quinta-feira, agosto 04, 2016

A subjectividade de uma boa vista - 1ª parte

Embora algo fora do âmbito deste "blog", pelas implicações que as alterações no Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), tem em muitas zonas do País, nomeadamente no Interior, onde a falta de receitas tem levado a sucessivos aumentos, completamente desproporcionados face ao valor patrimonial do imóvel e, o que é mais grave, à riqueza, ou falta dela, dos proprietários, sentimo-nos no dever de tecer alguns comentários.

Se alguns dos parâmetros nos parecem inquestionáveis e objectivos, como idade ou área, outros, como a vista, que pode ter diversas vertentes, como uma praia de um lado e um cemitério de outro, ou a luz solar, que pode ser directa ou em determinadas alturas do dia, indirecta devido a uma sombra, pela sua subjectividade, surgem como intoleravelmente descricionárias, passíveis de abusos e como factor de incerteza, que terá como consequência directa destruição de valor, fazendo diminuir o preço das habitações.

Sendo previsível que, na maioria dos casos, o IMI irá aumentar, o factor determinante é o aumento da incerteza agora introduzida, com factores subjectivos a passarem de 5% para 20%, e a possibilidade de em, posteriores avaliações, se verificarem novos aumentos, e terá como resultado a diminuição do valor de venda dos imóveis, com o comprador a tentar fazer refletir o acréscimo no preço das prestações, o que tem implicação directa no custo total.

A título de exemplo, havendo a estimativa ou previsão um aumento anual do IMI em 180 Euros, e este valor é apenas exemplificativo, a tentação será a de reduzir cada prestação mensal em 15, de forma a equilibrar as contas, sendo imediato que, tendo em conta os habituais prazos de pagamento dos empréstimos, muitos a prolongar-se por 25 anos, o valor que se tentará abater será de 4.500 Euros, sendo natural que se tente obter uma redução de preço desta ordem na altura de uma aquisição.
Enviar um comentário
Related Posts Widget for Blogs by LinkWithin