sexta-feira, novembro 12, 2010

Criminalização da política? - 3ª parte

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Um estabelecimento prisional em Portugal

Esperemos que o exemplo da Islândia seja seguido e aceite como uma evolução natural e necessária, essencial para dar alguma credibilidade à classe política, a qual, ao esconder-se atrás de uma legislação que a protege, surge como inimputável, estatuto que, legitimamente, apenas pode ser atribuido a quem enferme de condições específicas.

Lamentavelmente, não acreditamos que com os actuais políticos, sem que exista uma ruptura flagrante com o actual sistema, as alterações necessárias sejam introduzidas, pelo que terá que se equacionar se, perante as limitações impostas, que impedem uma verdadeira renovação, nos encontramos realmente a viver sob um regime democrático, dadas as restrições existentes no sentido de impedir uma verdadeira intervenção cívica.

Ao afastar os cidadãos de muitas formas de poder, proibindo, por exemplo, que concorram a deputados sem se integrarem num partido político, adiando continuamente as listas uninominais, jogando com as circunscrições eleitorais e com a divisão administrativa do território, entre tantas outras, é manifesto que existe um controle oligárquico destinado a perpetuar no poder, mesmo que com alternância, o mesmo conjunto de indivíduos, cuja provas estão mais que dadas.

Criminalizar as más decisões políticas nunca poderá ser um acto isolado, mas parte de uma mudança de paradigma, absolutamente necessária, sem o que o nosso País continuará na rota do empobrecimento, do descrédito, aproximando-se a passos largos de um colapso económico e social, cujos sinais são cada vez mais evidentes, mas cujos alertas continuam a ser ignorados pela actual classe política.
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