sexta-feira, novembro 13, 2015

Umas cheias previsíveis - 4ª parte

Mas para além de todo um conjunto de questões a nível da postura e responsabilidade de alguns dos protagonistas, não pode ser omitida a de outro conjunto, que inclui os decisores políticos, sobretudo os que estão directamente envolvidos nas diversas alterações que tornaram Albufeira particularmente vulnerável, condição em que, perante condições idênticas, se encontram muitas outras localidades do Litoral algarvio.

Tal como em numerosas outras localidades do litoral, sobretudo aquelas que têm uma maior actividade turística, a expansão desregrada do tecido urbano, com licenças de construção que permitem edificar em quase qualquer local, mesmo em zonas de risco, conjuntamente com a redefenição da rede viária, tem vindo a impermebilizar os solos e a reduzir drasticamente a sua capacidade de absorção e escoamento, encaminhando a água para canais cada vez mais estreitos, essencialmente constituidos pela própria malha urbana.

O encanamento de uma ribeira, feito durante as obras do "Polis", é apontado por muitos moradores como um dos responsáveis, mas existem outros factores, como a elevação do pavimento de vias de circulação, que passaram de um nível inferior ao das habitações para um superior, ou a construção de edificações e crescente impermeabilização dos solos.

Não obstante tal ser negado por diversos responsáveis políticos, apoiando-se em relatórios técnicos, uma imagem revela a incapacidade de escoamento do sistema implementado, concretamente uma estrada destruida a partir de baixo pela pressão da água, num cenário bastante explicativo quanto ao factor determinante para a segmentação de um pavimento preparado para resistir a pesos.
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