terça-feira, abril 25, 2006

Emigrante deu mais duas viaturas aos bombeiros


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Pinto Lopes, empresário em França

Os Bombeiros Voluntários de Fafe (BVF) receberam no passado domingo duas novas viaturas de combate a incêndios florestais.

Esta dupla prenda foi entregue no 116º aniversário da corporação e teve mais uma vez como padrinho o benemérito fafense Manuel Pinto Lopes, empresário e emigrante radicado em França que ao longo destes últimos oito anos, directa ou indirectamente, ofereceu oito veículos à corporação.

"Criei uma comissão de apoio em Paris, há oito anos, para a aquisição da auto-escada e a partir daí, graças aos lucros da minha empresa, tenho podido todos os anos disponibilizar verbas para a aquisição das viaturas", explicou o empresário.

Dos arredores de Paris já chegaram quatro veículos para combate a fogos florestais, duas ambulâncias, um veículo de fogos urbanos e uma auto-escada, tudo porque em França os veículos dos bombeiros têm uma duração limitada e têm de ser substituídos.

"Há empresas que compram em hasta pública carros nessas condições e eu conheço uma dessas sociedades e por isso faço os negócios. Os carros estão operacionais e em óptimas condições. Depois só precisam de ser refrescados e estão prontos a actuar", explicou Pinto Lopes.

"Pinto Lopes substitui-se ao Estado porque nunca através dos planos normais o Estado nos daria o equipamento que temos", lembrou José Manuel Domingues, presidente da Direcção dos BVF.

"O que sentimos pelo Pinto Lopes não se traduz em palavras nem em medalhas", concluiu José Manuel Domingues, ao salientar que com estas duas viaturas de combate a incêndios florestais, os BVF ficam com os meios adequados para atacar incêndios dos meses de Verão.

"Devemos ser os bombeiros do país com maior número de carros deste tipo e esse facto é importante até para motivar os nossos homens", lembrou o presidente da Direcção.

As duas viaturas, que vêm reforçar o parque automóvel da corporação, foram benzidas pelo arcebispo-primaz de Braga, D. Jorge Ortiga, que presidiu às cerimónias religiosas de mais um aniversário dos BVF.

Para além de servir como homenagem a este e a muitos outros beneméritos, que anonimamente se substituem ao Estado, queremos ainda lembrar o estado de penúria de tantas corporações, que por falta de recursos vêm as suas tarefas gravemente dificultadas, levando-as a permitir situações de improviso que aumenta dramaticamente os riscos de missões já de si perigosas.

Entre as consequências destes riscos que são potenciados por material deficiente ou inadequado, não podemos deixar de recordar o acidente que o ano passado vitimou três bombeiros que se deslocavam num Land Rover Defender sem "roll bar" e com jantes oriundas de um Série, incapazes de suportar o peso deste modelo e do pesado equipamento que incluia o reservatório de água transportado.

Mais grave ainda, veículos que em qualquer país europeu já não teriam uso ao serviço dos bombeiros, são entre nós, após recuperados, considerados entre os mais aptos, deixando antever o estado em que que estarão aqueles que se encontram em fim de vida.

Infelizmente, a falta de verbas continua a ser uma das maiores limitações da maioria das corporações, de que resulta uma óbvia desmotivação, agravada pelo risco excessivo resultante de material obsoleto ou inadequado, sem que se vislumbre uma situação para este problema que não passe pela solidariedade de empresas e da sociedade civil.

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