sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Um País paralisado - 4ª parte

À luz do sucedido, quando se recorda que o ministro titular da pasta das Obras Públicas anunciou uma auditoria abrangente, tendo em conta que a A1 fora cortada ao trânsito antes de parte do tabuleiro de uma ponte ruir, não podemos deixar de considerar que a fragilidade de várias estruturas era conhecida ou, pelo menos, existia desconfiança quanto à sua segurança.

Aliás, existe todo um vasto conjunto de estruturas que necessitam ser vigiadas, periodicamente analisadas e, eventualmente, mantidas ou reparadas, ficando a sensação que tal não é efectuado com o rigor necessário, seja nos métodos, seja na calendarização, sendo possível, no limite, que muitas não sejam vistoriadas desde há muitos anos, podendo, entretanto, ter-se degradado e constituindo um perigo para as populações.

Daqui decorre que vivemos sobre uma autêntica bomba-relógio, num permanente perigo, à mercê dos caprichos de uma Natureza que tem vindo a transformar-se, tornando-se mais agressiva e expondo de forma cada vez mais evidente as fragilidades de um País que tende a não antever ou prevenir, optando, sistematicamente, pela muito mais dispendiosa e menos eficaz reparação dos danos.

Temos consciência que estamos diante de investimentos muito substanciais, que demoram a implementar, sendo necessário um estudo complexo, e necessariamente moroso, antes de estabelecer o caminho a seguir, o que significa que não há tempo a perder, devendo-se insistir na urgência de arrancar com este processo de modo a que os primeiro resultados possam antecipar novas tragédias.

Sem comentários: