domingo, junho 25, 2017

Lisboa, cidade fechada - 30ª parte

Sem grandes resultados práticos, num auditório pleno de vozes críticas, técnicos da Câmara Municipal de Lisboa, sem acompanhamento de qualquer eleito, tentaram responder, de forma mais ou menos satisfatória, a numerosas questões sobre as obras realizadas no Bairro do Arco do Cego e que, cremos, ainda irão ser revistas.

Talvez a expressão "vocês deram cabo do nosso bairro", pronunciada logo no início da sessão, seja a que, de forma mais sucinta, exprime o que parece ser o sentimento colectivo dos presentes, para quem a reparação das vias e passeios degradados e a manutenção de equipamentos existentes, com a introdução do mínimo de modificações possível, seria o cenário mais adequado à realidade de um bairro com muitas especificidades.

E na verdade parece consensual que o bairro está hoje muito pior, em tudo menos a nível da qualidade de vias e passeios, com o experimentalismo camarário, numa ânsia de testar novas soluções num local onde o fracasso destas e a penosidade para os residentes tenha escassas consequências eleitorais, tem levado de um desaire a outro, com uma substancial degradação da qualidade de vida dos residentes, relativamente aos quais a Câmara manifesta uma completa indiferença.

Da reunião resultam poucas certezas, para além do consenso dos moradores e da incapacidade da autarquia em dar explicações aceitáveis ou a assumir responsabilidades pelo desaire, num misto de indiferença e arrogância, patente na afirmação dos técnicos que dizem ser eles os especialistas, pelo que o que os moradores vivem e sentem, manifestamente, está errado, sem dúvida proveniente de alguma realidade alternativa.
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