quarta-feira, janeiro 14, 2026

Mortalidade acima do normal nas últimas semanas de 2025 - 4ª parte

Em Portugal continua-se a minimizar o efeito do frio e forma como impacta negativamente os mais vulneráveis, sobretudo os mais idosos, com incidência especial nos que vivem sós, sendo óbvio que a pobreza energética, que impossibilita grande parte da população de aquecer as respectivas residências, é minimizada, como se tal não fosse um problema que coloca em causa a própria vida, sendo colocada ao nível de um conforto supérfulo.

Enquanto o mito de que vivemos num clima temperado, que o frio, sobretudo no Litoral, não é um problema grave, e que o aquecimento das residências pode ser equiparado a um luxo, o número de vítimas resultantes do frio e de doenças que podem ser resultantes das temperaturas baixas, ou potenciadas por estas, dificilmente será abordado de forma incisiva e, menos ainda, será encontrada uma solução.

Lamenta-se que esta falta de visão, que é tão irracional do ponto de vista económico, tendo em custa os custos hospitalares resultantes, como cruel, porque tortura os mais vulneráveis, por vezes resultando numa morte dolorosa, que podia ser evitada, e que resulta de uma manifesta indiferença das entidades oficiais, que se alheiam de um problema da maior gravidade, que afecta, sobretudo os mais idosos, como se estes, quando se aproximam do fim da vida, fossem dispensáveis.

Temos consciência que este excesso de mortalidade resulta de um conjunto de factores e que a solução deste problema, na situação concreta verificada nas últimas semanas, é complexa e morosa, mas podem ser adoptadas medidas de contingência de implementação rápida e com custos controlados, pelo que a inação não é apenas inaceitável, é de criminosa e deve ser avaliada enquanto tal.

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