segunda-feira, setembro 07, 2015

"Troll Farm" - 2ª parte

Naturalmente que, não obstante o anonimato conferido pelo nome falso sob o qual se apresentam, o padrão é claro e revelador, não deixando qualquer margem de dúvidas quanto ao autor, mesmo quando este muda o identificador utilizado, tipicamente mantendo uma linha de continuidade com o anterior, pelo que raramente se coloca em causa os intuitos e a credibilidade deste tipo de personagem.

Com o comportamento que associamos, em linguagem cibernautica, a um "troll", alguém que procura não o debate, mas o conflito, substituindo argumentos racionais por um tipo de linguagem provocadora ou insultuosa, com o objectivo de constranger, limitando a liberdade de expressão dos restantes participantes, ocultando factos através do exacerbar de sentimentos onde toda a racionalidade se perde.

Quando estes se multiplicam, e curiosamente, ou nem tanto, mantêm algum tipo de padrão que permite deduzir que terão uma origem comum, é quase certo que são provenientes de uma mesma criação, formados e instruídos para perseguir determinados fins, sem receio das consequências, protegidos pelo anonimato e pela estrutura que os apoia, suporta e encoraja, estimulando um comportamento inaceitável face ao conteúdo das intervenções e à postura perante todos quantos se atrevem a discordar.

Esta legião, produzida numa "Troll Farm", terá um papel cada vez mais importante, na medida em que a luta partidária sai de meios mais convencionais, ou tradicionais, como a rua, onde cartazes, "outdoors" e mesmo manifestações perdem impacto, exceptuando um conjunto de partidos muito concreto, transferindo-se para o mundo virtual, com destaque para os ambientes mais interactivos, onde a presença implica persistência e número.
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