens que se podem capturar, pelo apelo ao sentimento, tendo a prioridade exigida pelas audiências, do que resulta, tantas vezes a subalternização face a notícias de importância muito relativa mas que, por envolverem personagens ou locais mais conhecidos, serão mais atrativos para o grande público.
A superficialidade com que, na maior parte dos casos, são noticiados os fogos, que parecem ser uma forma fácil e prática de preencher serviços noticiosos numa época onde as notícias nacionais tendem a ser escassas, acaba por normalizar o que devia ser excepcional, reduzindo a sua relevância e criando uma sensação de inevitabilidade que leva a uma aceitação pacífica de uma realidade que nos devia revoltar.
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