sexta-feira, abril 29, 2016

"E se fosse consigo" o falso alarme - 3ª parte


Independentemente de avisos prévios, não é possível ao operador da linha de emergência determinar que uma cena, sobretudo que envolva violência, visualizada por uma testemunha que, prudentemente não se aproxima em demasia, é encenada, nem tal é detectável por quem efectua a filtragem, pelo que a activação de meios acaba por ser inevitável, podendo incluir viaturas policiais e de socorro.

Podiamo-nos alongar quanto às implicações deste formato, que explora a reacção de uma assistência involuntária, assume-se como uma provocação ilegítima, o qual deve ser devidamente analisada pelas entidades competentes, dado poder, eventualmente, assumir contornos perigosos e que podem ser contraproducentes relativamente aos objectivos que pretende alcançar.

Independentemente da nobreza das causas, nem todos os meios são legítimos para as defender ou promover, sob pena de incorrer não apenas em contradições ou crimes, como na possibilidade de prejudicar quem se pretende defender, como resultado de ocorrências ou reações que, sendo imprevisíveis, são expectáveis face às encenações criadas.

O formato adoptado no "E se fosse contigo" é, na nossa opinião, inaceitável, ao encenar situações perante um público real, que não pediu para participar, em locais públicos, onde a imprevisibilidade é o factor dominante, numa manipulação que, para além de ilegítima, pode resultar em sérios danos, facilmente intuíveis, mas que parece não preocuparem nem autores, nem as próprias autoridades e entidades reguladoras do sector da comunicação social.
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