sábado, junho 18, 2016

Lisboa, cidade fechada - 9ª parte

Uma faixa de rodagem em ruas interiores tem apenas 3.00 metros, com curvas em angulos rectos, delimitadas por pilaretes para que os veiculos não invadam os passeios, é demasiado estreita para muitos veículos, sobretudo pesados como os que são utilizados na recolha de lixos, mas também para um auto tanque dos bombeiros, sendo manifesto que esta foi uma opção errada, dado que, para reduzir o trânsito, basta orientá-lo de forma a que atalhar pelo interior do bairro seja contraproducente em termos de circulação.

Naturalmente, com o aproximar das eleições autárquicas, é óbvio que a Câmara pretende ter o máximo de obras concluídas, sobretudo as que têm maior impacto na vida das populações e que, consequentemente, terão um maior impacto eleitoral, razão pela qual as que se realizam em pequenos bairros residenciais, fora do circuito turístico, são preteridas, com os recursos disponibilizados a serem manifestamente escassos.

Neste caso, face à falta de qualidade do trabalho realizado e à possibilidade de uma degradação rápida, com elevado grau de imprevisibilidade relativamente ao estado mesmo num curto espaço de tempo, quanto menos tempo de uso tiverem as vias antes das eleições, menor a probabilidade de, em caso de estarem manifestamente detrioradas, haver um impacto negativo nos potenciais eleitores.

Por outro lado, com o acumular de obras em execução, e lembramos que entre estas estão as que se realizam em vias críticas para a circulação na cidade, como o eixo Av. Fontes Pereira de Melo - Av. República e, posteriormente, a 2ª Circular, implica uma dispersão de meios, com a secundarização das obras que afectam menos residentes, os quais são, obviamente, particularmente sacrificados.
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