sábado, abril 01, 2017

Lisboa, cidade fechada - 23ª parte

Devemos acrescentar que, não obstante ser uma actividade lícita e desenvolvida por entidades privadas, a forma como alguns agentes imobiliários se comportam, importunando os residentes dos bairros dentro das suas próprias habitações, batendo-lhe à porta, para além de colocar publicidade nas ombreiras destas, para além da que é colocada nas caixas de correio, surge como francamente abusiva.

Não nos parece lícito que alguém se dirija a outrem, que está no interior da sua própria residência, e lhe proponha a venda da habitação onde reside, tomando uma iniciativa que consideramos violar normas básicas de privacidade, podendo assumir contornos de assédio ou coação, dependendo da forma como se realiza e da vulnerabilidade de alguns residentes, sobretudo os mais idosos.

A implementação de políticas que favorecem o turismo, prejudicando os residentes, tem tido como consequência, entre outras, um muito substancial aumento do preço da habitação, sobretudo em zonas consideradas nobres ou de fácil acessibilidade, sendo perceptível que muitos residentes, sobretudo idosos, têm vendido as suas habitações, admissivelmente por um valor elevado, mas, eventualmente, como consequência de pressões ilegítimas.

O cenário criado pela autarquia condiciona seriamente a actividade económica, e o excessivo favorecimento do turismo cria desequilíbrios graves, num fenómeno estudado em diversas cidades em todo o Mundo, muitas das quais adoptaram medidas para contrariar este fenómeno, impondo restrições, que, manifestamente, não são sequer estudadas em Lisboa, onde o imediatismo das receitas turísticas faz esquecer um futuro insustentável.
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