segunda-feira, outubro 12, 2015

"O melhor dos piores anos" - 1ª parte

Foi com esta frase que o Comandante Nacional de Operações de Socorro efectivamente resumiu o combate aos fogos num Verão que se anunciava particularmente complicado, em consequência de um conjunto de factores climáticos e conjunturais, bem como da evolução de diversas variáveis de âmbito sociológico, no qual o total da área ardida ficou abaixo das previsões mais optimistas.

No termo de um Verão quente e seco, quando o ciclo da Natureza, após anos com menos fogos e onde as zonas queimadas se regeneram, na sua maioria de forma desordenada, com um dispositivo semelhante ao do ano anterior, onde se verificaram condições menos favoráveis à propagação das chamas, os números no final do mês de Setembro, e no termo da época crítica de combate aos fogos, revelam-se menos gravosos do que o esperado, o que, numa perspectiva de controle de danos, é, indiscutivelmente, um sucesso.

Podem ser apontados diversos factores concorrentes para que a área ardida seja menor do que o previsto, mas a evolução a nível das tácticas, do comando e controle e da formação, mais do que nos meios, que permanecem ao nível de anos anteriores, surgem como a principal chave para o que a Protecção Civil considera, justamente, como um sucesso, não obstante as dificuldades e um conjunto de problemas que teimam em subsistir.

Não sendo o mais relevante, mas porque traduzem de forma mais fria e objectiva a realidade, mesmo que omitindo razões, os quase 61.000 de hectares de área ardida, que são cerca do dobro do ano anterior e menos 36% relativamente à média dos últimos dez anos, não deixam de ser preocupantes, mesmo tendo em conta um Verão bastante quente, com temperaturas superiores ao normal.
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