segunda-feira, março 24, 2025

Por uma cultura de segurança - 2ª parte

Também as entidades oficiais, ao não cuidarem adequadamente do património, seja edificado, seja natural, contribuem para esta situação, tal como contribui a falta de legislação e regulamentação adequada, sendo disso exemplo a autorização para a colocação de cartazes publicitários de grandes dimensões, usando superfícies não perfuradas que, sob o efeito do vento, se comportam como as velas de um navio, podendo vir a ser arrancadas enquanto condicionam a passagem do vento.

Não é por falta de conhecimento técnico e científico que tal acontece, os avisos e alertas são inúmeros e quase sempre ignorados, com os decisores a optarem por se centrarem nas consquências que, com a devida atenção e empenho, podiam ser, pelo menos parcialmente, controlados a montante, não apenas através de um planeamento adequado, mas estabelecendo regras e normas que todos devem cumprir na implementação e manutenção de estruturas ou equipamentos.

Mudar mentalidades demora tempo, podemos estar diante que implique mudanças geracionais, pelo que cabe aos reponsáveis instituicionais estabelecer o quadro legal que imponha um conjunto de regulamentos destinados a reduzir riscos, mesmo que tal implique alguma resistência inicial, o que sucede quando surge este tipo de imposição, tal como aconteceu quando o uso do cinto de segurança se tornou obrigatório, mas que, com o tempo, será assimililado e entendido com naturalidade.

Enquanto se continuar a optar por um mero controle de danos e pela respectiva reparação, o risco para as populações continuará presente, sendo óbvio que muito não pode ser reparado, e que as consequências de ferimentos deixa marcas, por vezes para sempre, e a perda de vidas não tem solução possível, não havendo compensação que possa compensar este tipo de perda.

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